Quique & Pako Ayestaran, a dupla de uma vida

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Se afirmado por Katsouranis ganha relevo, pelo jogador que é. Daqueles que poderá facilmente tornar-se treinador, assim o deseje. Foi quando Nuno Assis o afirmou que comecei a confirmar o que pensava de Quique e seus colaboradores.

Assis, jogador com cultura táctica bem acima da média, apenas trabalhou um mês com a dupla Quique e Pako, ainda assim, não se coibiu de a eleger como a melhor da sua carreira. Sintomatico.

De facto, as equipas de Quique parecem tornar-se, com o tempo, bem mais do que a soma das individualidades. Para além disso, as individualidades parecem tornar-se cada vez mais fortes!

De José Mourinho, é comum afirmar-se que transforma jogadores aparentemente banais em estrelas cintilantes. Pois bem, e que tem feito Quique de Jorge Ribeiro? de Maxi Pereira? de Amorim? até de Luisão! Imagine que o Benfica de Camacho entrava em campo com o mesmíssimo 11 com que Quique entrou no jogo de Coimbra. Pois. Ontem, em Coimbra, até Bynia pareceu um jogador diferente!

A forma como compreende e explora os factores de rendimento, sempre com a parte táctica do jogo presente, tornam-o um treinador diferente, para melhor, relativamente ao contexto em que está inserido.

Um modelo de jogo bem definido, com principios de jogo compreendidos por todos os jogadores é bem mais de meio caminho andado para o sucesso na Liga Sagres, onde grande parte das equipas parecem apresentar-se com 11 jogadores soltos em campo.

P.S. – Em Coimbra, pareceu-me ser o jogo em que o Benfica mais se aproximou do pretendido por Quique, no momento defensivo do jogo. Defesa bem subida, sempre bem longe da sua baliza, sectores próximos e os 4 do meio campo bem pressionantes, iniciando o processo defensivo ainda no meio campo ofensivo, garantindo, não só, várias recuperações de bola nesse espaço (uma delas, culminou com o golo de Amorim), mas também inviabilizando a tentativa dos médios e defesas da Briosa servirem de forma lúcida, a velocidade dos seus atacantes.

P.S. II – No plano ofensivo, poucas oportunidades criadas, mas com o deficit de velocidade e criatividade presente no 11 inicial, difícil seria esperar melhor.

P.S. III – E porque o jogo não se faz só de desiquilibrios.. Mais um daqueles jogos de Amorim e Yebda.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

3 comentários em Quique & Pako Ayestaran, a dupla de uma vida

  1. Cada vez mais a Táctica tem-se vindo a tornar mais importante do que a Técnica…
    Uma equipa disciplinada tacticamente terá mais probabilidades de sair vitoriosa do que uma equipa que tenha 11 vedetas (mas que não se saibam comportar em campo).

    Uma coisa que eu aprecio neste Benfica (2008-2009) é a sua brilhante cultura táctica…
    Os jogadores sabem onde se colocar e que espaços percorrer… =) Nisso a nossa equipe técnica está de parabéns…

    http://desportotal.maisforum.com
    Mais que um Fórum… A Bíblia do Desporto…

  2. PB, gosto do trabalho do Quique e da forma de trabalhar e de estar no futebol que tem. Não concordo, contudo, com a comparação a Mourinho e muito menos com a potenciação dos jogadores que referes.

    Jorge Ribeiro tem sido igual a ele próprio, um jogador certinho, regular, com qualidade para ser suplente de um grande, nas funções de defesa-esquerdo. Não vi o Jorge Ribeiro ser mais do que isto, pelo que não entendo o que Quique fez dele. De Maxi Pereira, já desde a época transacta que o aprecio, sobretudo a lateral. Não concordo que esteja a ser assim tão melhor. É um jogador regular, capaz de apoiar bem o ataque e sempre preocupado em dar equilíbrios. Já o era com Camacho. Quanto a Amorim, admiro-o há já largos anos. Não esperava que entrasse tão claramente neste Benfica, sobretudo porque não é um jogador muito vistoso. A sua abnegação poderia prejudicá-lo. No entanto, tem sido uma boa aposta e tem-se revelado mais arrojado do que seria de esperar. É o único jogador, dos que falas, que está acima daquilo que se lhes conhecia. Quanto a Luisão, não percebo mesmo o que tem feito de bom com Quique. Quanto a Bynia, eu vi o jogo e não vi nada de diferente no Bynia: falhou quantidades absurdas de passes, posicionou-se mal, exagerou na virilidade, etc.

    Se estes não me parecem estarem assim tão potenciados quanto isso, já ignorar que Quique ainda não conseguiu fazer nada de Di Maria, por exemplo, parece-me conveniente. Cardozo também está a render menos do que na época anterior. E estás a esquecer-te, também, que tem ignorado insistentemente o melhor defesa-esquerdo do campeonato. Além de Balboa, que até à data tem sido um flop e foi recomendado precisamente por exemplo.

    Portanto, em Quique, há jogadores que se têm evidenciado, mas há também outros que têm estado abaixo do que podem fazer. Além disso, dizer que isso é igual a Mourinho não faz sentido. A potenciação dos jogadores de que Mourinho é capaz advém essencialmente de duas coisas: 1) a preferência que ele dá a factores intelectuais, o que faz com que jogadores em quem praticamente ninguém reparava passem a ter destaque porque, nas equipas de Mourinho, ser inteligente é quase tudo (ou seja, o que para outros pouco contribuiria para o valor real do jogador, em Mourinho é precisamente o que lhes exponencia o valor), e 2) a metodologia de treino (Periodização Táctica), que põe em destaque todos os atributos dos jogadores no seu máximo melhor que qualquer outra metodologia.

    Resumindo, considero que Quique tem feito um bom trabalho, mas há que perceber também que a capacidade individual da equipa é elevadíssima. Em termos tácticos, não considero o seu Benfica muito forte, sendo incapaz, por diversas vezes de se impor. O 442 clássico continua a mostrar deficiências graves, como seja o conceder muitos espaços entre linhas e o não promover um abaixamento do ritmo de jogo quando isso mais interessa. Além disso, contra equipas que pressionem alto, o Benfica tem sempre que recorrer a um futebol mais directo, pois as soluções de passe são poucas.

    Cumprimentos

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