Liedson. Sempre ele.

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Há coisas dificeis de explicar. Liedson é uma delas. Não é muito evoluído tecnicamente, fisicamente vale pela agilidade (agora que não é tão veloz) e se lhe traçarmos o perfil, característica por característica, apenas o seu gesto técnico ao cabecear é soberbo. Mas, depois, há o handicap de não ser muito alto.

Mas, Liedson vale pelo inexpelicável. Ninguém consegue explicar bem o porquê, mas o Levezinho continua a resolver jogos, atrás de jogos, com golos plenos daquela “ratice” que parece não se poder treinar. E nem se pode dizer que a estratégia de Paulo Bento seja criar lances para Liedson. Ele, pura e simplesmente, aparece…

Os adeptos do Sporting agradecem.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2364 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

10 comentários em Liedson. Sempre ele.

  1. Como sabes, considero que as coisas boas do Liedson não atenuam a quantidade de coisas negativas que prejudicam a equipa. Ontem não foi um desses casos. Na primeira parte, Liedson fez um jogo exemplar, tomando invariavelmente a melhor opção. Se jogasse sempre assim, o facto de aparecer de vez em quando em momentos inexplicáveis, como os defines, faria dele um jogador de topo. Infelizmente, o Liedson da primeira parte de ontem, o Liedson capaz de jogar para a equipa, preocupado em perceber o jogo, o Liedson inteligente, bom a decidir, capaz de participar na movimentação ofensiva da equipa para além do último toque, raramente aparece.

  2. PB,

    É verdade que o perfil do Liedson é um pouco atípico para aquilo que é normal, mas julgo que a caracterização que fazes é um pouco exagerada. Aliás, se assim não fosse, não se explicaria o rendimento que tem.

    Primeiro, não sendo um driblador,
    tem enorme qualidade técnica (isso ve-se nomeadamente ao nível da recepção). Pode-se ainda falar, em termos fisicos, da sua agilidade que é uma dor de cabeça sobretudo porque os centrais são normalmente muito pouco capazes nesse aspecto. Mas a sua mais valia está na forma como relaciona os seus movimentos com a área (onde marca praticamente 100% dos golos). Apesar de ser um jogador móvel, as suas saidas da zona central raramente impedem que chegue a tempo de atacar as zonas de finalização na hora certa. Finalmente, e mais importante, tem uma excelente leitura dos espaços dentro da área e uma optima reacção aos cruzamentos, o que explica a sua veia goleadora.

    Só mais um pormenor. O Sporting não tem movimentos que tirem, em particular, partido de Liedson, é verdade. Mas todo o seu modelo está pensado nele. Por isso é que a escolha foi o 442.

    Abraço

  3. “Mas a sua mais valia está na forma como relaciona os seus movimentos com a área (onde marca praticamente 100% dos golos).”

    Filipe, o que é que entendes por marcar praticamente 100% dos golos?? Que marca em quase todas as oportunidades que tem?? É que se for isso, não é minimamente verdade. Aliás, por exemplo, no um para um com o guarda-redes, Liedson nem sequer é muito forte e costuma falhar mais do que acerta. É bom, isso sim, a aparecer no sítio certo a desviar um cruzamento, ou a ganhar uma segunda bola, etc. Mas está longe de ser um avançado que falhe poucos golos.

    Bruno Pinto, só por acaso, o segundo golo do Hulk (o quarto do Porto), é golo, sim senhor, mas é golo por acaso. O Hulk tinha o Rodriguez sozinho e quis ser ele a concluir a jogada. Acabou por ter sorte porque a bola tocou no defesa que tentou cortar o lance e subiu, tornando-se indefensável. Mas que não foi uma boa opção, não foi. E em 50 lances daqueles, marca 1.

  4. Se o Liedson se lesionar a mama nao se acaba, como demonstrou no final da época transacta onde arrecadou a Taça de Portugal e ainda esta época a SuperTaça. O Sporting com Djaló se tiver alguem a alimenta-lo com diagonais, como o Romagnoli, consegue ser um exclente goleador. Não é tão forte em situações em que ele não esteja com velocidade, como cruzamentos, mesmo assim, não sendo mau de todo.

    E o Liedson nao é bom no 1-1 com o redes, por que simplesmente não é um jogador de sangue frio, não é falta de técnica ou algo que se pareça, e o que não podem de todo é acusar que o Liedson não seja um jogador de equipa, sendo a par de Lisandro o avançado que mais e melhor defende, e um jogador que empurra uma equipa inteira para a frente.

  5. Nuno,

    quase 100% dos golos do Liedson são marcados dentro da área porque ele não é um jogador muito forte a rematar fora dela (por vários motivos). É só isso. Agora, dizer que ele não é eficaz dentro dela…

  6. Ah, ok! Marca quase 100% dos golos dentro da área, sim. Tinha percebido que marcava quase 100% das oportunidades que tinha. Não digo que ele não seja eficaz dentro dela. Digo, por exemplo, que não é muito eficaz em situações de um para um com o guarda-redes. Dentro da área, a sua principal virtude é aparecer no sítio certo. Mais de metade dos seus golos são lances em que não tem que pensar em escolher um lado, ou que não tem que aplicar técnica no remate para evitar oposição. São golos de empurrar lá para dentro, porque apareceu no sítio certo, ou carambolas, ou desvios de primeira (sem intenção de colocar a bola). Quando precisa de executar com definição, Liedson não é muito eficaz. É eficaz, isso sim, a atacar as zonas de finalização sobretudo em cruzamentos ou em lances confusos na área. De resto, é banal…

  7. Pois é.. há casos assim.

    Um jogador não é muito forte físicamente, levezinho até dizem.

    É rápido q.b., mas não é uma gazela!

    Tem boa técnica, mas nenhum génio com a bola nos pés.

    No entanto, em boa forma, desiquilibra jogos e condiciona os seus adversários.

    Há uma outra coisa que não referi e que faz toda a diferença… é um jogador extremamente inteligente e tem uma excelente percepção da bola, do espaço e dos adversários. É aqui que se faz a diferença.

    faz-me lembrar aqueles putos frazinos que jogam à bola mesmo com miudos mais velhos e lhes dão festival.

    Decide tudo pela forma como corre e para onde corre, como recebe a bola, o gingar do corpo (os brasileiros sabem o que é a ginga!), simulação e o engano dos adversários pelo movimento e o acerto no espaço e nos tempos de execução de remate, salto ou cabeceamento. Está completamente sincronizado com o jogo e os movimentos dos colegas e da bola… e isso trabalha-se, mas é instintivo!

    Além disso uma boa perícia em cavar faltas e passar incólume ajuda bastante, já que é tão franzininho! Mas também nunca se encolhe nos lances que disputa e é um atleta com boa disponibilidade física!

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