À atenção de Queiroz

white corner field line on artificial green grass of soccer field

– É possível que contra equipas cuja principal característica é a força e a cultura táctica, a melhor opção, seja apostar no talento, e não procurar equilibriar em centímetros e força;

– É possível que o 11 que terminou a partida seja um absurdo. Mas, podia ser pior. Faltaram Ricardo Rocha e Tonel a extremos;

– É possível que substituir Tiago, um médio talentoso, com capacidade para desiquilibrar em termos ofensivos, tenha sido uma enorme asneira;

– É possível que continuando a apostar em Hugo Almeida, Portugal continue outros 270 minutos sem marcar golos;

– É possível que abdicar de Quaresma e Miguel nas convocatórias seja estúpido. Que se segue? Nani começa a jogar pouco no Man Utd, e veremos Zé Manel e Luis Filipe na selecção?;

– É possível que Nuno Gomes, possa ser, bem mais útil que outros avançados que têm feito parte das convocatórias. Não sendo um bom finalizador, tem a capacidade de compreender muito bem o jogo, e conseguir, como ninguém, espaços para os colegas. Os extremos agradeceriam;

– É possível que não explorar o talento de Nani, num jogo que desde cedo se percebeu que poderia terminar a zero, tenha sido uma decisão estapafúrdia;

– É possível que as convocatórias e onzes elaborados, na tentativa de agradar a alguns críticos, com os quais Scolari nunca se preocupou, tenham sido o principal factor para o insucesso;

– É possível que um castigo federativo, a Carlos Queiroz fizesse mais sentido, que os castigos a Rui Pedro e Pereirinha;

– É possível que não voltemos a ter, novamente, a dirigir a selecção, quem não ceda a pressões e interesses. Com os custos que já sabemos.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

4 comentários em À atenção de Queiroz

  1. Excelente post.

    Depois de tudo o que estava para trás – a convocatória, a equipa escalada, a forma como se jogou – me estava a deixar céptico, quando substituiu o Tiago, o único que estava a conseguir encontrar espaços para os colegas na defesa da Suécia, deixando ficar em campo um Raúl Meireles completamente desinspirado (veja-se os passes disparatados que somou), percebi que a partir daí o empate ia ser um bom resultado.

    Ficou assim porque felizmente a Suécia revelou muitas insuficiências no ataque.

  2. Boas

    A seleção de hoje não me supreende nada nem deve supreender ninguém com mais de 10 anos. Esta imagem da seleção é a que sempre tivemos e que só nesta ultima dezena de anos de alguma forma mudou.Ou seja, até jogamos bem, com alguma qualidade (mas nada do outro mundo, quando comparado com o futebol da selação espanhola, por ex.) mas não fazemos golos. Em frente à baliza é uma tremideira louca, temos alguma dificuldades em criar claras situações de golo (jogamos bem até à área e depois, caput!) No passado também era assim, era a melhor equipa do mundo sem balizas. Com scolari, não havia tanto brilho na qualidade do jogo, mas marcavamos. O melhor periodo da selção foi com Humberto Coelho, mas também teve o melhor grupo de sempre, com Figo, Rui COsta, João Pinto, Couto, Jorge Costa, entre outros na melhor fase da carreira.
    Olhando para a seleção hoje, vemos um conjunto de bons jogadores, mas de momento, quase nenhum está no seu melhor, especialmente, quem mais pode desequilibrar como Ronaldo, Deco ou Simão. O jogador português em melhor forma é Raul Meireles e mesmo ele jogou miseravelmente no sabado. Criou-se demasiada expectativa com a chegada do professor (situação também exarcebada por ele…), que neste momento passou de euforia a uma depressão.
    Outro aspecto que não entendo, nunca entendi nem nunca vou entender é jogar de acordo com o adversário, especialmente quando o adversário é inferior. Jogar com Pepe a trinco (não está em causa a exibição do próprio, que foi dos melhores, está em causa a ideia) faz sentido se a Suécia fosse melhor, e daí mais cautelas defensivas de acordo com o tipo de futebol sueco, e/ou o empate fosse bom resultado, ou seja, fosse necessário defender. Nã, no sabado tinhamos de ganhar e como tal deveriamos colocar em campo aqueles que melhor expressam o nosso tipo de futebol, aquele no qual mais chances tinhamos de bater a Suécia por sermos muito melhores: futebol rasteiro, rápido, para melhor aproveitar os espaços e ai forçar o um-para-um onde somos francamente melhores. Queiroz foez isso no ataque (colocar Danny em vez de H.Almeida promove o dinamismo e a mobilidade) mas não o fez na “fonte de alimentação”, o meio campo. E num jogo em que teriamos de ganhar, jogar um parte com 4 centrais de raiz….Sinceramente não faz sentido!! O forte de Pepe e Rolando é defender, POrtugal tinha de atacar. Eu , quando Bosigwa saiu, colocava o Nani e deslocava o Simão como lateral, com o Pepe atento aos desequilibrios que naturalmente iriam surgir, mas POrtugal tinha de atacar e marcar e na falta de outras soluções…Mas agora é fácil falar. Só espero que ainda consigamos dar a volta que, apesar de muito dificl, não impossivel…

    Saudações

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