FC Barcelona. Os outros 10 minutos.

white corner field line on artificial green grass of soccer field

“Iniesta e Xavi podem guardar a bola para sempre”. Alex Ferguson.

O culto da posse de bola é a face mais visivel e encantadora do jogo do Barcelona. A excelência técnica, a inteligência suprema e a total ausência de egoísmo de um vasto lote de jogadores, encabeçados por Xavi e Iniesta assim o viabiliza.

Mas, há mais. Também do ponto de vista defensivo, Guardiola organizou uma equipa absolutamente incrível na ocupação dos espaços e no cumprimento dos princípios defensivos do jogo.

Sem posse de bola, os quatro defensores aproximam-se, posicionando-se em função do lado da bola, garantindo a concentração defensiva. O triângulo do meio campo, originalmente com dois vértices ofensivos, por vezes inverte-se. Quando Xavi sai ao médio adversário, garantindo a contenção, Iniesta recua, aproximando-se de Busquets, para uma dupla cobertura defensiva. À troca de bola do adversário, o meio campo culé responde com um restabelecimento do equilibrio, através da troca de funções entre os dois médios interiores. Contenção – Cobertura.

Na final de Roma, e com o Barcelona em organização defensiva (várias foram as vezes em que Busquets integrou a linha defensiva, que momentaneamente se tornava de 5 jogadores, por forma a aumentar a concentração defensiva, respondendo ao jogo a toda a largura do campo, do United), apenas, por uma única vez, o Man Utd conseguiu colocar a bola no espaço entre o quarteto defensivo e os médios centro Catalães.

Se trocar a bola em passe curto, não parece ser solução para colocar dificuldades, a quem tem tanta facilidade no restabelecimento de equilíbrios, quanto o Barcelona. Aos passes longos, a equipa de Guardiola responde com uma rápida basculação (colectiva e consequentemente de toda a equipa), que lhe permite em pouquíssimos segundos, garantir a concentração defensiva no lado da bola.

Interessante mesmo, seria assistir a uma final FC Barcelona – FC Barcelona. É que se, por um lado, parece ser uma tarefa hercúela, para quem defronta o Barcelona, servir um avançado posicionado no corredor central, por outro, os apoios frontais dos avançados culés, e a facilidade com que recebem a bola no mesmo espaço, para posteriormente servirem um dos médios, é, a combinação ofensiva, mais efectiva do Barcelona de Guardiola.

P.S. – Parece óbvio, que o talento, não mais acaba, no FC Barcelona. Mas, Guardiola é único. Garantindo que os seus jogadores seguem estritamente os seus ensinamentos, terá sucesso em qualquer equipa do mundo.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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