O burro é (mesmo) ele

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Se dúvidas houvesse, o onze inicial de Carlos Queiroz dissipa-as.

A opção por dar primazia a atributos físicos na escolha de um onze, nunca é a melhor. Piora, quando quem a faz, é seleccionador num país de jogadores talentosos.

É inconcebível que num jogo desta natureza, em que a selecção portuguesa deveria dar especial relevância à circulação de bola (de corredor a corredor), e à velocidade da mesma, como forma de explorar de forma eficiente o espaço defensivo albanês, Queiroz coloque Pepe como médio defensivo, que abdique da astúcia e talento de João Moutinho e Simão, e que continue, com a bizarra aposta em Hugo Almeida, que somente é útil (e não muito) no momento de finalizar.

Das características típicas da selecção portuguesa da última década (de 96 a 2008) nada sobra. Abdicar do talento, da inteligência e da velocidade de execução, para apostar na força, não só colocará Portugal fora do Mundial, como tornará, esta, uma equipa só de Queiroz e de mais dois ou três mentecaptos.

PS – O jogo está no intervalo e Portugal está empatado. Contudo, o presente texto será válido, independentemente do resultado. Ainda que Portugal vença (nem se espera algo diferente). Mesmo que com um hat-trick de Hugo Almeida.

PS II – A incompetência de Queiroz é de tal forma atroz, que só pelo facto de ter descaracterizado todo o futebol nacional, não deveria continuar no cargo. Nem mais um dia.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

6 comentários em O burro é (mesmo) ele

  1. Provavelmente já vou tarde, alguns dirão que já o viam vai para muito tempo, mas é a partir do dia hoje que admito que Queirós não tem competência para treinar Portugal.
    E digo isto por algo que muitos chamarão de picuice. Mas, jogar com Boa Morte a titular, quando é para mim impensável que seja sequer convocado, porque se tem extremos de fazer inveja a qualquer selecção (Nani, Ronaldo, Simão e Quaresma) é andar a brincar.
    E Queirós andou a brincar durante toda esta fase de apuramento.
    Brincou marginalizando Nuno Gomes e Helder Postiga que não sendo dois matadores são homens que percebem o que é jogar a bola, ao contrário de Almeida e Edinho.
    Brincou com as experiências pouco continuadas na posição de lateral esquerdo (nunca vou perceber a exclusão de César Peixoto após jogar 10 minutos no Brasil, a meio campo), brinca agora na posição de extremo.

    Sejamos claros, Boa Morte não tem perfil para jogar na Selecção. Nunca teve, não será aos 30 anos, com a qualidade dos nossos extremos que vai ter. É incrível esta solução, principalmente porque com ela Queirós parece querer mostrar que é um mestre da modelação táctica, da escolha criteriosa e acertada conforme as circunstâncias de cada jogo. Assim não é! O seleccionador pode por em causa a convocação de um dos extremos, mas se aparecer algum jovem que mereça esse destaque, ajudando também à sua evolução. Boa Morte? Não obrigado.
    Queirós devia perceber que os melhores treinadores são aqueles que não inventam. O nosso Seleccionador ao longo da fase de qualificação fartou-se de inventar, comprometendo o apuramento, e mesmo quando estamos com a corda na garganta, continuou a inventar.
    Pensei, tudo bem, Queirós poderia compensar alguma falta de pulso ou de cariz motivacional a nível táctico. Que nada!! Até hoje só vi equívocos!
    Há muito boas ideias para reestruturar o edifício das selecções e nesse sentido não tenho dúvidas que Queirós pode ser importante. Mas no gabinete, no campo não…
    Ganhamos à Albânia, debaixo de uma arbitragem escandalosa. Mas com uma exibição paupérrima. A Suécia perdeu. Estamos mais perto, como sempre acreditei, da qualificação. Só que com este tipo de opções o caminho fica mais difícil.
    Ps:_ o meu primo, de 14 anos, perguntou hoje assim: o Boa Morte vai jogar? Mas ele é muito bom jogador? Então porque joga? O Nani está lesionado? E o Quaresma está? E o Simão?………….

  2. Boas PB,

    É primeira vez que comento neste blogue mas já há muito tempo que o sigo com bastante interesse.

    Uma coisa que sempre me deu uma certa impressão foi o facto de equipas especializadas e com aptidão para efectuar um determinado tipo de jogo, mesmo jogando contra outras mais fracas ou do mesmo nível, estejam dispostas a mudar todo o seu sistema para se "adaptar" a outras.
    Um caso de grande relevância é Portugal. Tem jogadores extremamente fortes tecnicamente, mas para combater o maior poderio físico de equipas como a Albânia, retira qualidade técnica ao seu onze. Pensei que a ideia fosse superiorizar-se ao adversário e não igualá-lo! Pelos vistos enganei-me… Ou não!

  3. chateia-me ver o Queiroz completamente louco.Chateia-me, princpalmente, pq ele sucede a um homem que muitos dizem ser um grande treinador. Não o era, mas pelo menos era suficientemente astuto para perceber como é que havia de ganhar jogos. E isso não passava por deixar Tiago e Moutinho no banco e começar a jogar (Para ganhar) com Pepe e Raul Meireles no meio campo. Nem falo da inclusão do Boa-Morte, isso é o menos. E sem duvida um jogador menos capaz do que outros que la estao na sua posição mas ao menos consegue ,se equipa estive para ai virada, produzir alguma coisa. A coisa mais gritante desta equipa chama-se Hugo Almeida. Pensar que lá por ter um calmeirão na frente Portugal ganha poder ofensivo é patético. Contra a Suécia só enquanto o fiasco Danny esteve em campo é que Portugal esteve realmente perto do golo. Quando o grande matador do Bremen entrou, diga-se de passagem que o seu golo até o Carlos Carneiro marcava, Portugal foi uma nulidade…olha que coincidencia: hoje tambem.

  4. Tudo o que aqui foi dito não poderia discordar, principalmente, o factor Hugo Almeida.
    Não o jogador em si, que enfim , tem as suas caracteristicas, mas o jogo que é feito para ele. Uma táctica 4x3x3 só é util com extremos que apareçam na área e que derivam para o meio (sim.. isso Portugal tem) e um avançado móvel (ooops!). Um 4x4x2 com Nuno Gomes ou Postiga no onze.. na minha ideia seria ideal, a imitar a dupla Nuno Gomes & Cardoso, e sempre se tornaria um estilo de jogo mais semelhante ao W. Bremen onde o H. Almeida é util. Para piorar, Portugal joga com 3 centrais (Pepe é central.. jogue onde jogar) em jogos que Portugal sofre 2, quiçá 3 ataques em 90 min. Queiroz na rua! tenho dito..

  5. Bom texto, PB, concordo na íntegra.

    Vi o jogo num restaurante, sem prestar grande atenção, mas pareceu-me que Portugal fez, mais uma vez um mau jogo. Defendem mal, com os jogadores afastados uns dos outros e sem encurtamento de espaços; e atacam mal, sem combinações ofensivas, tabelas ou apoios verticais e entregues à inspiração individual de Ronaldo.

    Mas não me queria alongar excessivamente sobre o jogo em si, até porque não estive muito atento aos pormenores. Prefiro antes debruçar-me sobre as opções de Queiroz, cada vez mais discutíveis.

    1) Eduardo na baliza? Eu até acho que o guarda-redes do Braga tem algum valor, mas para titular da selecção não. Quim, Ricardo e Beto são opções bem mais fiáveis.

    2) Pepe a trinco? Parece uma barata tonta, não tem segurança no passe e está permanentemente desconcentrado; o que vale é que ganha uma data de bolas em antecipação. Se como central não sou grande fã dele, como médio defensivo muito menos. E que tal apostar no Pedro Mendes? Ou, em último caso, no Meireles?

    3) João Moutinho no banco? Sem comentários.

    4) Boa Morte a titular? Com Simão e Nani no banco? Só se for para confundir os adversários.

    5) Hugo Almeida? Edinho? E Nuno Gomes e Postiga? Não contam porquê? Porque não são grandes? Impressionante.

    Eu jogaria assim: Quim; Bosingwa, Ricardo Carvalho, Zé Castro e Duda; Raul Meireles, Deco e Moutinho; Cristiano Ronaldo, Simão e Postiga. Mas Queiroz não concorda e prefere continuar com as suas experiências estapafúrdias.

    Saudações desportivas.

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