Os Box to Box e os trincos que correm kms

white corner field line on artificial green grass of soccer field

É comum afirmar-se que uma equipa deve ser construída através de diferentes características de jogador para jogador.

Ainda hoje, há quem pense que uma equipa deve ser formada por dois ou três “carregadores de piano”, dois ou três artistas e um avançado alto e forte. Crê-se que o trinco deve correr kms e que à sua frente deve jogar alguém capaz de transportar a bola pelo campo fora. Que o extremo tem de ser um driblador.

Nada mais falso. Para se formar uma boa equipa, bastam 10 inteligentes jogadores, que sejam capazes de executar um passe e uma recepção, e um treinador com conhecimentos suficientes para transmitir e indicar o caminho a seguir. Nada mais é necessário, para além de tais características.

Na actualidade, o jogo de futebol, não mais, é um conjunto de 10 duelos de 1×1. As (boas) equipas movimentam-se forma harmoniosa e equilibrada por todo o campo de jogo. Em todos os momentos, há algo a cumprir, não só pelo portador da bola, e pelos jogadores que o rodeiam, mas também por todos os outros.

Em todas as ocasiões, há um posicionamento colectivo a ser cumprido, pelo que um extremo pode ter tanta relevância no processo defensivo quanto um defesa central.

Quando observar um jogador, a correr demasiado, tentando ser ele, a pressionar, em todos os momentos, o portador da bola. Quando perceber que determinada equipa sai para o ataque através da condução de bola de determinado jogador. Ou quando, perceber que determinado extremo recorre incessantemente ao drible, desconfie. Provavelmente não são os jogadores que são bons. É a equipa que é má. Tais situações, só são passíveis de acontecer, em equipas cujo colectivo seja débil.

Esqueça a disparatada ideia, de que um Pirlo necessita de um Gattuso. Numa verdadeira equipa, todos experimentam as diferentes funções. Isso é, claramente, algo que as melhores equipas europeias da actualidade nos podem ensinar.

PS – Alan e César Peixoto, dois “puros” extremos, cumpriram, na época 2008/2009, aquela que foi, provavelmente, a melhor época das suas vidas. Ambos jogaram, pela primeira vez, nas suas já longas carreiras, como centro-campistas. Relembre. Basta técnica, inteligência, e um treinador que indique o caminho.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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