Um treinador para o ataque e outro para a defesa.

white corner field line on artificial green grass of soccer field

É possível que tal forma de organização, recentemente tida como genial, seja somente… parva.

Contudo, dissertar sobre a mesma é um exercício puramente especulativo. O importante, fica por saber.

Um treinador para o ataque e outro para a defesa. Mas, com que funções? Quem determina a planificação anual? Quem define os objectivos e quem pensa nos exercícios? Não deve o mesmo exercício contemplar vários momentos do jogo (não só a organização ofensiva e/ou defensiva, como as transições)?

Tal forma de organização, fará sentido, somente, se as tarefas de tais treinadores, se cingirem à supervisão, ao transmitir de feedbacks / correcções aos respectivos grupos (presentes no mesmo exercício, mas com objectivos diferentes). Nessa perspectiva, é um facto, que ter treinadores diferentes, preocupados com objectivos diferentes, tornará o processo de treino (particularmente as correcções) mais minucioso.

Porém, esta será, a única visão, em que tal organização parece fazer sentido. Todas as outras tarefas, para além da supervisão, devem ser unas e da responsabilidade de Jorge Jesus (ainda que decididas em conjunto).

P.S. – Que te parece, Serrinha?

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2364 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

5 comentários em Um treinador para o ataque e outro para a defesa.

  1. É como dizes. Eu assisti a imensas sessões de treino do Jesus em Braga (em particular na pré-época) e posso afiançar que quem define o treino, os exercícios e o método é de facto Jesus. É aliás muitíssimo interventivo e obsessivo nos aspectos tácticos. Os adjuntos apenas coordenam grupos/fases dos exercícios – porque de facto, é quase impossível a uma só pessoa estar atenta ao que fazem 25-30 jogadores. Comparando com outros que por Braga passaram, Jesus está anos-luz à sua frente.

    Dito isto, foi com alívio que o vi fora de Braga porque os clubes devem exigir respeito dos seus profissionais e a actuação de Jesus a partir do Belenenses-Braga (e em vésperas do Braga-Benfica) é inadmissível. Estou aliás convencido, conhecendo António Salvador como conheço, de que não fora existir a possibilidade de o Braga ser ressarcido pela saída de Jesus, este não teria sequer terminado a época…

  2. Boas, a meu ver, a unica forma de trabalho que pode contemplar esta "separação" ( ja trabalhei desta maneira e gostei dos resultados ) é a que falas quando dizes:

    "Tal forma de organização, fará sentido, somente, se as tarefas de tais treinadores, se cingirem à supervisão, ao transmitir de feedbacks / correcções aos respectivos grupos (presentes no mesmo exercício, mas com objectivos diferentes). Nessa perspectiva, é um facto, que ter treinadores diferentes, preocupados com objectivos diferentes, tornará o processo de treino (particularmente as correcções) mais minucioso."

    Em outros desportos é possivel tirar uma equipa completa de campo e colocar a de defesa, ou de ataque, a complexidade do jogo de futebol não permite tal situação.

    Quero pensar que Jesus se referia a esta forma de ajudar os jogadores a entender o que a equipa técnica pretende.

    Abraço, e mais uma vez, parabéns pelo excelente blog!

  3. Acho que estás a fazer uma análise bastante rigorosa sobre o que Jesus disse e sem contemplares a hipótese (evidente, como sabemos) de Jesus não ter escolhido as melhores palavras para dizer o que quer dizer.

    Eu ouvi essa declaração e ele, enquanto falava desses dois técnicos com funções específicas, dizia: "tudo isto, claro, sob a minha supervisão" (não foi assim que o disse mas foi esta a ideia).

    O que ele quer dizer, julgo eu, é que terá um técnico a acompanhar os movimentos no treino dos jogadores mais ofensivos e outro para os defesas. Isto, divisão de tarefas colectivas entre ofensivas e defensivas, parece uma estupidez de todo o tamanho. Mas se for aquilo que me pareceu que Jesus queria dizer faz-me todo o sentido. Não é dividir os processos dos jogadores e dar-lhes para cada grupo um técnico; é meter um técnico a apreciar os avançados e outro os defesas para que todos estejam bem analisados e depois, no fim, o Jesus receba essa informação.

    Há uma diferença entre acompanhar defesas, um, e atacantes, outro e falarmos em técnicos específicos para acompanhar, um, os movimentos ofensivos e, outro, os movimentos defensivos.

    Resumindo, Jesus quer ter os jogadores constantemente analisados; não quer definir e separar momentos de jogo.

  4. Grande Pedro Bouças….é certo que concordo contigo. Só nesta perspectiva, do feedback, é que faz sentido existir técnicos para cada sector. É mais fácil corrigir um comportamento se tivermos um elemento em constante observação. Parabéns pelo blog…..

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