O dobro, Jesus?

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Mete o triplo nisso.

Pouco mais de uma semana de trabalho, seria pouco expectável começar a perceber-se, desde já, uma ideia colectiva para o Benfica. Puro engano. Muito há para definir e para evoluír, mas já é notória a tal ideia colectiva.

Sem bola, o Benfica já se mostrou capaz de efectuar uma pressão efectiva. Bastante bem posicionados (os onze jogadores), a encurtarem o espaço, onde quer que o adversário tivesse a bola, e a cortarem todas as possíveis linhas de passe, o SL Benfica obrigou o Shaktar, ora a perder imensas bolas, ora a abusar do pontapé longo, logo na saída para o ataque. A cada troca de bola do adversário, correspondia uma basculação colectiva, capaz de manter, em todos os momentos, os ucranianos sem opções para jogar em futebol apoiado.

Em fase ofensiva, simplicidade de processos. Muita posse, muitas linhas de passe ao portador da bola (quem não a tem, desmarca. Em apoio, ou em ruptura), circulação rápida e a poucos toques, surpreendendo a organização defensiva adversária.

Em termos individuais, Aimar de frente para o jogo, é uma opção óbvia. O argentino realizou uma exibição soberba. Di Maria não está tão complicativo (continuando a melhorar a tomada de decisões, terá condições para seguir para uma liga mais competitiva), ao contrário de Carlos Martins (perderá o lugar para Ramires, Amorim, ou até Urretaviscaya), que continua, a procurar, sempre o espaço vazio, mesmo quando se impõe que jogue no pé. Yebda é o jogador certo, no lugar certo. Na linha dos enormes trincos franceses. Tem qualidade para fazer uma excelente época (aquela é a sua função. Em organização ofensiva, servir de apoio ao portador da bola, numa linha mais recuada no campo de jogo. Jogar a dois, três toques, fazendo a bola circular, de corredor a corredor. Sem bola, contenções aos médios adversários e coberturas defensivas aos médios interiores e laterais). No ataque, tudo como seria expectável. Cardozo (evoluiu bastante no jogo aéreo) fixo no corredor central, e Saviola mais móvel, aparecendo nos corredores laterais, oferecendo mais linhas de passe. Patric, frágil em termos posicionais, no momento de defender, e com bola, a tomar demasiadas más opções.

Só por ter decidido ocupar o espaço à frente dos centrais, jogando com um pivot defensivo e por ter enquadrado, correctamente, Aimar na equipa, Jesus já elevou a sua equipa, para patamares de rendimento que o SL Benfica jamais obteria com Quique Flores.

P.S. – Para o SL Benfica, jogar o triplo da época transacta, não é garantia de sucesso.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

3 comentários em O dobro, Jesus?

  1. Pois eu pus um post a dizer que JJ estava a cumprir no que respeitava à promessa de os jogadores jogarem o dobro, mas referia-me em irónico-humorístico ao facto de ter feito 2 jogos em menos de 24 horas. Ou seja efectivamente estão a jogar mais…
    Porém em termos de performance desportiva também tenho esperança que JJ consiga pôr o Benfica a jogar o dobro. Então se as referencia for os jogos da época passada na< Taça Uefa, e no campeonato com o Trofense e o Estrela da Amadora… de certeza que TRIPLICA! Falta saber se os erros(?) dos arbitros quadriplicam… Uma boa semana e obrigado pela visita e comentario

  2. Na minha opinião o aimar devia ter sido expulso na 1ª parte quando dá duas cuecas que eram claramente cartão amarelo. Fazer sofrer assim o adversario não se faz.

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