Os avançados e os apoios frontais

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Ainda que bastante mais visíveis, as desmarcações de ruptura não são mais importantes que as de apoio. Num colectivo que se pretende forte, ambas surjem na medida certa e estão interligadas. Ainda que elevada, a tentação de valorizar mais, quem faz o último passe ou o golo é um erro. Para que se chegue a uma situação de finalização, há todo um trabalho antecedente que não deve ser esquecido. Não raras vezes, bem mais difícil que o cruzamento, ou a assistência, foi a forma como se chegou a essa situação.

Os melhores avançados do mundo, mostram-se capazes explorar a profundidade, nas costas da defesa, mas é essencialmente na qualidade com que baixam no relvado, servindo de apoio aos médios, participando na fase de construção e na de criação de jogo ofensivo que fazem a diferença.

Recorde Etoo. Velocíssimo, acrescentou qualidade ao seu jogo, e ao do Barcelona, quando passou a mover-se, cada vez mais, como apoio (descendo uns metros no relvado), servindo os médios interiores, de frente para o jogo.

Troque, mentalmente, os jogadores. Imagine Ronaldo onde está Guti ou Raúl, e Raúl ou Guti onde está Ronaldo. Exacto. Não é golo. Na sua mente, Raúl ou Guti (se não entende como é possível ser-se tão bom jogador, bem próximo dos 33 anos de idade, a resposta é simples. Técnica e inteligência. Em grandes quantidades) provavelmente, não teriam velocidade para concluír a jogada. Certo. Porém, troca feita, tudo mudaria. Ronaldo, de costas para a baliza não teria tomado a mesma decisão, quer de Guti, quer de Raúl (a um toque, colocar no colega que está de frente para o jogo), pelo que a bola nunca chegaria em profundidade ao corredor lateral direito.

A simplicidade, em grande parte das situações, é a melhor forma de as resolver. Ainda que tal pareça demasiado complexo para se perceber. Jogar a um, dois toques, não é para quem quer. É para quem sabe. Se a bola é que deve circular (excepto nas situações de superioridade numéria. Essencialmente nas saídas para o contra-ataque), como valorizar quem a prende e perde em demasia? Sim. Esta é para Hulk (ainda que marque uns golos engraçados, aqui e além).

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

6 comentários em Os avançados e os apoios frontais

  1. Não costumo ver o F.C. Porto jogar, até porque estou fora de Portugal e apanhar o jogo casualmente num café, ou mesmo em casa é dificil (impossivel mesmo, a não ser que seja na champions). Por isso do Hulk o que sei são apenas as capas de jornais e os golos no Youtube.

    Mais para ver o Chelsea do que outra coisa, estive atento ao jogo desta terça feira e fiquei realmente (mal) impressionado com o Hulk. Como é possivel perder tanta bola por estupidez pura?!

    O homem não sabe que futebol são onze jogadores e que Maradona só há um?

    Mas pode ser que entusiasmado por estar na champions e a jogar contra o Chelsea, quisesse "mostrar serviço", tentando resolver o jogo sozinho.

    É curioso que tenhas mencionado o Raúl, para mim o melhor jogador espanhol que vi actuar (Iniesta, está a aproximar-se, mas a consistência de Raul durante toda a carreira penso que seja insuperável). É que o Raul é tipo o Nuno Gomes de Espanha: amado por muitos, odiados por bastantes, mesmo os do próprio clube.

  2. onde estava o guti com a idade do hulk? a jogar a ponta de lança, ou melhor a aquecer o banco e a entrar por vezes a 10 minutos do fim como ponta de lança.
    até estava a ser 1 bom texto, pena a azia ao porto o ter estragado no fim. hulk quer queiram quer nao é 1 grande jogador e nao demora muito a chegar a 1 colosso europeu.

  3. O texto, na sua totalidade é brilhante,e, penso que não se trata de clubite… Há que admitir, Hulk é poderoso, veloz, mas pouco "rápido" ( rapidez = fazer depressa e de uma forma assertiva), devido a perder os timings de decisão…

    Tem também a qualidade de querer procurar o golo e a baliza contrária, o que é bom quando joga 1×1 com balizas pequenas.

    Sobre o texto, basta ver como as coisas (aparentemente) simples e bem feitas são tremendamente eficazes, o que não quer dizer que também é simples agarrar-se à bola, esquecendo-se que está num jogo colectivo e ir por aí fora galgando terreno e adversários… pior é quando perde a bola e põe os outros 10 jogadores a trabalharem novamente nas fases de transição e organização defensiva (as mais desgastantes dos ponto de vista psicofísico)…

    Hulk nesse aspecto não é mau, é péssimo, mas tem potencial, caso queira ser um jogador de futebol…
    Jesualdo já percebeu que tem de lapidar o diamante…

    Este texto, como já foi dito nos comentários, vem valorizar o tipo de trabalho onde o mal amado Nuno Gomes é exímio…

    Os avançados não se medem aos golos…

    são assim as coisas simples do futebol… mas como para trás mija a burra…

    cumprimentos

    o benfiquista do Lateral-Esquerdo

    Rodrigo Rodrigues

  4. Belíssimo texto. É por estas e por outras que gosto de vos ler. Impressionante.

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