A lição de Jesus

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Crendo como verdadeira, a esfarrapada desculpa de Jorge Jesus para os quatro dedos no ar, é inegável que sobra uma lição, que se aprendida, poderá, eventualmente, catapultar Machado para outros voos.

Aprender com a interpretação que Jesus sugeriu para o gesto, seria produtivo para Machado. É que, de facto, é assim que se deve posicionar uma defesa a 4. Os quatro defensores devem permanecer alinhados (na horizonal, ou ligeira diagonal), formando uma linha de jogadores próximos entre si. Se assim for, o comportamento do adversário, não cria rupturas no sector defensivo. Mantendo o alinhamento e a proximidade entre os quatro, o adversário dificilmente será capaz de explorar a profundidade nas costas da defesa. O adversário, portador da bola, encontrará sempre uma barreira de defesas entre a bola e a baliza.

Quando se troca o comportamento zonal pelo perseguir do adversário, o posicionamento defensivo é quase aleatório. É definido pelos avançados. Não há linhas. Há uns jogadores mais à frente, outros mais atrás. No sector defensivo, há buracos, a todo o momento. Criados pela mobilidade e aclaramento de espaços dos jogadores adversários.

Numa perspectiva de evolução, talvez Machado deva mesmo ser anjinho e interpretar o gesto da forma como Jesus o expôs. Retirando daí o máximo possível. Quem sabe, quando souber organizar defensivamente a sua equipa, Manuel Machado não esteja em condições de chegar a uma equipa com outras ambições?

Pare a imagem no momento em que Aimar recebe a bola, de frente para o jogo. Repare no posicionamento dos defensores madeirenses. Tudo preso a marcações individuais. Ocupando o campo de forma ridicula. Uma linha de dois defesas (ao nível de Cardozo). Depois mais um e por fim, outros dois. O passe de Aimar entra, precisamente onde deveria estar colocado o defesa direito (mas, este estava mais preocupado em chegar o mais próximo possível do adversário directo…). Ao longo de todo o jogo, inúmeros foram os passes bem sucedidos, a explorar a profundidade nas costas dos defesas da equipa de Machado.

P.S. – O Benfica de Jorge Jesus, consentiu o seu 1º golo na Liga, fruto de um passe em profundidade para as costas da sua linha defensiva. Apesar da vantagem injusta de que o avançado madeirense beneficiou (ter partido de uma posição que o colocava mais próximo da baliza de Quim, que qualquer dos defensores encarnados), alguns erros foram cometidos. Javi e Luisão estão demasiado afastados, e David Luiz demora um pouco, a ocupar a posição de Fábio Coentrão (alinhando com os restantes três colegas de sector. Sendo também a demora de David Luiz, a causa principal para o facto de Javi não ter juntado mais cedo a Luisão).

Golo aqui

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

5 comentários em A lição de Jesus

  1. Talvez no próximo jogo o Jorge Jesus possa ensinar ao Domingos como jogar apenas com 1 guarda-redes, em linha para não criar rupturas nos buracos das redes da baliza, levantando apenas e só um dedo (o do meio)…

  2. PB, o golo sofrido tem novamente a chancela do David Luiz. É ele quem força a subida no terreno e acaba por tentar fazer um passe no limite e perde a bola, o que dá início ao contra-ataque madeirense. O resto são reposicionamentos rápidos da defesa que não está preparada para uma perda de bola desnecessária como aquela. O afastamento entre Javi e Luisão ou o adiantamente de Coentrão são, por isso, perfeitamente justificáveis.

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