Simon Vukcevic. Porque o futuro poderá estar na cabeça e não nos pés.

white corner field line on artificial green grass of soccer field

“…é também um jogador que gerou um esforço tremendo da equipa técnica para o fazer crescer, quer em acções colectivas quer em acções individuais. Um jogador que tentámos integrar o mais possível dentro da manobra da equipa, pois vinha com um estilo de jogo e conceito de equipa completamente diferente. Aliás, isso tinha-lhe causado alguns problemas na equipa anterior, o Saturn. Ou seja, à parte de outro problemas que vivemos com ele durante este trajecto, é um jogador que em termos tácticos cresceu pouco. E isso porque em muitos momentos não quis crescer mais. Pensava que a qualidade individual lhe chegava. Agora, há jogadores que são mais difíceis, não só pela sua irreverência, mas pelo gosto que não têm de aprender. Para aprender é mais fácil gostar-se de futebol, e uma das coisas que ele disse foi que não gostava de ver futebol. Mas é, de facto, um jogador que tem um ambiente extraordinário em Alvalade, que tem realmente essa espontaneidade, mas não é um grande jogador. Só será um grande jogador quando conseguir integrar-se melhor na manobra colectiva. E ele estava a tentar fazê-lo este ano, com alguma vontade”. Paulo Bento.

“Nem Paulo Bento, nem ninguém me pode mudar.” Simon Vukcevic.

É pena.

Simon tem traços individuais fantásticos. Tem talento, é muito forte, executa rápido e é explosivo. O seu potencial, vai muito para além da Liga Portuguesa. Porém, persiste em viver à margem do colectivo.

Simon afirma não gostar de futebol. Essa será, porventura, uma possível explicação para que não se entregue, verdadeiramente, à equipa. Do jogo, Vuk, parece querer, apenas, divertir-se. Finta e remata. Finta e cruza. A imprevisibilidade é positiva. Quando são os adversários, a serem incapazes de discernir as suas opções. Quando os próprios colegas não compreendem os timings das acções que realiza, algo tem de ser mudado.

Quem sabe, um dia, quando abrir a sua mente, Vuk entenderá, que não há diversão igual, à que se retira, quando se faz parte de uma equipa que não vive de impulsos individuais.

Texto recuperado de Agosto 2009.

De Vuk, espera-se uma mente mais aberta à mudança. Aguarda-se, com alguma ansiedade, o que poderá Carvalhal fazer com tamanho talento e… feitio.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

3 comentários em Simon Vukcevic. Porque o futuro poderá estar na cabeça e não nos pés.

  1. Isso tudo que o Paulo Bento disse e o texto que escreveste é verdade. Concordo. Evolui pouco e colectivamente tem algumas lacunas. Mas o Paulo Bento começa por dizer : "Vukcevic tem uma caracteristica extraordinária: espontaneidade em zonas de finalização. É um jogador que tem cheiro pelo golo."

    Postiga e Caicedo com a veia goleadora conhecida. No lado esquerdo do losango, Vukcevic não fez exibições convincentes, atrasa o jogo da equipa, não é inteliente nas soluções que procura quando tem a bola. É espontaneo na finalização e tem cheiro pelo golo. A pergunta é simples: Pq é que não jogou na frente??

    O Paulo Bento, se lhe fosse feita esta pergunta, devia responder que não tinha soluções para o lado esquerdo do losango. Poderia ter jogado com Moutinho descaido para a esquerda e Pereirinha para o direito. Ou Veloso do lado esquerdo, Moutinho no lado direito, com Adrien a medio-defensivo. Ah e o Viana também não encaixava no losango…

    O Paulo fez um bom trabalho mas cometeu muitos erros deste tipo. O Di Maria por exemplo, se tivesse no plantel do Sporting, por ser extremo tava queimado. Em que tactica é que o Benfica joga?

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