Caiu o mito

white corner field line on artificial green grass of soccer field
“A única coisa que o Kalou fazia era correr rapidamente. Não fintava muito bem e por isso colocámo-lo a driblar pinos. Ok, eu sei que era pinos mas ajudou-o a driblar adversários, algo que ele faz agora sem nenhum problema.” Luis Felipe Scolari.
Felipão fez um trabalho enorme ao serviço de mais de uma selecção. As suas competências de selecção e de liderança são muito fortes, e contribuíram para o seu sucesso.
A qualidade do seu trabalho técnico-táctico é facilmente perceptível na sua frase. Felipão não deve ser bastante mais que um rotundo zero nesse campo.
Mesmo você, quando levar o seu filho de oito anos ao treino de futebol, desconfie quando o colocarem a contornar pinos. Nem nessa idade a técnica deve ser treinada de forma desenquadrada da realidade do jogo.

P.S. – É muito divertido imaginar a cara dos jogadores do Chelsea quando pouco mais de um ano depois de trabalharem com José Mourinho foram confrontados com exercícios onde tinham de driblar pinos.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2364 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

15 comentários em Caiu o mito

  1. Infelizmente, é com alguma frequencia, que observo esse método de treino, tanto em séniores, como juniores como escolares…aliás, em várias aulas deparo-me com situações de colegas assim. Existe um grande problema em adquirir novas realidades e questionar-se o porque disto, ou daquilo. O pessoal faz, porque foi assim que aprendeu quando jogava e como em tudo na vida, quando acreditamos na palavra do chefe, levamos as suas ideias até ao fim…

    Scolari sempre foi um bom motivador de atletas, fazendo da selecção portuguesa e brasileira autenticas equipas. Escolhia a sua equipa e ia com ela até ao fim, independentemente dos momentos de forma dos atletas.

  2. Nos tempos que correm questionam-se muito os métodos antigos, especialmente aqueles que separam o treino da realidade do jogo. Os pinos é um clássico, que para nada mais deviam servir que para um aquecimento de movimentos de mudança de direcção continuamente mais rápidos. Já se questiona (e bem) o uso dos bonecos das barreiras, por elas representarem um obstáculo fixo, ao contrário das barreiras reais… eu acho que continuam a ter lugar, mas como tudo, a dose faz o veneno.

    Os métodos de treino têm também de ser adaptados ao nível e inteligência de jogo/motivação do grupo. Mais vale optar por um exercício simples que cumpra o objectivo, que uma mescla de situações de jogo onde os jogadores farecem mais pinos de bowling.

    O Scolari é um treinador de selecção (ponto final).

    Abraço,
    Pedro

  3. R. Galeiras,

    LOLOL muito bom!

    O anónimo anterior tem toda a razao. Eu acrescentaria que o Paulo Bento nao deve ser muito diferente e é, por isso, o homem certo para este momento na Seleccao. Mas nao acredito que seja particularmente competente em qualquer componente técnico-táctica do treino, julgando pelo que vimos num trabalho continuado no Sporting.
    O problema é que a quem, como o Carvalhal, percebe do assunto, falta e muito em competencia de lideranca e num emprego de alto risco como o de treinador é isso mais do que qualquer outra coisa que salva as pessoas de serem despedidas.

    PS: Nao há surpresa nenhuma nem havia mito nenhum. Ninguém no seu perfeito juízo pode achar que Felipao era um treinador tecnicamente competente. Mas deve haver poucos líderes mais fortes e mais carismáticos num balneário do que este homem.

  4. Penso que não devemos avaliar sem contextualizar cada cenário… a técnica pura e analítica tem sempre lugar em tudo, mas temos que perceber quando!

    Em fases iniciais é necessário este treino para que se ganhe alguns automatismos básicos para que depois a relacionemos com o treino da tomada de decisão, além disso o treino analítico da técnica numa fase mais adiantada da formação e outras vezes da própria competição também é importante de modo a apurarmos os gestos, nesta fase o jogador já tem uma noção do jogo consolidada e o treino analítico da técnica só o vai ajudar a tornar-se mais efectivo ainda!
    Agora para isso é preciso perceber os teaching points de cada gesto e como melhora-lo, esta é uma parte ainda mais remota e que está em estado primitivo que o ensino da leitura e da tomada de decisão.
    São raros os mestres do ensino da técnica e da tomada de decisão.
    Agora não me digam que o ensino analítico não tem lugar que isso é mentira, deixemos de fundamentalismos e equilibremos as medidas do que o jogo necessita!

    Abraço,

    De uma companheiro Treinador de Basket,

    Master Zen

  5. Pois…PB, antes de mais parabéns pelo blog!Isto do analítico, do treino integrado, ou da periodização táctica tem muito que se lhe diga!Mas gostava de ter visto o Chelsea nessa altura, de estar no terreno e ouvir os comentários dos jogadores em relação a esse tipo de exercícios!Como o colega treinador de Basket diz, o analítico pode ter lugar mas há que o enquadrar com necessidades absolutas da equipa ou da individualidade em si!Mas contornar pinos?, fintar estacas? Para que vai ser se no momento de decidir a contextualização vão ser completamente diferentes…Se me dissessem que ele tinha dificuldade na relação com a bola…era uma coisa, agora por não saber fintar???existem muitas outras formas de contrariar isso!Agora percebo a motivação do Kalou aquando da passagem de Scolari pelo Chelsea!São este tipo de afirmações que podem fazer um treinador!Será que ele não se "queimou" aqui na Europa?

  6. Não sei se já jogaste futebol mas o treino com pinos é um método muito comum para desenvolver o drible, a condução de bola, a mudança de direcção em curtos espaços de terreno, algo que deve ser desenvolvido antes de se trabalhar o chamado um para um, a finta – quase sempre uma coisa individual, fruto da imaginação de cada um.

    Assim de repente lembro-me do nani, que é muito bom nisso e por vezes nem precisa da finta, do encarar o adversário, para ganhar espaço e criar linhas de passe ou penetração.

    Sempre considerei este método importante e tenho alguma experiência, joguei futebol nove anos.

    Outro assunto é se o treino já se desenvolveu a um nível em que driblar pinos deixou de fazer sentido, e aí assumo a minha ignorância porque deixei de jogar há sete anos.

    Mas não creio que seja por aí, por este exemplo, que nos irá saltar a rolha face ao scolari. Até porque acho que sempre foi mais ou menos consensual que ele era um excelente comandante de homens e um sofrível treinador de campo.

  7. Master Zen.

    Questiono-o apenas num aspecto:

    – algum jogador "tem uma noção do jogo consolidada"?

    O que é a noção do jogo?Saber que existe uma bola, 11 jogadores cada lado e o objectivo é marcar golo?

  8. Antes de aqui voltar a sério, dizer só uma coisinha. Não consigo imaginar coisa mais ridicula que pedir a um jogador profissional de futebol que contorne pinos.

  9. Boa Noite!

    Antes demais dizer que mais ridículo que pinos é a posição que o Jorge Jesus se colocou hoje no dragão.
    Parece-me óbvio que quando se fala de pinos, estamos a simbolizar o treino da técnica analítica e não o objecto em si, pinos é como uma imagem de marca do treino analítico podia ser uma cadeira, podia ser bandeirolas de canto, pode ser o que quiseres, embora concorde que se o objecto for grande e ocupe espaço e seja o mais real possível é bem melhor!
    Esta relação com o treino da técnica analítica sempre esteve presente na construção de um jogador de qualquer desporto colectivo, o que acontece no futebol é que os miúdos quando chegam aos clubes muito desse trabalho já o fizeram, fintando pedras,árvores, baldes do lixo, a prima, a irmã que gosta de dar uns toques e nós a utilizávamos como pino porque ela só ocupa espaço e não nos tira a bola, muitas vezes os nossos pinos são os gordos da nossa turma e os menos aptos ao jogo, agora ignorar esta fase parece-me ser pouco realista.
    O que falta no treino é a visualização dos gestos técnicos, roubar movimentos técnicos aos melhores do mundo e praticá-los nos treinos começando por uma atitude de treino analitico sem exageros. Passo a dar um exemplo quantos extremos temos que jogam com os dois pés? Será que não há falta ali de treino analítico e posteriormente treino de 1c1? Quantos destros vão para o lado pé e são incapazes de fazer um centro com o pé esquerdo?

    Zen Master,

    Jorge Jesus tá na altura de deixar de inventar…

  10. Ministro, viste o jogo? o Classico entre o Glorioso e aquele clubeco regional? Que NOJO o futebolzeco portugues!
    VERGONHA! Boicote total!
    Espoliados em toda a linha!
    Transforma-se uma vitoria clara num 5-0 para os parolos do Norte!

    oh wait…

  11. BOA NOITE A TODOS

    Sou brasileiro gosto de visitar esse site. Não sou fã do felipão mas… Acredito que qualquer pessoa que treinar contra cone, pino, cadeira…(principalmente na infancia) pode sim melhorar individualmente! Não é por acaso que o brasil é uma fábrica de craques… O complicado nesse caso é vc espor um profissional ao ridículo de fazer uma coisa que ele tinha que ter feito na infância dele…

    Gosto muito quando vcs falam sobre tática de posicionamento em campo… Isso é o que está faltando aos jogadores brasileiros (não se pode ter tudo!rsrsrs)

    Grande abraço
    Parabens pelo site. ;D

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