Sá dá uma de Jesus e assim, até a Europa fica em risco

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Por favor alguém que avise o Sá Pinto que a sua versão Jesus levará o Sporting para fora dos lugares europeus.
Nem é tanto pelas individualidades de um e outro lado, ainda que contar com Salvio, Lima, Rodrigo, Garay e outros que tais confira desde logo vantagem a Jorge Jesus. A questão é mesmo pelo tipo de respostas colectivas que uma e outra equipa estão prontas para dar.
Em tempos Jesus afirmou que a sua equipa era uma das melhores da europa a defender com pouca gente. E é verdade que assim o é. A equipa do Benfica está preparada para posicionalmente responder às situações em que fica com apenas dois, três, quatro, cinco ou seis jogadores atrás da linha da bola. A equipa fica altamente desequilibrada, mas pelo menos tem a vantagem de saber interpretar as diferentes situações de jogo e dar as respostas que são pedidas a cada momento. Aliada à pouca capacidade para definir assertivamente os lances dos adversários que vão aparecendo pela Liga, vai dando para somar inúmeros pontos.
Ainda pior que ter uma equipa organizada num sistema táctico desequilibrado, é não ter os jogadores preparados para interpretar o que o jogo pede. Xandão não se destacaria nem na segunda divisão. Rojo anda à deriva em campo. Os seus traços individuais até parecem bem interessantes, contudo, por vezes fica a sensação que nunca foi sequer defesa, ou pelo menos nunca jogou da forma como lhe é pedido que o faça agora. Parece uma criança a ver o jogo dentro do relvado. Os laterais entram no desespero do resultado que não aparece e jogam (sem bola, essencialmente) sem qualquer critério. A dupla do meio campo tem muita qualidade individual e muita perseverança, mas zero de entrosamento. Não se percebem permutas e o vazio no corredor central faz-se notar. Quando Rinaudo sai à bola, ou é apanhado desposicionado seria obrigatório Izmailov recuar para trás do argentino, colocando-se numa situação de cobertura, sempre entre a bola e a baliza. Um posicionamento indispensável numa dinâmica com apenas dois médios no corredor central, que já havia sido explicado aqui e aqui.
Sem quantidade nem qualidade de entendimento na ocupação no corredor central, basta a qualquer adversário querer sair a jogar no pé quando recupera a bola e qualquer equipa da Liga pode perfeitamente ganhar em Alvalade. Imagine quando for fora de casa…
Enfim, no Sporting tudo parece aleatório e sem dinâmica. Cada um joga por si, sem qualquer entendimento do que é o jogo. O Sporting B venceria o Sporting A, e se Sá Pinto continuar a lançar dados, ao menos que o faça com os miúdos que saíram da formação. É que esses estarão prontos para entre eles resolver tacticamente o que o seu treinador não percebe.
P.S. – Os últimos dois jogos do Sporting mostraram a maior desorganização e desnorte de sempre. Nem na distrital se anda tão à deriva como em Alvalade por estes dias.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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