Destaques individuais do Clássico

Ricky. Um dos melhores jogos do holandês em Portugal. O holandês exibicionalmente, dá-se bem com o SL Benfica. Porque não é o que Jesualdo apelida de avançado agressivo na área (um eufemismo que Jesualdo utiliza para referir que falta qualidade a atacar a finalização, quer do seu avançado, quer dos seus extremos), mas antes alguém com qualidades interessantes na movimentação, os jogos com mais espaço colocam-o mais em jogo. Ontem recebeu e deu seguimento aos ataques da sua equipa sempre com qualidade. Foi um dos principais responsáveis pela capacidade que o Sporting sempre teve em ter bola.
Eric Dier. Havia tido uma exibição posicionalmente bastante pobre contra o FC Porto. Porque os azuis e brancos exploram melhor o corredor central que o SL Benfica, mas sobretudo porque jogando como interior demonstrou dificuldades em recuperar para trás da linha da bola, sempre que tal se impunha. Melhor tacticamente jogando um pouco mais recuado. Foi um dos pontos de equilíbrio leonino. Mérito do jovem leão e claro, do seu treinador que o preparou bastante bem tacticamente para o que ia encontrar. Curiosa a estratégia de Jesualdo para o momento em que ficasse em desvantagem. Um 3x5x2 na saída de bola, igual ao do adversário, com Dier, um júnior de idade, a assumir todo o protagonismo baixando para entre os centrais para iniciar os ataques. Que pena não ser português.
André Martins. O melhor do Sporting. Pausa, espera, acelera, sempre com a bola junto ao pé. Todos os ataques prometedores passaram pelos pés do enorme jogador do Sporting. A forma como ainda na primeira parte foi furando as linhas encarnadas em progressão foi notável. Mostrou qualidades no penúltimo passe, e ficou na retina a forma como ludibriou todo o meio campo do SL Benfica antes de servir Capel nas costas da defesa encarnada numa jogada de potencial imenso. Ter dez jogadores destes em campo havia de ser um regalo. Foi André que empurrou o Sporting para um jogo dividido quando se suponha que tal pudesse não vir a acontecer. Fica aquela imagem final como uma espécie de reconhecimento do treinador adversário ao talento de André Martins. E que talento.
Bruma. Atrevido. Enquanto o jogo esteve empatado, teve mais espaço e foi dando nas vistas pelas dificuldades que colocava aos defensores encarnados. É muito rápido e de drible fácil. Muito para melhorar na definição quando a bola lhe chega ao pé. Mais dificuldades em organização, mas muito potencial para crescer e tornar-se mais importante.
Gaitán. Por vezes perde bolas que não pode. Erra demasiado no último passe, por sair quase sempre longo de mais. É o tipo de jogador que pode levar ao desespero colegas e adversários. Tem classe que nunca mais acaba e é capaz como mais ninguém do imprevisto. Mais um passe rasteiro a rolar na área adversária. Na segunda feira serviu Cardozo, ontem Salvio. E para terminar uma das jogadas do ano em Portugal. Quando todos esperavam um toque para trás, quebra contenção e cobertura leonina, tabela e assiste de pé direito um golo esplendoroso. Um génio que poderia ser bastante mais jogador se fosse regular. Bastante mais responsável defensivamente. Talvez a concorrência o tenha feito crescer em responsabilidade.
Salvio. Tem a agressividade que Jesualdo tanto utiliza para classificar os seus homens da frente. Aparece com toda a impetuosidade na área adversária, e finaliza fácil. Pode passar por vezes ao lado do jogo, mas é certo que a qualquer instante pode com um golo, desbloquear um jogo complicado. Assim o fez na noite de ontem.
Matic. Mais visto defensivamente que ofensivamente. Mérito do Sporting que colocou o Sérvio a ter de trabalhar bastante mais num momento onde tanto cresceu. Bastante mais agressivo foi recuperando bolas que impediam contra ataques potencialmente perigosos do adversário. Menos em jogo ofensivamente (mérito de Martins), mas sempre demasiado preponderante.
Luisão. É provavelmente o central mais inteligente da Liga. Uma única falha ao longo dos noventa minutos na leitura de um lance. Tentou adivinhar um possível passe para Ricky, saiu e a bola cruzou a área para Capel que seria derrubado por Maxi. Em tudo o mais, perfeito. Inteligente não só porque coordena defensivamente todo um sector, mas também pelas abordagens individuais a cada situação. Viril quando percebe o perigo, matando em falta qualquer possibilidade de uma jogada mais perigosa.  Foi assim na primeira e na segunda parte sobre Ricky, quando analisou e bem que o perigo espreitava. Menos viril e mais cauteloso quando o adversário não está enquadrado e as possibilidades de ser feliz diminuem. Ai sai, aperta, não deixa virar, mas sem nunca derrubar. Na resposta aos lances aéreos é o que se sabe. Intransponível. 
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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