Fresquinhos, fresquinhos, fresquinhos

Arrasador. Passou o Benfica pela margem mínima quando justiça no Estádio da Luz teria sido passar por três, quatro ou cinco golos de diferença. 
Não colocando de forma alguma o mérito encarnado em causa, já aqui havia sido afirmado que o Fenerbahce era e é uma equipa banal. Talvez a mais acessível de todas as que o Benfica encontrou desde a Liga dos Campeões até à final da Liga Europa. Os turcos são débeis defensivamente do ponto de vista táctico. Não controlam de forma alguma o espaço defensivo e a enorme mobilidade do ataque do SL Benfica criaria sempre dificuldades atrás de dificuldades. O apuramento dependia sobretudo da percentagem de êxito na finalização. Porque chegar à finalização seria óbvio perante tanto desnível. Ofensivamente, pontapé para o ar para os seus físicos avançados tentarem algo.
“Vocês estão com muita bola. Eles não vos vão conseguir parar” Jorge Jesus ao intervalo para Enzo e Matic.
Como explicar a assombrosa exibição da dupla de médios encarnados? Tecnicamente e tacticamente já se sabe que são do melhor que passa pela Liga Europa na presente temporada. Mas como explicar tanto fulgor. Tanta disponibilidade física. Tanto duelo ganho, tanta correria para recuperar, tanta correria com a bola no pé furando linhas adversárias, obrigando outros jogadores a sair à bola, desorganizando completamente toda a estrutura turca?
Faça um exercício simples. Em Agosto comece a correr com um amigo. Você pára aos 9kms, o seu amigo que corra até aos 12kms. E isto até Maio de 2014. Em Maio de 2014, façam uma prova. Corram os dois até à exaustão. Experimente e depois venha cá contar quem aguentou mais. Quem está fisicamente mais forte. Em Portugal pela internet fora tendemos a crer que a condição física / estado óptimo físico se alcança se não tivermos intensidade em cima. É o contrário.
“Há jogadores que recuperam fisicamente muito mais rápido que outros” Carlos Carvalhal, no final do jogo de ontem.
Precisamente. E é tudo uma questão de recuperação. E do período que cada atleta precisa para recuperar. Sabendo que a recuperação óptima se dá sempre entre quarenta e oito a setenta e duas horas. Na maior parte dos casos, as dores proveniente do exercício até atingem o seu pico às quarenta e oito horas após. Essa foi a razão pela qual na flash interview na Madeira o treinador do Benfica referiu não ter tempo para nada. “Agora é só jogar”. E no SL Benfica são testados os níveis de fadiga dos atletas. São dados objectivos os que se obtêm, e que permitem perceber o nível de fadiga dos atletas. Quer saber qual o principal indicador de fadiga? Lesão muscular. Retire os crónicos Aimar e Martins da equação, e quantas numa época que já vai longa? Menos que as que em outros tempos já se faziam sentir em Outubro. Jesus não trabalha sozinho. Acompanham-o fisiologistas. Luisão de fora na Turquia e Gaitán na Madeira não foi um acaso. Os fatigados não sobem ao relvado.
Jesus que não perca agora as finais (Estoril, Moreirense, Chelsea e Guimarães). Porque é sinal que a equipa rebentou fisicamente nos últimos quatro jogos…

PS. – “Não podia dar outro resultado que não a passagem do Benfica à final. Esta equipa foi um rolo compressor hoje [ontem], o Fenerbahçe não teve a mínima hipótese. O Benfica foi superior do início ao fim””   “Nem parece o mesmo jogador! Ele não tinha nada a ver com isto. É impressionante.” sobre Matic. Van Hoijdonk.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2355 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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