Curtas de Napoles, Aveiro e Alvalade

white corner field line on artificial green grass of soccer field
– Jogo muito fraco do SL Benfica naquilo que costuma ser mais forte, na forma como cria ocasiões de golo. Trocar Gaitán por Markovic não pareceu em nada uma boa ideia. Perde-se o que de melhor tanto um como outro têm para dar;
– Sílvio que até nem estava a ter um mau jogo num único lance soma um erro técnico (mau corte) a um erro táctico (não recupera rapidamente para a linha dos colegas) e permite a justa vitória do Napoli. Depois do erro táctico de Cortez na anterior partida com São Paulo, agora Sílvio. Talvez por comparação se perceba melhor agora os elogios a Melgarejo;
– Pela primeira vez fez-se notar a ausência de Cardozo. Ao contrário do que se pensa não é no número elevado de golos que marca que o paraguaio faz a diferença sobre Lima e sobretudo sobre Rodrigo. Por cá até temos a ousadia de crer que quer um quer outro se forem apostas regulares como ponta de lança até farão mais golos que Cardozo. É a receber e a dar seguimento às bolas que recebe entre sectores que Cardozo faz bastante diferença. Pode “apanhar” menos bolas, mas as que lhe chegam saem com muita qualidade. É muito bom também na fase que antecede a finalização. E foi ai que em Nápoles o Benfica nunca se impôs;
– 4x3x3 na segunda parte. Melhor controlo da transição adversária, no momento do jogo em que o Benfica realmente controlou um pouco mais o jogo. Todavia, percebeu-se que a táctica foi transmitida oralmente. Sem qualquer trabalho de campo prévio, pela forma como não havia princípios comuns de actuação nos 3 centrocampistas (Enzo, Matic e Amorim). Um novo sistema para Jesus aperfeiçoar para determinados jogos?
– Licá a demonstrar as qualidades que o levaram a ser primeira opção. Mais agressividade defensiva e mais critério com bola relativamente a Iturbe e Kelvin tornaram-o num titular não tão inesperado. Há na actual selecção gente com menos qualidade;
– Lucho sensacional. Poderá jogar onde quiser. Quem tem o conhecimento que o argentino tem do jogo será sempre um jogador notável seja qual for o espaço que ocupe. Continua a demonstrar que as competências intelectuais são o que de mais importante se requer na actualidade. Os talentosos Quintero e Josué que aproveitem o ano para assimilar tudo o que houver para assimilar com El comandante. Se souberem aproveitar bem terão carreiras ainda melhores;
– O fabuloso Jackson por Portugal continua. Incrível como consegue o FC Porto descobrir jogadores desta qualidade em países que se pensa terem pouco para oferecer ao futebol. Assombroso na agressividade a atacar a finalização e imensa qualidade em tudo o mais. O FC Porto está preparado para o perder, mas tal não significa que o colombiano não seja, com larga margem, o melhor avançado em Portugal;
– Do Sporting x Fiorentina sobrou a mesmíssima análise ao jogo anterior, que havia sido aqui abordado com um pouco mais de cuidado. Quer individual, quer colectiva. O 442 em momento defensivo, que impede desde logo os centrais adversários de sairem a jogar tem a vantagem de no plano teórico oferecer mais bola ao Sporting. Não se deixe enganar, todavia, pelos golos alcançados frente aos viola. Nenhuma equipa da Liga, excepção a FC Porto e SL Benfica vai ousar sequer arriscar um milímetro em espaços tão recuados. E essas pelo recuar de um médio centro e pelo maior afastamento dos centrais contornarão de forma mais fácil a primeira pressão só com dois elementos. Curiosidade para ver como Leonardo Jardim em tais jogos preparará a equipa para reagir ao assumir cedo do jogo por Matic ou Defour;
– Também Montero deixou no segundo jogo a impressão que havia deixado no primeiro. Bastante boa. A par do treinador é o ponto de maior incremento de qualidade em relação à época transacta;
– Sporting totalmente diferente do que há um ano se preparava para iniciar a época. Há um ano organização zero. Hoje há ideias e procura-se um jogar colectivo, assimilado por todos. Princípios comuns a qualquer um dos jogadores que subam ao relvado. Não dá para ficar demasiado optimista se tal for pensar numa entrada directa na Liga dos Campeões da próxima temporada. Mas é expectável um pontuação bastante superior;
– Porque não Carrillo no lugar de Wilson Eduardo?Ou André Martins com Adrien em detrimento de William Carvalho? Ainda que o pequeno craque acrescente critério no corredor direito;
– Estará a chegada de Slimani relacionada com o ofertar do papel de segundo avançado a Montero? Só observando se poderá perceber se tal faz ou não sentido. Todavia, ainda que contra o que parece ser a corrente, o colombiano parece fazer muito mais sentido tal como está a jogar do que no papel de Wilson Eduardo.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2364 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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