Hoje, até das individualidades se duvida

O impensável parece estar próximo de acontecer. Ao contrário do que proferia Jesus, o Benfica parece mesmo inclinado a deitar seis anos de trabalho de nível mundial ao rio.
Foram muitas épocas com o Lateral Esquerdo a garantir o como a excelência táctica do SL Benfica potenciava as individualidades para níveis de rendimento extraordinário. Dezenas de jogadores a jogar no topo do seu potencial. Era muito fácil ser-se um bom jogador no Benfica. Tudo podia ser feito de olhos fechados. As decisões com bola fáceis de tomar, com a proximidade dos colegas, com as linhas de passe, com o posicionamento definido ao limite. 
Sobretudo ao longo da época passada foi sendo referido o quão fabuloso era o trabalho de Jorge Jesus, que com um onze cuja qualidade individual não era assim tão elevada como muitos queriam fazer crer, se sagrou campeão contra um adversário com dez vezes melhores armas. 
Hoje, e apenas quatro semanas de trabalho se passaram, começa a olhar-se para os jogadores do Sporting como tendo maior qualidade (e muito maior vão apresentar), e no Benfica apenas se fala na necessidade de reforços. Afinal os “Manueis” não são assim tão bons. Sem um modelo de jogo apaixonante que os protege e potencia, vai dando para perceber o que sempre referimos aqui. Até Jonas, completamente isolado do mundo, parece um jogador diferente. Na última madrugada perdeu mais vezes a bola que num ano inteiro com Jorge Jesus.
Rui Vitória não é um mau treinador. Mas, talvez seja esta época a ideal para que se perceba todas as qualidades do actual treinador do Sporting.
Com o que se pode observar após um mês de trabalho (Modelo e não resultados. Ausência de processos de qualidade, e não número de golos marcados e sofridos. Porque esses são e serão consequência dos processos), só o mais optimista poderá acreditar que o que foi banal ao longo dos últimos seis anos no SL Benfica continuará a acontecer (mais de cem golos por ano, centenas e centenas de minutos consecutivos sem sofrer golos, e sobretudo vencer regularmente (melhor média de vitórias nos jogos nacionais desde a década de 70) ao invés de ocasionalmente).
Talvez a presente época sirva para ajudar o grande público a perceber o que é um treinador de nível mundial (cuja equipa apresenta organização de excelência em todos os momentos do jogo) e o que é apenas um bom treinador.
O preocupante não são os resultados. A grande preocupação é não se perceber que organização apresenta este Benfica. Tarefa hercúlea a de Rui Vitória. Suceder a um dos melhores treinadores do futebol mundial e que virou completamente a história recente do Benfica.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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