Curtas à segunda jornada


a) Ainda que seja impossível prever como crescerão os três grandes , campeonato a prometer um dos piores campeões em termos de percentagem pontual dos últimos anos. Depois de seis anos loucos, com recordes pontuais a serem aproximados e batidos por FC Porto e SL Benfica, a hora de abrandar parece ter chegado. O FC Porto está demasiado longe da qualidade individual do passado recente e perdeu esta época os quatro / cinco super talentos que teriam lugar em praticamente qualquer plantel do mundo. Danilo, Casemiro (Real), Alex Sandro (Juventus), Jackson e Óliver (Atletico). O SL Benfica que já havia perdido os extras na época transacta. Sobraram Gaitán e Jonas. Para a presente época parte também sem o cérebro. O Sporting que durante seis anos não era tido sequer como candidato ao título, por quem percebesse um mínimo da realidade futebolística nacional, tem agora uma oportunidade real de voltar a intrometer-se numa luta que no passado recente já não parecia sua (Sim, o segundo lugar de Leonardo Jardim, foi apenas uma época atípica. Como havia sido o segundo lugar de Domingos no Braga);
b) FC Porto na Madeira com sectores muito distantes. A permitir mais bola ao adversário do que o que seria expectável e sem capacidade para criar assertivamente. Os médios centro apenas a receberem fora do bloco e sem nunca procurarem soluções criativas. Se recebiam dentro devolviam sempre no central ou no trinco que ficava mais recuado fora do bloco. Os laterais não têm a qualidade do passado e também ofensivamente, apesar da muita vontade não são capazes de criar os desequilíbrios que Lopetegui pretende nos corredores laterais. Porque o central, já se percebeu apenas serve para construir. E não criar. Para já, apenas Brahimi a titulo individual mostra ser diferente dos demais. Incrível a facilidade com que desequilibra. E incrível também como não há nada pensado para aproveitar os seus rasgos. Uma movimentação de ruptura do outro extremo com uma de apoio do ponta?! Qualquer dinâmica que aproveite a facilidade com que o extremo portista quebra a contenção seria uma forma fácil de aproximar o FC Porto do golo.
c) Sporting com movimentos e posicionamentos já bem definidos. Faltará algum tempo até que os timings (sei onde está o meu colega, mas falta ambos sabermos o tempo e o espaço para onde e quando lhe vou endossar a bola) e rotinas surjam com qualidade. Só com a repetição (treino e jogo) chegarão. É a equipa com maior potencial para crescer no momento, em virtude do binómio qualidade dos jogadores – qualidade do treinador. Carrillo vai finalmente cumprindo o que promete há tantos anos. João Mário a aparecer com muita qualidade como segundo médio, mais de transporte como Jesus gosta nas suas equipas. Qualidade com bola e intenso nas transições. De negativo João Pereira e Naldo. Individualmente muito abaixo do desejável. Será preciso tempo para acertar ideias. Mas esse é um trabalho já visto com outros defesas, com lacunas individuais também graves.
d) Benfica indeciso entre aproveitar as ideias ofensivas do 442 ou mudar para algo original. A transição defensiva está lastimável, e cada perda parece dar gente na cara de Júlio César ou de Luisão. A equipa vai deixando de funcionar como um colectivo e até a qualidade (idade) do capitão já vai sendo questionada. É um fardo demasiado pesado para qualquer treinador, o de suceder a seis anos com a maior percentagem de vitórias nos jogos nacionais desde a década de sessenta. E se Rui Vitória tem a vantagem de ter mantido quase noventa porcento da equipa campeã, não é menos verdade que essa equipa havia sido totalmente espremida do ponto de vista colectivo, e que falta qualidade individual em alguns sectores. Isto, mesmo após mais de uma dezena de contratações a parecerem praticamente todas condenadas ao fracasso. O treinador do Benfica não é garantidamente um mau treinador. Mas o contexto é altamente desfavorável. E o caminho está minado.
e) Paulo Sousa. Destacado aqui ainda nos tempos do Basel mesmo sendo copiosamente derrotado no Dragão. Porque não são os treinadores que jogam. São os jogadores. Naquilo que o treinador controla, ideias de equipa grande as de Paulo Sousa. Pressing no meio campo ofensivo. Transições rápidas e pensadas. Posicionamentos bem definidos e ousados em organização. Não são surpresa os seus sucessos recentes.
f) Lito já tinha dado muito trabalho ao Benfica na 1ª volta da época passada, quando na Luz retardou ao máximo o golo do Benfica. Na altura Jorge Jesus revelou as dificuldades sentidas perante a boa estratégia do ex treinador do Belenenses, bem como a forma como preparou o ataque posicional de forma diferente para a segunda parte (laterais foram interiores, e extremos… extremos. Quando habitualmente é o inverso). Desta vez Lito conseguiu mesmo que o seu plano de jogo se traduzisse em pontos perante um adversário com armas muito superiores.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2364 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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