Respostas aos leitores. Parte II.

A parte II das respostas agrupa as questões relativas aos três clubes de maior dimensão em Portugal.
O Jorge Jesus deu recentemente uma entrevista a um jornal macaense, da qual pretendo destacar uma passagem.

As jogadas das minhas equipas são criadas pela minha cabeça e executadas pelos jogadores.”

A pergunta é: não acham que a frase destacada a bold resume bastante bem os problemas das equipas do Jesus?
B: Em parte. Mas não totalmente. Todos os treinadores que conheço, inclusivamente Guardiola “desenham jogadas ofensivas das suas equipas”. Pode ser mais um factor a ajudar aos tais problemas. Mas não creio que seja o principal.
PM: Cuidado com a forma como se interpreta. Ele cria os posicionamentos, as opções. Não cria a jogada propriamente dita padronizando-a ao limite. Ou seja, quando a bola está neste tem de ir para aquele. Ele não faz isso. O que ele cria é quando a bola está neste: Pode ir para este, este ou aquele, porque eles terão de estar neste espaço (que ele define! Define a movimentação e o posicionamento, não a decisão). Eu não faço assim, mas destaco uma frase do Vitor Pereira em privado “As combinações dele são quase sempre iguais, mas não se consegue parar aquilo”. Portanto, concluindo, não faço assim, mas entendo que face ao nível de detalhe que ele explora, os seus posicionamentos e movimentos obrigatórios são uma ajuda para que dentro do campo os jogadores se relacionem entre si.
O que acham do Renato Sanches no momento defensivo, e se será fácil melhorar a agressividade ao espaço.
DB: O Renato percebe o jogo como um todo e sabe como se posicionar. Sabe que por trás de uma contenção está uma cobertura, e que perto da cobertura está (em linhas diferentes) a concentração e o equilibrio. Tem é de continuar a ser estimulado para tal. Melhorar a agressividade ao espaço é treinável. Mas apenas faz sentido com sectores próximos e com uma linha defensiva a responder a essa pressão subindo ou baixando a linha controlando a profundidade. Caso contrário, ser agressivo no espaço serve para levar baile em vez de ter beneficios para a equipa. 
PM: O Renato tem características físicas formidáveis. Não sei se será fácil moldar o seu jogo com bola. Isso depende da predisposição do Renato para a aprendizagem, que como vai tendo sucesso, ou o que ele e a generalidade das pessoas pensam ser sucesso, nas suas acções, poderá ser um entrave grande ao crescimento. Não será nunca o tipo de jogador que mais me agrada, mas tem um potencial enorme para servir determinados modelos. Pensando mesmo em grandes clubes. 
B: O Renato surpreendeu-me. Tem mostrado coisas que não conhecia dele, ao nível de jogo. E, tem mostrado que poderá ser capaz de mais do que aquilo que alguma vez esperei. Dependerá tudo se terá a mentalidade certa para aprender, e se essa mentalidade se vai conjugar com o contexto certo para aprendizagem.
RV sera capaz de criar um modelo para lutar por titulos, senao quem seria. Preudhomme, bielsa, vitor Pereira, marco silva, laudrup
DB: Acredito que com o tempo as coisas vão melhorar. Existe muita gente muito competente a trabalhar perto da equipa técnica que os ajuda a crescer, estejam disponivéis para isso. RV ja mostrou várias vezes que a forma de estar e de liderar encoraja a um trabalho multidisciplinar, logo tem tudo para melhorar e crescer. 
PM: De certeza que o Rui Vitória se tiver oportunidade de passar seis anos no SL Benfica como teve Jesus, crescerá muito com a experimentação e com o erro. E será capaz de criar e consolidar um modelo para ser campeão. O problema é que ao contrário do seu antecessor que ganhando logo, e ganhando qualquer troféu, mesmo que menor, em todas as épocas, conquistou sempre tempo para ir ficando, Rui Vitória provavelmente não terá tempo. E só os dirigentes do Benfica sabem se estão interessados em esperar pelo crescimento do seu treinador, ou se ao invés disso avançam desde já para alguém mais bem preparado.
AS: Desde a pré-temporada que o jogar por parte do Benfica de RV não me conseguiu entusiasmar. Ao falar com amigos todos eles se contentavam com o “é o inicio e é preciso tempo para mudar o paradigma” e “as coisas vão melhorar”. Mas, jogo após jogos era visivel que o tempo pouco iria trazer. A minha resposta sempre foi “quando chegar a Dezembro e tudo estiver igual o alarme vai soar”. Ora chegamos a Dezembro, com muito ou pouco esforço o Benfica terminou o ano a 5 pontos do primeiro e a 4 do segundo. Se melhorou desde o inicio? Sim melhorou. Se é suficiente? Não me parece. Portanto, espero que no futuro esteja enganado e o Rui Vitória consiga incutir ideias atrativas para os jogadores e para os adeptos.
Opiniao sobre as contratações dos 3 grandes
PM: Não querendo esquecer ninguém… Ruiz tem muita qualidade. Não é o extremo típico que Jesus gosta, mas tem critério e percebe tudo o que faz. Corona é talvez o melhor jogador que chegou a Portugal esta época. Critério, qualidade técnica assombrosa, criatividade. É um daqueles que resolve jogos porque vê mais que os outros. Mitroglou é um bom ponta de lança. Aparece com muita qualidade a finalizar. Nas outras fases não acrescenta mas também não estraga. De resto não me recordo de mais ninguém que valha a pena destacar. Ou porque não têm jogado ou porque jogando não se destacam da normalidade.
B: Eu destacaria Imbula. Surpreende-me o rendimento tão fraco que está a ter, mesmo num campeonato como o nosso. Reconheço-lhe grande capacidade física, e técnica em condução. Pensei eu que teria um impacto maior, mas o que Lopetegui quer dos médios vai absolutamente contra tudo o que de bom ele tem para oferecer. Já na altura tinha pensado nisso, mas também pensei que os rasgos individuais iriam fazer inclinar o treinador para lhe dar o espaço de acções que ele mais gosta. Enganei-me. Jorge Jesus é que ia adorar contar com um médio destes, por exemplo.
Para suceder a Rui Vitória no Benfica (espero que seja amanhã, o mais tardar), achariam melhor opção um treinador português ou um estrangeiro? Ou seja, são valor àquela teoria de que, para ser campeão em Portugal, é importante que o treinador seja português por conhecer as especificidades do campeonato português, incluindo a necessidade invulgar de ter uma proporção de pontos perdidos baixíssima?
Numa segunda questão relacionada, como hierarquizariam os seguintes treinadores, para suceder a Rui Vitória:
Vítor Pereira, Paulo Sousa, Marco Silva, José Peseiro, Preud’Homme, Bielsa, Lucien Favre?
DB: Um treinador, para ter sucesso, precisa de ser bom e de ter bons jogadores. Nao precisa de coisas especiais no passaporte. Para aquilo que o Benfica se propõe, esse treinador também tem de querer estar muito tempo no clube, e não vir fazer duas épocas e sair para outro sitio, pelo que isso ia excluir alguns treinadores. Não sou capaz de fazer uma hierarquia porque todos têm coisas interessantes, e podia-se juntar a essa lista mais alguns. 
PM: Sim, dou valor a isso. O nosso campeonato é muito diferente de todos os outros que conheço. O Quique é um exemplo grande de quem vinha completamente impreparado para a realidade que ia encontrar. Tinha ideias, mas de quem pensava que os jogos se iriam disputar de forma diferente. E também é por isso que Jesus é para mim, o melhor treinador do mundo, para treinar em Portugal. Tem um modelo altamente preparado para a realidade portuguesa. Percebe que tem de atacar com muitos, que defender com poucos é quase sempre suficiente. Percebe a importância especifica de cada um dos momentos do jogo (que é naturalmente diferente para um grande na liga portuguesa do que para um grande noutra liga, em que os jogos se repartem mais) e trabalha em função disso. Acredito que qualquer treinador estrangeiro teria dificuldades por isso. Mas, claro que com tempo adaptar-se-ia. No imediato, para ter impacto: – Vitor Pereira – Paulo Sousa – José Peseiro – Marco Silva.
AS: Considero que o factor “conhecimento da Liga” é importante, mas não é dos mais importante. Antes disso, há que se ter bons jogadores, boas ideias.
Fala-se muito da diferença entre este Sporting de Jesus e o Benfica do mesmo, muitas das vezes negativamente,a minha questão é,até que ponto é que Jesus conseguirá montar um Sporting mais forte baseado na inteligência dos jogadores em detrimento da capacidade física,isto é,se o agora treinador do Sporting não pode tirar partido duma muito maior capacidade cognitiva dos jogadores,apenas Jonas tinha essa capacidade no Benfica enquanto no Sporting há William,João Mário,Ruiz,Aquilani e Montero, face á capacidade física de Samaris,Enzo,Gaitán,Salvio e Lima que não são jogadores tão fortes na decisão e a meu ver menos inteligentes.
B: De forma simples, no Benfica Jorge Jesus foi construindo o plantel em função do seu modelo. No Sporting ainda não teve oportunidade de o fazer, face à realidade que foi encontrando. Acredito que, por exemplo, se ficar tanto tempo quanto o que ficou no Benfica, as características dos jogadores se irão alterar, mais do que as características do modelo. Os treinadores bons são assim. Convictos das suas ideias. Por isso controem, se tiverem possibilidade, um mundo perfeito para implementar o que idealizam.
Quem vai ser o campeão ? Porto ou Sporting ?
PM: Não exclúo o Benfica. Porque tem um ataque fantástico para a realidade em Portugal. Mas, o mais favorito parece-me ser o FC Porto. Mas, devo dizer que como nunca na última década, sinto que o Sporting também lá pode chegar sem ser nada de anormal.
B. Eu, desde o início da época, que entreguei o favoritismo ao Porto, como se percebe pelos artigos. Continuo a pensar da mesma forma. É o favorito, e tem atrás o Sporting, depois o Benfica.
AS: Há muitos anos que não tinha tanta incerteza em quem será campeão. O Benfica parece-me ser aquele que dos três se apresenta mais longe. O Sporting com boas ideias mas com qualidade do plantel que não sabemos até quando se irá manter na disputa. O Porto com jogadores muitos bons, mas com ideias menos boas.
Quem acham que, se é que há alguém, nas camadas jovens/equipa B do FC Porto tem qualidade para chegar aos A? E mais concretamente, qual a opinião sobre o Lichnovsky, André Silva, Rui Pedro e Rafa?
B: André Silva. A opinião é que tem qualidades interessantes para a posição que ocupa, mas precisa de evoluir muito. Não obstante disso, parece que é aposta do clube. E por isso deverá lá chegar com relativa facilidade.
AS: Não conhecendo muitos, parece-me que o André Silva tem potencial para chegar à equipa A.
PM: Vi o Lichnovsky apenas no Mundial sub20. Do que vi gostei, mas já foi há bastante tempo. Não voltei a ver um jogo dele. Não faço ideia de como foi a sua evolução até hoje.
Cá em Portugal, poderá Rui Vitória aperfeiçoar o modelo dele para melhorar o desempenho da equipa, ou apenas temos que esperar a recuperação de jogadores mais tecnicamente mais evoluídos/desequilibradores – Gaitán, Salvio, Semedo (como me admira aqui incluí-lo, mas tendo em conta que as alternativas são Almeida ou Sílvio) – para que com um sistema que se baseia no individual se torne mais eficaz? Será possível que a estrutura chegue à conclusão que Rui Vitória está aquém das necessidades do Benfica, ou teremos mais uma época de tortura? 
B: Com o tempo vai melhorar, logicamente. Se isso vai ser suficiente para agradar a miúdos e graúdos isso é que já não sei.


VB: O Rui Vitória não irá sair. E se conseguir terminar em segundo lugar, provavelmente iniciará outra época. Há, porém, dois possíveis jogos que poderão definir muito do seu futuro. Em Alvalade para o Campeonato e uma possível final da Taça da Liga, também contra o Sporting. Perdendo os dois, não acredito que continuem a apostar nele. Independentemente dos méritos ou deméritos, é assim que funciona em Portugal.

E no Porto, este sistema de Lopetegui tem algum espaço para crescer ou continuará na mediania habitual, mostrando em relação ao ano passado que a quebra de qualidade individual implica uma significativa quebra de qualidade da equipa.
B: Com o tempo tudo melhora no treino. Lopetegui não é diferente nisso. As coisas vão estabilizar, vão ficar melhores. Precisa só de continuar a ganhar.
Já sabemos que Jesus é, para vocês, o melhor treinador em Portugal. Resultados à parte, pois o que interessa é o processo, estará Jesus a aproveitar na plenitude todos os recursos que o Sporting dispõe, ou deveria ele pensar em adaptar o sistema dele aos jogadores que o plantel dispõe? 
B: Jesus ainda não sabe aquilo que os jogadores lhe podem dar. Ainda não tem o conhecimento suficiente deles para isso. É preciso tempo.
VB: Certo ou errado, Jesus não se adapta. Gere o plantel e o seu reforço em função daquilo que pretende, e não o contrário.
Jesus evoluíu no Benfica, necessitará de não cumprir objectivos para evoluir no Sporting? 
B: Não. Jesus é um tipo que come futebol todas as horas da sua vida. Até quando está com a família. E por isso, ganhando ou perdendo, evoluirá sempre.
PM: Ele tem no Sporting uma dificuldade extra. A estutura envolvente não está preparada como estava a do Benfica para o ajudar. E não conseguiu levar um tipo importante para o Sporting, que tinha vindo de Braga com ele. Com o tempo provavelmente ele vai conseguir mudar isso, mas no imediato é uma dificuldade grande que enfrenta. E falo de observação, LAB, e tudo o mais que envolve o jogo. Ele é o melhor tacticamente, e ao que consta também no processo de treino, mas no Benfica já tinha uma estrutura anormalmente boa que o deixava descansado e liberto de muita coisa que ele não domina tão bem. 
Será que a barreira linguística é o único obstáculo a que mude para o estrangeiro, ou estando o Jesus tão adaptado ao Campeonato Nacional, terá ele receio de não ter um desempenho tão positivo fora de Portugal?
B: Ele já disse que não se mudou porque não lhe apresentaram projectos para ser campeão. Acho que o ponto de vista dele é justo.
VB: Ele não sai porque não tem propostas. A falta de reconhecimento dele a nível internacional , que leva a que não apostem num treinador fortíssimo encontra paralelo com a falta de reconhecimento de tanta gente a nível nacional… Nada de novo no futebol.

Tendo em conta a inegável qualidade técnico-táctica de Jorge Jesus é razoável pensar que, depois de 6 anos a treinar o Benfica e conhecendo os seus jogadores, o jogo contra o agora seu adversário seria um desafio relativamente fácil de contornar?
(Isto até independentemente dos possíveis treinadores para o Benfica)
PM: Não. O jogo é demasiado aleatório para que só porque se conhece bem X ou Y, se possa delinear uma estratégia com probabilidades óptimas de vitória, quando as equipas se equivalem. Não creio que tal factor tenha tido influência nos desfechos dos jogos.
B: É ver Guardiola contra o seu Barcelona
Não me choca a possibilidade de o Benfica não ser campeão nesta época de transição, ainda que vestidos com praticamente um plantel bi-campeão, logo não o ‘exijo’ ao Rui Vitória mas.. tendo em conta a estrutura de um clube como o Benfica e a forte presença e impacto da personalidade Jorge Jesus especialmente no balneário, para quando é que seria esperado que Rui Vitória conseguisse implementar (mal ou bem) a sua ideia de jogo?
PM: A próxima época será mais tranquila. Falar-se-à bastante menos do antecessor, vão chegar jogadores que nem conhecem nem trabalharam com Jesus e aos poucos as coisas vão sendo ultrapassadas. Rui Vitória vai evoluir também. Se o suficiente para tão grande barco, não me cabe a mim dizer.
Têm alguma opinião sobre se as limitações, já aqui e no PdB discutidas, no jogar do Porto e do Benfica se devem a falhas no modelo ou a falhas na operacionalização?
B: Não. Só estando lá dentro.
PM: Impossível saber sem estar. Ainda muito muito muito recentemente estive numa longa conversa com alguém com experiências e vivências extraordinárias no futebol que me disse que o Sá Pinto era doido no planeamento. Tudo ao pormenor. Perdia / ganhava horas a preparar cada exercício. Chegava a dormir na Academia, e obrigava os seus adjuntos a fazê-lo também, para planearem tudo de forma assertiva! E que o seu processo de treino era bom. Quem diria? Com aquele modelo horrendo…
Porque é que têm sido tão “meiguinhos” com o Rui Vitória? (Rasguem-no lá de alto a baixo sff!)
PM – Qualquer um que se seguisse a um trabalho de excelência teria imensas dificuldades. Qualquer um! 
B: É Ver Paulo Fonseca na sucessão de Vítor Pereira, ver as sucessões de Mourinho e Guardiola, e Sir Alex. Etc. Não é fácil. E se um clube tem grande sucesso, e vem outro que consegue manter as coisas ao mesmo nível ou melhorar, então esse gajo que veio é enorme treinador.
DB: O blog Eu Visto de Vermelho e Branco tem feito um trabalho impressionante a analisar jogo a jogo o que se passa no jogar do Benfica de RV. Nem se trata de rasgar, trata-se de apontar os erros, que são visiveis por todos. 
Se tivessem de apostar neste momento quem diriam que vai ganhar o campeonato?
VB: FC Porto é favorito. Sporting e Benfica seguem ligeiramente atrás.
A minha questão pende-se com a luta do campeonato português. Lopetegui vs Jesus.
Se o JJ começou melhor o Lopetegui não “desistiu” e conseguiu ultrapassa-lo uma semana antes de ir a alvalade.
Por muito incompleta que seja a ideia de jogo de Lopetegui, comparativamente à do Jesus, a verdade é que o ano passado num ano de estreia ficou a 3 pontos do 1º lugar (mesmo que perdesse em confronto directo). E além de ter ficado em 3 pontos ainda desperdiçou 2 ou 3 oportunidades (que o JJ lhe deu) de os recuperar. 
No ínicio da época “antevi” o claro favoritismo do FCPorto, mas será mesmo assim? Acham que o Sporting, mesmo sendo o 1º ano do Jesus, tem sequer 40% de hipótese de levar o caneco?
VB: Nunca como na época passada, recordo um campeão que tivessse um terço da qualidade individual do segundo classificado. O desnível era tão gigante que recordo conversas com gente da estrutura professional do próprio SLB em Agosto, que diziam que em Dezembro o FCP já seria campeão. Jesus calou todas essas opiniões. Portanto, não sei se o Sporting tem 40 por cento de chances, mas terá de certeza muito mais do que as que teve na última década.
PM: Não sei se serão 4o por cento, mas só o facto dessa pergunta chegar para um clube que não vence há treze anos, e que ao longo desses treze anos raramente foi séria ameaça ao primeiro lugar, já diz muito do trabalho do seu treinador.
Imaginando que teriam de jogar contra uma equipa de JJ, seja o antigo Benfica ou este Sporting, qual a estratégia que adotariam? (Não, não sou o Rui Vitória 😛 )
VB: Mas que equipa teria eu nas mãos? O Barcelona? 
PM: Com as minhas ideias. Com o meu modelo. Com o meu jogar. Depois apenas estratégicamente poderia pensar em ligeiras alterações na dinâmica. Mas, tudo depende do nível dos jogadores e do nível a que colectivamente estaria a minha equipa à data do jogo.

Djuricic, Cristante e Talisca. Todos eles jogadores chegaram com cotação de mercado elevada e com estatuto de jovens com enorme potencial, sobretudo Djuricic.
Serão todos fruto de um mau aproveitamento das equipas técnicas (atual e anterior) ou clara falta de adaptação ao futebol nacional? 
Talisca desde que começou a jogar a médio nunca mais pegou destaque na equipa, como no início da época passada quando jogava na frente com Lima e já agora com Jesus – que disse na altura estar a ensinar tudo ao brasileiro
E Djuricic que era um craque na liga holandesa, nesta altura poderia ser o natural substituto de Jonas. No entanto não é aposta, tal como Cristante, que conta com uns meros 14 minutos de jogo. O que é que pode justificar tudo isto?
DB: Ainda há pouco tempo fizemos um post sobre isto. Não necessariamente por esses nomes, mas no geral, fruto muito da nossa experiência. Vários são os casos de jogadores que aqui e ali fazem coisas muito muito boas, que no youtube são impressionantes, mas que depois… não conseguem mostrar isso no clube ou clubes seguintes, isso pode acontecer por várias razões. 
No caso do Djuricic, aquilo que vai mostrando é muita qualidade para, com bola fazer coisas interessantes, ser muito bom técnicamente e tomar boas decisões. Mas se lhe pedirem para fazer outras coisas… se calhar não faz, ou faz menos. E o grande problema, é que o mais certoé haver jogadores que se calhar não são tão bons nas coisas em que o Djuricic é fantastico, mas que depois são muito competentes naquilo que a equipa precisa . E se fossem vocês o treinador, escolhiam alguém que participa muito bem em 2 momentos da equipa e que não existe nos outros, ou escolhiam quem é competente em todos os momentos? Quantos jogadores há por aí (até nas peladinhas com os amigos), que são fantásticos com a bolinha no pé… mas defender, venha outro. No futebol mega competitivo de hoje, é impossivel permitir que alguém so jogue 40% do jogo. 
No caso do Cristante, acho que tem o “azar” de ter jogadores muito competentes a jogar nas mesmas posições que ele, que o deixam sempre como 3a opção. Mostrou coisas muito interessantes, mas se calhar devia ter sido emprestado para jogar regularmente e continuar a crescer para neste momento estar “mais preparado”. 
O Talisca, não percebe nada do jogo. Como muitos jogadores que chegam a Europa, têm de ser ensinados. E há quem consiga perceber e aprender muito depressa, e há quem demore mais tempo. E há também quem nunca aprenda. O grande problema que o Talisca teve, foi ter muito sucesso (entenda-se… golos) apesar de cometer muitos erros. E é muito dificil para um jogador mudar seja o que for, quando mesmo errando tem sucesso. 
PM: Esperava muito mais do Talisca e do Djuricic. Tecnicamente percebes que há potencial para rendimento maior. O Cristante tem jogado pouquíssimo tempo e é impossível para mim predizer o suficiente sobre ele. Honestamente quando a oportunidade surgiu na época passada num jogo em Penafiel, fez um jogo horrível, cheio de erros técnicos e de perdas de bola graves logo na construção. Percebi porque não tem minutos. Mas não posso julgar um jogador por um jogo, ainda para mais um miúdo! Só consigo falar sobre ele se o puder ver continuamente! Até porque o feedback que vou tendo de quem gosto de “ouvir” é de que ele está desaproveitado. Reforço o que o Bergkamp diz, os treinadores não podem ser todos malucos. Se não são opção com nenhum é porque há algo que nós não sabemos, provavelmente relacionado com incumprimento das ideias e filosofia dos seus treinadores!
Durante a passagem de JJ na Luz, falou-se muito das suas opções para a posição de lateral esquerdo, e como tinha pedido jogadores tão maus para essa posição. Mas qual é realmente o grau de influência de um treinador na escolha dos atletas cujo passe é comprado? O treinador tem sempre a palavra final, ou o presidente? Pode acontecer ser comprado um jogador a quem o treinador, ou o prospector de talentos, se opõe (como parece ter sido o caso de Taraabt)? E por essa lógica, pode o presidente, ou director desportivo, ou outro agente, “forçar” que determinado jogador seja utilizado (o caso do Roberto parece ter sido um desses, em que outro tipo de interesses motivou a transferência, e depois a venda do mesmo)
DB: “Isto” no é FM. E haá mil e uma coisas que influenciam os jogadores que estão no plantel, os que são comprados, os que são vendidos e até quem tem de jogar. No Liverpool, por exemplo, há um departamento que decide quem é que é comprado para o clube. Isto tem coisas boas e más… a boa, é que podes ter uma estrategia a nivel de aquisição de jogadores que se mantem, independentemente de hoje o treinador ser o A, ou o B. É mais simples para uma equipa de scouting estar sempre a procura das mesmas caracteristicas, seja para seniores ou para jogadores a incorporar nas camadas jovens do clube se se souber qual é o perfil de jogador que se procura. Se forem ao gosto do treinador… imagina a diferença entre Guardiola e Simeone.
Há uns anos atrás, soubemos de um colega que estava no CNS, que tinha um orçamento de .. digamos 3000 euros por mês (nao faço ideia se é muito ou pouco). Com este dinheiro, é possivel pagar 200 ou 300 euros por mes a x jogadores para os manter lá a jogar. Apareceu um empresário que pagava 1500 por mês, para ele por a jogar outro jogador. Ou seja… o orçamento passaria a 4500, mas .. havia um jogador que bom ou mau, tinha de jogar. A partida uma pessoa pensa “nem pensar, nao vou ser currumpido blablablablabla”, mas mais 1500 por mês podia ser a diferença entre conseguir ter um plantel para subir de divisão ou nao, e apenas tinha de aguentar ter um jogador no plantel que não tinha sido escolhido por ele. Situações como estas existem milhares delas. 
Não deve ser mesmo nada fácil gerir isto tudo. Acredito que quanto mais tempo um treinador estiver num clube, maior controlo sobre estas coisas vai ter. Mas ainda assim… não deve ser mesmo nada fácil. 
VB: No futebol é bem capaz de haver mais direcções / directores sem conhecimento do jogo e mais preocupados em aparecer e lucrar do que com o rendimento da equipa. Claro que depois quando não há resultados vão apontar dedos, ignorando que tantas vezes são eles o maior entrave ao desenvolvimento de uma equipa.
1. Como vêem vêem a evolução (em termos de organição ofensiva) do Paulo Fonseca desde o Porto? Vendo o Braga, em org. ofensiva nota-se uma preocupação em povoar o espaço entre-linhas no corredor central, ainda que por vezes os passes a rasgar linhas nao saiam e a equipa vai construindo mais pelas alas. Isto é imaginação minha, tem a ver com a qualidade individual dos jogadores que o Paulo tem, ou trata-se de um traço que o PF esta a maturar? 
O contexto da minha pergunta é a messiânica possibilidade que ele mais tarde ou mais cedo acabe a treinar o Benfica, e provavelmente contra um Sporting ou um Porto treinados pelo Jorge Jesus. 
VB: O Paulo Fonseca vai lá chegar novamente! Com muito mais virtudes do que as que tinha quando chegou da primeira vez.
B: Da próxima vez que treinar um grande, Paulo Fonseca vai ser campeão.
PM: O Paulo Fonseca é a seguir ao Jorge Jesus o melhor treinador em Portugal. Com potencial para vir a ser o melhor. É novo, humilde e tem muita vontade de ser melhor. Só com a experimentação crescerá. Foi bom para ele o projecto FC Porto, mesmo que tenha prejudicado a sua imagem. Mas, garantidamente que quando voltar ao topo estará melhor preparado.



BOM 2016 PARA TODOS! ABRAÇOS E FELICIDADES
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

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