Grupo A – França x Roménia

Roménia. A primeira imagem colectiva que fica deste Euro é a forma como a Roménia tenta condicionar o espaço ao seu adversário. A forma como a última linha sobe, dando “de borla” o espaço nas costas causou muitas dificuldades ao jogo francês. Causou pela forma como a linha defensiva romena ousou colocar-se, mas também pela equipa francesa não estar habituada a explorar os caminhos que o os romenos deixavam livre (espaço à frente da linha defensiva). É ainda assim de louvar o facto de uma selecção com poucos argumentos individuais ter o atrevimento de jogar tacticamente, do ponto de vista defensivo, como se de um grande se tratasse. Fecharam muito bem os corredores laterais, e as possibilidades dos franceses jogarem em combinação quando a bola lá entrava. Tentaram ter sempre os sectores muito juntos, ainda que se notasse depois alguma falta de agressividade sobre a bola. Em organização ofensiva, e mesmo em transição ofensiva, o jogo romeno foi muito mais pobre e não mostrou capacidade para ferir de forma constante os seus adversários. Tendo em conta o contexto da competição, e se conseguir passar a fase de grupos, pode ser que a sua postura defensiva seja o suficiente para os levar longe. 

França. Demonstrou ser fisicamente insuperável. Todas as primeiras bolas, todos os duelos individuais foram deles. Nos últimos dez minutos da primeira parte notou-se o desgaste dos romenos por estarem a jogar constantemente no limite para tentar competir com os franceses. Em organização defensiva demonstrou ser permeável, ainda que baixe linhas e defenda apenas dentro do seu meio campo. O posicionamento da linha defensiva compromete a equipa quando está a pressionar por recuarem em demasia, e dá a possibilidade de passando essa pressão dar seguimento ao lance com relativa facilidade. Do ponto de vista ofensivo tudo o que fez de interessante teve Payet como figura de proa. Foi o único jogador com capacidade para aproveitar o corredor central, e o espaço que se ganhava cada vez que enquadrava com a linha defensiva pelo comportamento táctico da linha romena (baixavam todos, ninguém saia na bola). Percebeu-se que a França está habituada a jogar de pé para pé, por forma a criar espaço nos corredores laterais para criar. Como a Roménia retirou essa possibilidade pelo seu posicionamento a dificuldade em criar e aproveitar o espaço na profundidade foi imensa, talvez pelo perfil dos jogadores em campo. Também porque a selecção francesa não ataca habitualmente por dentro. Num post anterior defendia-se um onze diferente daquele que Dechamps apresentou, por forma a que a equipa ganhasse em criatividade o que tem em agressividade. E, percebo que na linha defensiva o seleccionador francês não queira mexer pela vantagem que isso lhe confere nos duelos individuais. Mas por que não trocar Matuidi por Coman e deixar Payet solto no corredor central para provocar entre linhas?

Por fim, Payet roubou o protagonismo a qualquer outro que se quisesse mostrar hoje. Mas também Kanté foi muito importante em todo o processo francês. Joga simples, recupera e entrega em boas condições. Insuperável na primeira bola, e muito agressivo no 1×1.

Blessing
Sobre Blessing 88 artigos
Treinador de futebol, de momento na formação. Experiência como Treinador Adjunto no escalão de seniores masculino e feminino, tendo esta época culminado com a conquista de todas as provas nacionais em disputa. Desempenha também funções como Scout para 1ºLiga. Criador do Blog Posse de Bola

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