Minuto 92 no Portugal x Austria

Ao contrário do que sucedeu em quase toda a partida com inúmeros cruzamentos para somente um, máximo dois jogadores na área, Ronaldo tem a bola na sua posse. Há vários colegas num sprint final a chegar à area para uma última tentativa. Cinco, seis portugueses na área no último lance do jogo. Ronaldo remata desenquadrado, de pé esquerdo contra um Austríaco e pouco depois a partida terminaria.
O segundo melhor do Mundo até fez um jogo interessante. Foi menos egoísta. Soltou mais vezes e apareceu com enorme qualidade nas zonas de finalização, ainda que hoje a sorte não o tenha acompanhado.
Da partida o lamento por algumas opções.
É muito fácil sentar Rafa. O miúdo talvez esteja feliz só por estar por ali, e é certo que a primeira afirmação que dirá pós jogo não será “eu estava bom, não joguei por opção” como forma de condicionar a opinião pública e influenciar as decisões do mister. O problema é que Rafa é no presente momento o melhor ala português. Naquele lugar, é hoje incrivelmente superior a João Mário, André Gomes, Quaresma e Nani. Capaz de desequilibrar  no último terço como nenhum dos outros e sempre responsável no jogo defensivo de espaços. É uma pena que o melhor ala português tenha 3 minutos na competição.
A evolução do jogo levou-o para sistemas e métodos defensivos que tornam cada vez mais difícil desequilibrar jogos em organização ofensiva. Portugal que não tem um único centrocampista com a criatividade, qualidade técnica e capacidade de decisão para descobrir novos caminhos, que não tem um único capaz de recebendo entre linhas enquadre em milésimos de segundos e se prepare para desequilibrar sofre bastante com isso. Sem gente capaz de ligar criação com finalização de forma sistemática, que não aos “solavancos”, parece um desperdício que se abdique do único médio português que faz coisas diferentes. Não têm de ser necessariamente melhores. Mas é diferente. E essa diferença poderá fazer a diferença. Renato é hoje o único médio português capaz de queimar linhas com a bola no pé. Capaz de provocar desorganização na linha média adversária. Capaz de obrigar o adversário a posicionamentos diferentes e quem sabe menos confortáveis. É o único cuja condução na direcção da meta tem a agressividade suficiente para chamar, para atrair a si adversários e posteriormente jogar noutros espaços. É incompreensível como em jogos contra equipas com características tão defensivas. Contra equipas com linhas tão baixas, não se procura alguém que possa desorganizar o jogo, para além do típico passa – recebe – passa.
Marco Van Basten
Sobre Marco Van Basten 85 artigos
Licenciado em Desporto, treinador Uefa Pro pela FA. Desde cedo partiu para terras de sua majestade. Experiência como professor e treinador numa Academia no Reino Unido.

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