Perfeição Alemã, e Qualidade individual.

Talvez não exista, no mundo, uma equipa nacional tão perfeita nos posicionamentos ofensivos e nos princípios de jogo que utiliza para tentar quebrar o adversário. É incrível como em cada situação de jogo, e tendo em conta a forma como o adversário se coloca em campo, aqueles jogadores conseguem sempre encontrar uma forma dominante de se colocar em largura e em profundidade ligados por uma rede infinita de apoios entre os sectores do adversário. São a melhor equipa do mundo na forma como se colocam sem bola, e na forma de utilizar o seu jogo de posições para encontrar ou criar espaço, tempo, e vantagem numérica.

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A excelência no posicionamento contrasta, contudo, com a incapacidade para ameaçar o adversário pelos corredores laterais. Claro que por principio o melhor caminho será o de aproveitar o corredor central para chegar em melhores condições à baliza. Mas repare no número de pernas que a selecção francesa (ou a esmagadora maioria das equipas que defendem com o bloco muito junto e baixo) tem a defender esse corredor. O jogo alemão seria ainda melhor se nos corredores tivesse jogadores com qualidade individual para aproveitar o espaço, o tempo, e por vezes a vantagem numérica que se criava por lá. Kimmich é um jogador fantástico, não se deixe enganar. Porém, não é do tipo de jogador que vá para cima, que ameace no um contra um, que acelere com espaço, que procure a baliza assim que recebe naquela zona. Hector movimenta-se muito bem, mas também não consegue desequilibrar com bola no pé. Muller, Khedira, Bastian, e Can, que foram os jogadores que mais se movimentaram para receber no corredor também não têm esse tipo de qualidade. Por isso, por aquilo que os jogadores conseguiam ou não fazer individualmente os corredores laterais eram utilizados basicamente como apoio, para retirar de pressão ou para mover o adversário. Com Draxler e Ozil, que têm individualmente essas competências, responsáveis pela ligação entre linhas ficou muito mais previsível o jogo alemão, e com muito menos capacidade para aproveitar as situações que melhor que ninguém eles criam.
Draxler a aproveitar a vantagem numérica criada.
Draxler a aproveitar a situação de 1×1 sem cobertura.
Os dois golos têm um denominador comum: Draxler. No primeiro lance na acção que precede a assistência, a utilizar o movimento do lateral para desequilibrar. Poderia até ter sido outra a decisão, mas jogou com o movimento do lateral para colocar o adversário em dúvida. Fixou, soltou, e golo. No segundo golo a aproveitar individualmente a situação criada. Ficaram a faltar mais jogadores com este tipo de qualidade para aproveitar a excelência no posicionamento, porque não basta por princípio criar ou encontrar condições para desequilibrar. É preciso igualmente ter jogadores com capacidade para aproveitar essas situações. E foi essa capacidade de ameaçar pelos três corredores que, na minha opinião, lhes faltou durante todo o Europeu de 2016.
Imagine que na seguinte imagem os nomes à branco eram substituídos pelos nomes à vermelho, no jogo de posições.
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Parece-lhe familiar? Laterais por dentro e extremos por fora, onde é que já viu isso?
Blessing
Sobre Blessing 88 artigos
Treinador de futebol, de momento na formação. Experiência como Treinador Adjunto no escalão de seniores masculino e feminino, tendo esta época culminado com a conquista de todas as provas nacionais em disputa. Desempenha também funções como Scout para 1ºLiga. Criador do Blog Posse de Bola

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