Faz-me confusão esse jogo que se quer jogar sem balizas

O futebol esse jogo que tantos apaixona, e que provoca tão diversas reacções em todos nós que acabamos sempre por cair na subjectividade da opinião pessoal sem qualquer tipo de argumentação que a sustente. Todos dizem e concordam de forma veemente que o futebol mudou, evoluiu. Poucos são os que compreendem verdadeiramente as implicações dessa mudança. Também eu prefiro ver um jogo onde os jogadores estejam exclusivamente focados no momento ofensivo, onde possam fazer sempre da sua qualidade técnica, inteligência, e criatividade as maiores armas. Também gosto de ver todos os melhores executantes em campo. Quem é que não gostaria de ver uma equipa assim?

Mas a evolução que foi tendo ao longo do tempo foi ditando uma maior competência por parte de todos para aproveitar os espaços, para aproveitar a fraca aglomeração de jogadores no momento defensivo, para aproveitar a passividade com que se encara a defesa da própria baliza. E foi também mostrando que, uma equipa que aposta tudo no momento defensivo dificilmente não sairá vencedora contra uma equipa que só joga com bola. Porque é difícil criar embaraço e constrangimento a quem defende com tantos, e em tão pouco espaço. E é demasiado fácil atacar quem não quer defender. Para que se entenda facilidade, basta basicamente correr. Isso mesmo, é só correr. O maior rigor e organização por parte de quem está mais habituado a jogar como um todo defensivamente irá estar por cima de outros com comportamentos sectoriais e individuais menos ligados e mais passivos, ainda que mais talentosos. Tal significa que quem só defende está mais perto de ganhar? Não. Significa apenas o triunfo da organização e do rigor em TODOS os momentos do jogo sobre as características individuais marcantes soltas.

Faz-me muita confusão o jogo que muitos querem jogar onde só existe uma baliza. Seja apenas para atacar, seja apenas defender. E faz-me ainda mais confusão que não se compreenda que todos sem excepção devem participar em todos os momentos do jogo, sabendo-se da maior capacidade que o adversário tem para aproveitar o enorme espaço onde se joga futebol. O primeiro critério será sempre a qualidade, como se disse num artigo anterior. É a qualidade que dá oportunidade para te mostrares no alto nível. Chegando lá, é preciso preencher outros requisitos. A atitude competitiva que passa por jogar os momentos em que a equipa não tem a bola com a mesma competência dos momentos com bola, bem como cumprir com rigor o plano traçado pelo treinador seja qual for o resultado do jogo. Não é correr por correr, disputar por disputar, pressionar por pressionar. É canalizar também esforços para o plano estratégico que o treinador traçou por forma a parar o adversário. Estar disposto a fazer o que nenhum jogador gosta de fazer no jogo e especialmente no treino.

Guardiola, o melhor treinador da história, compreende isso melhor do que ninguém. Que o futebol deve ser jogado em pleno em todos os seus momentos. Seja ele Iniesta ou Xavi, Platini ou Zico. E quem pensa que Xavi e Iniesta jogavam, com o melhor treinador da história, o mesmo jogo de Zico ou Platini engana-se ou viu mal. Ter a bola é o melhor que esse jogo nos pode dar, mas e quando não a tens?

E que ninguém tenha dúvidas que se Xavi, Iniesta, ou outro qualquer, não estivesse disposto a cumprir escrupulosamente com o que treinador pede, para lá da sua qualidade, não teria tido nunca lugar na melhor equipa da história.

Perguntem a Guardiola o porquê de ter deixado de fora o seu melhor médio, o mais criativo, o com mais qualidade técnica, e com mais desequilíbrio. Aquele único que fez questão de assumir publicamente que o queria, que era o melhor jogador do Bayern. Por que raio Thiago ficou de fora nos jogos mais importantes da época do Bayern na Liga dos Campeões? Por que motivo contra a Juve só apareceu no prolongamento? Não se entende como é que no jogo contra o Atléti fica o jogo todo no aquecimento a servir de apanha bolas. Alguém se lembra do aperto épico que foi aquela primeira parte? É por isso mesmo. Porque no futebol há sempre duas balizas: a do adversário e a nossa. E quem se esquece de uma delas está muito mais próximo do insucesso.

Blessing
Sobre Blessing 88 artigos
Treinador de futebol, de momento na formação. Experiência como Treinador Adjunto no escalão de seniores masculino e feminino, tendo esta época culminado com a conquista de todas as provas nacionais em disputa. Desempenha também funções como Scout para 1ºLiga. Criador do Blog Posse de Bola

20 comentários em Faz-me confusão esse jogo que se quer jogar sem balizas

  1. A questão do Thiago também pode ter a ver com o facto de ele fisicamente não estar ao seu melhor nível e com isso não conseguir ajudar tanto a equipa defensivamente. Não?

    • Lógico que tem a ver com isso! O Thiago mal conseguia correr. Logo, sem bola era menos um. Ele não podia abdicar de um jogador sem bola pelo que ele podia dar com bola. Na espera de um momento de inspiração dele que resolvesse o jogo. A este nível é mortífero. Já tem basicamente de abdicar de um jogador em acção defensiva para defender um possível passe para trás, e garantir um apoio frontal em transição ofensiva. Não pode ficar com menos outro. Fê-lo no prolongamento contra a Juve porque era um prolongamento e estava tudo cansado.

      Agora, o que se quer que se entenda disto é que jogar só com bola não chega. É nefasto. Assim como jogar apenas sem bola não é futebol. Alguém viu bem a agressividade com que mesmo o melhor jogador de sempre reage à perda? E a forma como ataca agressivamente Di Maria no duelo individual 1×1 para lhe tirar a bola? Tudo isso conta. E nos jogadores que temos por cá, convínhamos, nenhum é Messi, Xavi, ou Iniesta. Por isso, ainda se torna mais relevante que queiram “competir” em todos os aspectos do jogo. Se isto são ou não ideias “para vender mais” não sei. Mas sei que é o resultado do que é o jogo, hoje. Quem não quiser entender isto, pode continuar a sonhar com Zicos e Platinis. Porque cada vez mais o jogo pede que os jogadores sejam mais competentes em todos os aspectos. E tendo 4 para escolher 3, sabendo que dos 4 um é melhor com bola mas não quer correr e não cumpre com nada do que o treinador pede, eu metia sempre esse de fora com uma facilidade tremenda.

  2. Os posts deste blog são de uma banalidade desconcertante e ainda por cima mal escritos que até dói.

    “A predominância do cérebro sobre o físico. Mesmo no futebol.” – Deviam pensar em mudar esta frase de apresentação. Aqui há pouco cérebro.

    • “Os posts deste blog são de uma banalidade desconcertante”

      E ainda assim continuas por cá, e de certeza absoluta que cá voltarás!

      “e ainda por cima mal escritos que até dói.”

      Aceito isso com a naturalidade de quem sabe que não é especialista na escrita. Mas, o objectivo é que a mensagem passe.

      “Deviam pensar em mudar esta frase de apresentação. Aqui há pouco cérebro.”

      Devias tu pensar (coisa que não tens feito cada vez que cá voltas) nas escolhas acéfalas que fazes na tua vida. Um tipo que acusa os outros de falta de cérebro, por achar que tem cérebro, não volta a um sítio que de nada lhe serve. Ter cérebro é muito isto, pensar antes.

  3. Gostava que o autor me explicasse se possível onde começa o momento ofensivo e acaba o momento defensivo… Só mesmo por curiosidade… Obrigado

  4. e um central quando a sua equipa esta em processo ofensivo(organização) que não oferece linha de passe e começa logo a encurtar o espaço para o avançado adversário para evitar a transição ofensiva esta em que momento?

      • Ora a pergunta do Romário é de um estado de estupidez… E a tua resposta à pergunta dele? Estado de saloice? Bacoco? … Afinal, qual é o momento que o central se encontra? … O amigo desculpe dizer-lhe isto desta forma… Mas por vezes é necessário ter algum cuidado com o que se escreve!

        • “Ora a pergunta do Romário é de um estado de estupidez…”

          Onde é que viu isso escrito?!

          “E a tua resposta à pergunta dele? Estado de saloice? Bacoco?”

          Não. Respondi com exactidão à questão que ele colocou, dando a minha opinião sobre o momento em que o central se encontrava. atestado de estupidez é a tua interpretação da resposta.

          “Afinal, qual é o momento que o central se encontra?”

          Já respondi ao romario.

          “O amigo desculpe dizer-lhe isto desta forma… Mas por vezes é necessário ter algum cuidado com o que se escreve!”

          Não somos amigos, em primeiro lugar. E sim, é preciso ter muito cuidado. Principalmente para não se cair no ridículo.

      • E quando um central faz a chamada “cobertura ofensiva” no 6 para garantir uma resposta rápida em perda de bola, em que momento está? 😉

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