António Conte e o bem mais precioso do treinador actual: o treino.

Cada vez mais o tempo vai escasseando com o aumento do número de jogos e de competições a disputar para cada clube. O bem mais precioso para um treinador, e o que melhor garante resultados na altura de operacionalizar o modelo de jogo. A determinada altura da época as grandes equipas, que jogam todas as competições até ao final, apenas têm tempo para treinos de recuperação entre os jogos das diferentes competições. Não há como com exercícios correctivos abordar o que esteve menos bem no jogo anterior, nem tão pouco preparar de forma adequada a estratégia para o jogo seguinte. Por isso é desde logo uma vantagem, ainda que nem sempre garanta resultados, mais tempo para treinar durante a semana. Conte explica.

Não jogar na Liga dos Campeões poderá ser uma vantagem, pois poderei trabalhar mais com os jogadores. Claro que se me perguntarem se prefiro não estar nesta situação, respondo que não, pois o Chelsea deve estar nessa competição. Mas o facto de não estarmos representa que podemos treinar toda a semana

Com mais tempo para treinar do que os principais rivais, Conte garante para si mesmo mais tempo para trabalhar as suas rotinas. E por isso, ainda que pouco conhecedor do contexto onde está actualmente tem uma pequena vantagem para Wenger, Guardiola, ou Mourinho na corrida pelo título.

Blessing
Sobre Blessing 88 artigos
Treinador de futebol, de momento na formação. Experiência como Treinador Adjunto no escalão de seniores masculino e feminino, tendo esta época culminado com a conquista de todas as provas nacionais em disputa. Desempenha também funções como Scout para 1ºLiga. Criador do Blog Posse de Bola

27 comentários em António Conte e o bem mais precioso do treinador actual: o treino.

  1. O bem mais precioso de uma grande treinador, é a escolha dos jogadores e a grande leitura rápida do jogo… O treino vem depois amigo!

    • São opiniões. Para mim, os grandes treinadores e mais ganhadores ganham a esmagadora maioria dos seus títulos no treino. Até porque são muito poucas as competições onde a prova se resume a um ou dois jogos.

      • Os grandes treinadores / ganhadores, a primeira coisa que fazem é escolher os jogadores para ganhar… O treino vem muito depois… É do treino que vai nascer o jogo coletivo da escolha dos seus jogadores… Mas primeiro para ganhar é preciso teres os melhores do teu lado! … Livrescos não falta por esse mundo fora… é preciso estar na prática (contexto de alta exigência) para se perceber isso! … Sim são opiniões!! Claro!

        • “Os grandes treinadores / ganhadores, a primeira coisa que fazem é escolher os jogadores para ganhar… ”

          Não me parece que seja bem assim. Nunca vi um grande treinador super ganhador chegar a um clube a contratar 11 titulares. Portanto, na minha opinião, primeiro vem o treino que faz com que o treinador perceba quem vai cumprir com as suas expectativas ou não. Depois, escolhem-se os jogadores que melhor resposta deram dentro da ideia de jogo. No final disso, vão-se buscar jogadores de fora que possam cumprir melhor do que os que lá estiveram. Quando se escolhe ao contrário, que acontece em todos os clubes, sem treino, são um, ou dois casos. Os outros costumam aparecer sempre depois do treino, e do conhecimento do jogador dentro do processo. Ainda que por vezes o tempo dentro do processo seja pouco. Não conheço um único treinador que tenha ganho muitos títulos nos últimos vinte anos que não fizesse isto dessa forma. Claro que tu podes estar dentro do processo de um treinador super ganhador, e por isso ter outra informação menos livescore do que essa. Mas há uma coisa que os grandes treinadores (que ganham consecutivamente) todos têm em comum: acreditam no treino em primeiro lugar para resolver problemas. E só depois nas contratações.

          • Entendo… Ora é um facto que estás a falar de coisas que desconheces… O processo de contratação de jogadores num clube ganhador, não se faz por “atado” 11 titulares… Poderia estar aqui o dia todo, mas se não conheces o básico (construção de um plantel, para ganhar títulos), iras ter mais dificuldade em entender aquilo que te “quero” transmitir!! … Só mais uma nota… Conheces todos os treinadores, para afirmar que eles não treinam?! É que isso demostra pouca inteligência, para argumentar aquilo que acredita … No entanto, para que fique bem claro, eu não disse que o treino não é importante, aliás é demasiado importante para ser alvo de prioridades num treinador… Mas está muito longe de ser aquele que é o bem mais precioso de um treinador seja ele ganhador ou menos ganhador!!
            aliás grandes promessas de treinadores muito competentes, são despedidos ao fim de 5, 6 jornadas, devido ao pouquíssimo conhecimento que tem de construir um plantel… Eles acham que com “barrotes” e uma boa ligação do treino a um jogar, vai triunfar!!! … Nada mais errado!! Talvez seja fruto de um excessivo “falar” do treino e pouco do jogo…

          • Não, não conheço. Mas afirmo de forma veemente que esses de que falo treinam demasiado o seu processo. E não são assim tantos, como se pode perceber pelo critério. Há relatos recentes de treinadores (nem meses têm) que dizem exactamente o oposto de ti. Se calhar eles, que já foram várias vezes campeões, também desconhecem como se faz para se ser campeão. Mas, se eu desconheço, pronto. Portanto, escusas de perder tempo a explicar, assim eu continuo a acreditar naquilo em que quem lá anda diz.

        • Futebol, és seleccionador de que seleção???
          É que só aí é que tens de escolher primeiro os jogadores antes de treinares.

          Começas a falar de que só quem lá anda é que sabe, sem argumentar nada, mandando cá para fora clichés.

          Explica lá por A+B porque é que o mais importante é escolher o plantel do que o treino?
          Explica lá porque é que és um treinador com tanta experiência que se dá ao luxo de falar para ser verdade?

          Ficaste picado com alguma publicação deste blog para vires para aqui embirrar em vez de discutir, argumentando, o tema do post.

          • Estás muito excitado, para quem tem assim tão poucas dúvidas!! … Só pelo facto de o blog lançar questões muito pertinentes é que despertam a necessidade de interagir… Dei a minha opinião… O autor deu a dele, compreendo o ponto de vista dele, pois, eu não disse que o treino não era importante, pelo contrário, é tão importante para ser alvo de prioridades… Mas primeiro está a escolha dos jogadores… Estás a falar de contextos de formação, eu estou a a falar de contextos como por exemplo o do Antonio Conte! … Mas tu ficas com a tua e eu fico com a minha… Facilíssimo!

  2. Mas o jogo também coloca em avaliação o sistema de jogo e a liga dos campeoes é muito exigente nesse aspecto (apesar de poder mascarar, devido à motivação) e aí também se treina e se calhar da melhor forma. Será sempre um pau de dois bicos….

    • Se calhar estou a ser injusto, mas individualmente nas competições internas têm mais jogos competitivos do que contra as equipas cá de fora. Pela mais valia individual. Isto, claro, em condições normais, num sorteio normal onde o Chelsea seria cabeça de serie. O jogo coloca em avaliação sim, e os estímulos que recebem contra equipas de outros países são diferentes. Mas existe algum país no mundo com mais jogos do que a liga inglesa? Mesmo contando que as equipas inglesas não joguem provas europeias. Acho que se existir a diferença é residual. Contando, claro, que a equipa vá até às fases de decisão de todas as provas internas. Agora, como ele disse e bem é preferível lá estar do que não estar. Porque para lá dos estímulos diferentes, é uma prova que os jogadores todos gostam de jogar. E pode surgir de uma boa campanha motivação para mesmo sem treino, e com uma boa gestão do plantel, a equipa continuar a ser bem sucedida em todas as provas. Resumindo, não creio que seja pelos jogos que se fazem na Champions que a equipa fica mais ou menos competente. Numa época da liga inglesa normal o estímulo da champions (defrontar equipas mais fortes ou do mesmo nível) existe várias vezes ao ano.

      • claro que são poucos, relativamente a liga inglesa…mas vai haver estimulos diferentes. Mas pode dar motivação, bem estar. Também poderá ser o contrário…..! Acabo por concordar contigo. Apesar de isto é sempre um pouco subjectivo…e pode resultar para uma equipa e para outra não…..!

        Este ano, parece que vamos ter um campeonato ingles a dar um salto grande em termos qualitativos…parece-me que vão dar um salto grande também em termos de selecção, com isto…..se estes treinadores continuarem por la 3 ou 4 anos….

  3. O jogo também pode ser considerado uma aprendizagem, e na minha óptica aprende-se mais a jogar do que a treinar. Em todo o caso o treino é essencial para mecanizar movimentos e dar capacidade de resposta aos vários estímulos, mas sobretudo para o treinador mostrar aos jogadores onde podem estar o erros de abordagem aos vários momentos e qual a alternativa(s) correctas/pretendidas. Em jogo poucos jogadores conseguem reconhecer os seus erros e corrigi-los no imediato.

    • “O jogo também pode ser considerado uma aprendizagem”

      Claro. Mas já respondi a isso acima. Na Champions fazes no máximo 13 jogos, certo? Corrige-me se estiver enganado. São esses 13 jogos europeus que fazem a diferença da aprendizagem? Não me parece. Até porque em Inglaterra o número já é superior aos dos restantes países. E creio que chegando longe nessas competições internas, faz-se o mesmo número de jogos que outras equipas que fazem os 13 da champions. Não deixando de contar que o número de jogos contra adversários do mesmo nível ou superiores é bem maior que nos outros países.

      “mas sobretudo para o treinador mostrar aos jogadores onde podem estar o erros de abordagem aos vários momentos e qual a alternativa(s) correctas/pretendidas. ”
      Discordo. O treino é fundamental para isso, mas não menos importante é para o treinador dar a ideia aos jogadores do que pretende. Sem essa ideia não há erros nos jogos. Porque primeiro vem a lição, depois a situação, depois o erro, depois a correcção. Sem lição não há erro porque não foi pedido nada em específico, portanto os jogadores podem fazer tudo o que lhes apeteça em campo. E não é assim. Em todo o caso, concordo que a aprendizagem maior é a do jogo, se devidamente orientada no treino. Daí os jogos de treino. Porque o adversário coloca-nos sempre dificuldades e cria situações que não foram trabalhadas no treino. Ou, tendo sido, coloca-as de forma diferente e exige adaptação dentro da mesma ideia que se treinou. Mas não dá para trabalhar o modelo de jogo no jogo, nem para corrigir erros. É preciso ir introduzindo e depois corrigindo, por isso o treino é tão fundamental quanto o jogo na construção de qualquer modelo de jogo.

      • boas,
        blessing, quando referes lição, estás a dizer que primeiro o treinador deve ensinar uma forma de resolver uma situação (ou conjunto de situações semelhantes) e depois verificar na situação se erra ou não, de acordo com a tua forma de resolver/lição, é isso, ou interpretei mal?
        se for, eu não concordo. porque nesse caso, o erro não é em relação ao jogo, é em relação à forma de resolver que tu queres. Se um jogador resolve uma situação sem ser da forma que tu pretendes, como reages? o que fazes em treino?

    • Pois não, porque no final da época já há muitas outras coisas em jogo que podem levar a que não se treine tanto o modelo de jogo. Interpretando isto de forma justa, e percebes onde se fala do tempo…

  4. “António Conte e o bem mais precioso do treinador actual: o treino.”

    Caro Blessing

    Insisto.

    E muitas vezes, o treino e consequentemente o trabalho do treinador é minado pelas brincadeiras nas selecções.

    Sistematicamente, muitas vezes durante a época, nem sequer há jogadores suficientes para fazer um treino colectivo, depois chegam desgastados, muitas vezes com mazelas e lesões impeditivas de treinar e jogar.

    Pior ainda, os jogadores quando vão brincar nas selecções andarem a treinar noutros sistemas tácticos diferentes dos praticados pelos treinadores dos clubes, com movimentações diferentes, etc.

  5. Sem dúvida que o Superleão é o maior, falta é acrescentar uma palavra à frente da expressão “maior”.

    Será que pelo numero e pela intensidade dos jogos ingleses, o “sistema” do Conte não terá muito mais problemas do que por exemplo em Itália?
    Não sei até que ponto é que a exigência que o modelo exige a nível físico, não vai ser uma grande dificuldade num contexto tão diferente…

      • Sim, do Klopp também, apesar de achar que não é tão exigente como o do Conte. Mas esperemos para ver os ajustes que eles irão fazer aos próprios modelos…
        O Chelsea tem ainda o problema de ter um plantel “envelhecido” e não me parece ter jogadores nas laterais para dar o que o Conte pretende. Ainda falta 1 mês até o mercado fechar, mas as contratações não me parece que tenham sido grande ajuda. As do Liverpool nem comento… muda o treinador, mas não parece mudar muito a politica a esse nível.
        Atenção que eu não sou a cabecinha que diz que as contratações são o mais importante 😛

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