Deixem-me falar-vos de um tal André

Faça o seguinte exercício. Espreite os vinte e três campeões europeus. Sobretudo os centrocampistas e veja onde estavam todos no seu segundo ano de sénior.

Sobre André já muito se falou por cá. Da criatividade, às botas que descobrem tudo e a qualidade técnica que faz tudo o que uma mente brilhante observa, tudo no futebol de Horta é aprazível. A cabeça levantada, a condução, a forma como descobre espaços e pasme-se, até como sem bola se entrega mais do que o habitual nos génios da década de noventa. André não será o último dos românticos. Mas talvez seja um dos últimos da espécie que se entrega em todos os momentos.

Em Tondela, aquele “serpentear” só pode fazer recordar de quem tanto marcou os adeptos encarnados. Um outrora génio da camisola dez de meias para baixo. Depois da pré-época, nada surpreende no miúdo que veio para ficar.

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

6 comentários em Deixem-me falar-vos de um tal André

  1. No final do jogo contra o Braga pensei para comigo precisamente isso. Faz lembrar muito o Rui Costa! A forma como pensa e excuta! Estou rendido ao talento do André Horta, apesar de achar como é natural que lhe falta ainda o que o tempo naturalmente lhe há-de dar!

  2. Rui Costa pois claro, o melhor ou mais capacitado jogador PT de sempre, notoriamente superior a (3º) Luís Figo e igualmente superior a (2º) João Vieira Pinto. Entre todos os adeptos de Batistuta, Edmundo, Shevchenko e Inzaghi, quanto deveriam agradecer a Rui Costa pelos números que alguns destes vultos atingiram, com o fabuloso Ucrâniano e o bom Italiano à cabeça.

    São génios. É claro que a forma influencia muita coisa mas é impossível que génios como estes não tenham sempre qualquer coisa para dar, independentemente de como estiverem, qual o clube que representarem, idade ou panorama emocional e mental. Olhe-se por exemplo os Benfica entre 2007 e 2009 ou lá o que foi, equipas completamente BANAIS especialmente a do Camacho (2ª passagem) mas que na Luz pareciam tremendamente boas só porque, sem qualquer exagero, só pela única e exclusiva razão de que Rui Costa estava em campo.

    Jamais existirá igual.

  3. Este blog seria o último onde eu imaginaria que se sublinhasse um momento magistral, mas só isso – um momento – em detrimento de todo um jogo muito, muito abaixo das expectativas e das exigências. Aliás, quase todas as intervenções de A Horta antes do golo haviam sido totalmente disparatadas. O golo é fabuloso, mas um dia até o Carlos Bueno marcou 4 num só jogo.
    Falando por mim, gosto do jogo como um todo e não duma centelha. A centelha mostra que ele tem qualidade, mas o jogo em si mostra que talvez ainda tenha um longo caminho para ser o jogador importante para o SLB que muita gente pensa que ele já é. Pessoalmente, ainda não estou convencido.

  4. Os comentários de Sebastian Arias e de Iuri Medeiros são uma excelente oportunidade para fazer notar as dificuldades em geral de uma análise científica de uma partida de futebol; vistas por um leigo.
    O futebol é um jogo entre dois pequenos exércitos, em que ganha quem marcar mais golos que o adversário. À partida, a ciência do futebol será perceber quais devem ser as tácticas colectivas e técnicas individuais que assegurem a vitória. Imaginemos que ganhar um jogo é um problema de optimização, em que as variáveis de entrada são os comportamentos individuais e colectivos dos jogadores da nossa equipa e da equipa adversária e o resultado final, a optimizar, é a diferença de golos entre a nossa equipa e o adversário. Que grande problema! Primeiro, à partida não conseguimos controlar como o adversário irá jogar. Segundo, as variáveis de entrada são tantas e a variável de saída é só uma. Terceiro, o jogo de futebol é parcialmente aleatório e o adversário não vem treinar connosco; logo não se pode calcular com precisão.
    A solução é criar variáveis finais adicionais, que tomamos como guias de sucesso. Por exemplo, quanto mais lançamentos para a grande área a minha equipa fizer, ou mais tempo tiver a posse de bola, mais provável será a vitória. São escolhas estratégicas feitas por ambos os treinadores, sendo que umas encaixam melhor ou pior noutras, sendo precisamente ajustadas umas em função das outras ao longo do tempo. A história do futebol pensado é um relato de uma coevolução dos estilos de jogar.
    Atribuir-se mérito às opções estratégicas requer tempo. Tempo para acumular e organizar dados. Coisa que nós, leigos, não fazemos, mas os profissionais fazem. Porque a base da ciência – isto é, de qualquer estudo sério e racional – é o reconhecimento de padrões que à força de se repetirem provam a sua importância. A seriedade tem um preço; exige ponderação.

    Assim, elogia-se aqui Jorge Jesus, não só porque é bom, mas porque já tivemos tempo de perceber porque é bom. Por outro lado, não podemos ainda apreciar devidamente no que Rui Vitória é bom, porque ainda não tivemos tempo; sendo que a colocação em campo de um distribuidor de jogo com características muito diferentes do anterior é uma grande oportunidade para destrinçar entre o que é do treinador e o que é dos jogadores.
    Quanto especificamente a André Horta, a sua posição é precisamente a de um estratega dentro do campo. Logo, se há função que devamos ter mais ponderação a julgar, é a dele. Deixem a orquestra afinar e entretanto alegremo-nos de existir um blogue chamado “Eu visto de Vermelho e Branco” que nos oferece um vislumbre do trabalho dos profissionais. Hoje ou amanhã deverá estar a sair a análise ao mais recente desempenho de quem falamos.

    Nota à parte, utilizando uma expressão deliciosa do inglês americano, como o teclado: expliquem-me como se eu tivesse cinco aninhos porquê tantos ditos apoiantes de um clube que tanto elogiaram a aposta bem sucedida num jogador jovem, da casa e raçudo, na época anterior, propõem desde o início da pré-época a contratação de um valor consagrado para tapar o lugar a um outro jogador raçudo, da casa e jovem?
    Será que a côr do cabelo do segundo não se adequa às tendências da moda Outono-Inverno de 2016, ou será que a maioria de nós, adeptos, buscamos nada mais que um palanque para cantar de galo?

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