A chave na posição 6. William.

William Carvalho a liderar todo o processo do Sporting. Com bola e sem bola o melhor jogador em campo. Na forma como soube alterar as condições do jogo quando estava confuso, refreando o ímpeto dos colegas de chegar rápido à frente. Pautou, organizou, liderou cada ataque mesmo que apenas com gestos. Defensivamente irrepreensível no posicionamento, nos duelos, na reacção à perda, e no primeiro passe após a recuperação. A segurança defensiva do Sporting esteve muito na forma como William não perdeu a bola primeiros momentos após recuperar. A chave do sucesso, num jogo onde o Porto apenas jogou aquilo que o Sporting deixou.

Bryan Ruiz em dificuldade no corredor central pela velocidade de decisão e de execução. Ou melhor, pela falta delas. Decidir rápido é diferente de decidir bem, mas dificilmente onde há menos espaço se consegue evidenciar sem decisões e execuções rápidas. O seu melhor jogo apareceu sempre que recebeu com mais espaço, e menor agressividade por parte de quem pressionava.

Bruno César, que decide pior, esteve melhor como segundo avançado porque decide e executa à velocidade da luz. Foi essa mudança que deu ao Sporting o que precisava para ser relevante do ponto de vista ofensivo.

A mobilidade de Slimani para arrastar, fácil de perceber por ser o jogador alvo de qualquer estratégia defensiva. Os movimentos para o corredor lateral, que fazem notar a imensa dificuldade em dar seguimento pela sua menor valia técnica.

Gelson marcou o golo que deu a confiança para uma exibição endiabrada nos desequilíbrios individuais, onde é muito forte. Defensivamente, como se exige, muito responsável.

Adrien a jogar para a notoriedade e por isso, por não se proteger, pouco em evidência.

Rúben Semedo a compensar os erros nos comportamentos tácticos colectivos com a sua capacidade física. Se no pormenor se percebem um ou outro erro no controlo dos espaços, Rúben foi busca-los.

André Silva. Movimento. A ganhar espaço  para si mesmo. Nunca demasiado perto dos centrais, nunca a pedir sempre na profundidade. Percebe que quando se aproxima e não recebe é hora de ir embora. Com um jogo mais elaborado do ponto de vista ofensivo André e o Porto se tornariam muito mais perigosos.

O Porto fechou muito bem o corredor central na primeira meia hora, com agressividade, sem deixar o Sporting jogar por dentro como tanto gosta. Depois disso, o jogo foi o que o Sporting quis fazer dele. Nem sequer em transição ofensiva o Porto conseguiu ser uma constante ameaça.

A mudança de Herrera para o corredor lateral, e a saída de Corona retirou qualidade ofensiva. E foi com essa opção que Nuno Espírito Santo tentou combater o “massacre” a que o seu corredor direito estava a ser sujeito.

Naturalmente que à terceira jornada não se esperava um padrão de jogo vincado por parte do Porto, até porque pelo que se sabe as maiores prioridades de Nuno Espírito Santo estiveram no processo defensivo. Jesus aproveitou a vantagem do jogo grande ter sido “demasiado” cedo, sendo que ele já tem um ano de trabalho em cima da sua equipa. Dominou com bola e controlou defensivamente. Foi uma vitória colectiva que ficou expressa no resultado.

Blessing
Sobre Blessing 88 artigos
Treinador de futebol, de momento na formação. Experiência como Treinador Adjunto no escalão de seniores masculino e feminino, tendo esta época culminado com a conquista de todas as provas nacionais em disputa. Desempenha também funções como Scout para 1ºLiga. Criador do Blog Posse de Bola

18 comentários em A chave na posição 6. William.

  1. A chave na posição 6 também do outro lado. O Danilo é menos um na primeira fase de construção. Fica mais difícil ligar com os jogadores mais avançados. E o Rubén Neves continua no banco…

  2. O William tem vindo a melhorar imenso no controlo da zona defensiva do Sporting. E tem-se visto com mais frequência as suas chegadas à baliza contrária (hoje notou-se bem).
    Mas aqueles pezinhos à frente da baliza trocam-se ahah

  3. O Semedo fez uma exibição monumental…

    Este Sporting vai crescer muitos ainda pois vai ter mais qualidade individual com a entrada de reforços na equipa. O coletivo já tem uma marca enorme de Jorge Jesus.

  4. Muda a equipa, mudam os jogadores, mas o cunho de Jesus está lá sempre.
    Grande reaccao aquando da perca da bola, laterais a darem largura, medios “ala” a jogarem por dentro e a darem sempre linhas de passe, está lá tudo.

    Uma qualidade enorme de jogo, e este ano acho que terá mais individualidades (Campbell acima de todos os outros) para resolver os jogos complicados quando o colectivo não o conseguir.

    Parabens Jesus.

  5. O que tem o Sporting falta ao Porto: médios inteligentes. Enquanto Herrera, Danilo e André forem o meio-campo portista, resultados destes continuarão a ser frequentes. Espero que com Óliver melhore (e vai melhorar certamente), mas o grande crime é o Rúben não calçar. Infelizmente já previa que isto acontecesse com o Nuno, mas um meio-campo com Rúben e Óliver era meio caminho andado para se mandar no jogo.

    André Silva demasiado sozinho na frente, e como habitual, o Sporting a contrastar com o Porto nas segundas bolas, ganhava-as todas. Foi uma das grandes diferenças no jogo. Otávio hoje sem conseguir fazer a diferença, e como previsível o Porto foi uma nulidade na criação ofensiva. A única maneira de criar perigo foi a tentar explorar a profundidade (excelentes desmarcações do André, mas talvez demasiado lento a rematar permitindo ao Semedo fazer uso do físico absurdo para recuperar) e bolas paradas. De resto, foi a nulidade habitual.

  6. Completamente de acordo com o post. William foi o homem que determinou o que o jogo iria dar. Omnipresente. Controlo absoluto do meio-campo com uma superioridade individual sobre todos os restantes protagonistas. Superioridade no posicionamento, na mobilidade, na capacidade técnica na dimensão física. Enorme exibição.

  7. O William, de facto, fez um grande jogo apesar de ter estado nos limites da agressividade. Não tenho dúvidas que é melhor que o Danilo. Acrescenta muito mais em termos de construção, tem melhor posicionamento.

    Concordo inteiramente com o comentário acima do Guilherme Silva, este meio-campo do FCP anda-me a dar cabo da cabeça. É mau demais ver Danilo, Herrera e André André juntos no meio-campo. Espero ainda ver Ruben, Oliver e João Teixeira ao mesmo tempo. Se não for possível ver o Teixeira ao menos o Evandro. Mas duvido disso com o NES. O Oliver já teve lá 2 lances que demonstrou o que pode fazer com 2 grandes passes em desmarcação, 1 foi um fora de jogo mal tirado ao André Silva que o isolava e outro o André Silva tentou rematar quando podia ter isolado de cabeça o André André. Acho que a partir do próximo jogo é titular.

  8. O Homem ,da noite, é um e só um, chama-se Jorge Jesus! Por mais que muitos não gostem dele é claramente o melhor treinador português da atualidade e dos melhores do mundo. A forma como o Sporting mantém a sua elasticidade de jogo, inteligência tática e movimentações fluidas depois da saida do João Mário e o banho tático que o NES levou do Jorge, demonstram que o Jorge merece voos mais altos. Quando saiu do Braga o domingos conseguido um 2 lugar e foi para o Sporting e.. Desapareceu… O Jesus sai do Benfica e o mesmo com rotinas de 6 anos e com quase o mesmo plantel é tri.
    Agora será a vez de Jesus

  9. Incrivel o SCP.

    Quando a organizacao eh top, todos os jogadores teem o seu trabalho facilitado. Ofensivamente, porque teem sempre solucoes, tanto de progressao, como de seguranca. Defensivamente porque o controlo das distancias interpessoais em relacao a bola impossibilita o adversario de criar problemas dificeis de resolver.

    Muito muito bom.

    Muito bom tambem, Andre Silva. Tanta qualidade na relacao com bola, mas mais ainda na maneira como se mostra para receber, e quando nao acontece, faz movimentos de arrastamento para criar espaco para receber na profundidade.

    Tem tido imenso sucesso neste inicio de epoca. Agora imaginem com Oliver e Neves no corredor central.

  10. Mais uma demonstração do que é o JJ. Qualidade a todos os níveis dentro de campo. Qualidade única.

    Jogadores fracos a jogarem como nunca. Grande jogo do R. Semedo por exemplo. FCP sempre no sufoco tirando os primeiros minutos. Com e sem bola.

    E, tal como se previa, muitos reforços para JJ.

    O André Silva é fantástico, fez um grande jogo, mesmo sem apoios para combinar.

  11. É realmente impressionante quando uma organização colectiva permite parecer que o João Pereira é melhor que o Layun, que o Bruno César é mais jogador que o Corona e que o Zeegelar pode ser mais fiável que o Alex Telles.

    Depois claro, há jogadores como o William que jogam outro futebol e que desde que em forma levam o modelo para outro nível em termos de segurança em posse e sem bola, capacidade de posicionamento e sair a jogar.

    Mas nunca deixo de ficar surpreendido com o nível que o Jesus é capaz de levar jogadores banais, fazendo-os enfrentar desafios em que são francamente fortes, subindo-lhes a confiança, e faz parecer que se está perante um extraordinário jogador de futebol. Rúben Semedo à cabeça, é impressionante o jogo que faz, com as lacunas que acaba por ter, mas que envolvido constantemente em duelos 1×1 é temível e foi isso que o jogo lhe reservou, quase sempre, e que se conseguiu superiorizar.

    Ainda hoje o acredito que o hype do David Luiz resiste pelo que fez com o Jesus, aqui pode perfeitamente estar um segundo exemplo. É também por isto que os milhões que lhe pagam acabam por sair baratos e a arrogância que lhe é reconhecida tem razão de ser. O homem é realmente bom.

  12. Bom jogo do Semedo também. Apesar de ser relativamente desvalorizado, tem uma capacidade física e técnica brutais para a posição que ocupa é um excelente mestre para o resto. Faz lembrar o Pepe, até nas paragens cerebrais.

    Quanto ao William, não há palavras. Pensar que havia quem defendesse a titularidade de um pino em detrimento dele…

  13. Sou grande admirador das qualidades de William desde a época que fez com Leonardo Jardim.
    Sou tb grande apreciador de JJ.

    MAS alguém me pode explicar o que fez Jesus por William?

  14. Li o vosso post e depois fui rever o jogo e fiquei com a ideia de que o mérito do William estava um bocado associado à falta de pressão do porto. Enquanto houve pressão o Sporting decidiu mal e foi obrigado, constantemente, a usar a profundidade como solução e quando a pressão diminuiu o William teve mais tempo para pensar e executar melhor. É inegável a capacidade deste se posicionar bem constantemente e que a sua capacidade de passe é boa mas daí a ser o homem do jogo acho um bocado exagerado pq enquanto o porto pressionou o William existiu do ponto de vista defensivo (o que já é muito mais do que o Danilo faz -.-). Não concordas Blessing ?

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