Em organização ofensiva todos os pezudos atrapalham. Voltará a Premier a ceder ao domínio da Organização Ofensiva?

Seguindo o United de José Mourinho.

A expectativa para a presente época é grande. Mourinho apresenta um modelo preparado para sobreviver numa Liga terrivelmente competitiva como a inglesa. Pouco risco. Transições defensivas sempre preparadas porque deixa sempre um número considerável de jogadores atrás da linha da bola (os laterais praticamente não dão profundidade. Somente com bola no seu corredor e quando o portador pausa de forma tão acentuada o jogo, quase que obrigando lateral a mostrar-se).

A estratégia continua a ser ofensivamente exacerbar a transição (a contratação milionária de Pogba que em condução come metros com bola a grande velocidade, mostrando-se sobretudo nas transições, como que o demonstra), e ser feliz nas bolas paradas.

A contratação de Zlatan como que garante maior eficácia e menor necessidade de criar em grande número porque o sueco não precisará de muitas oportunidades para deixar marca.

À data vê-se um United demasiado aborrecido com bola. Ou não a quer, ou não sabe desequilibrar e criar com ela, quando inicia construção. Não há mobilidade alguma, e sobretudo há jogadores que condenam cada posse à transição adversária. Defesas laterais (na Holanda, Rojo e Dármian) com pouquíssima qualidade técnica e de decisão para a realidade em que jogam. E se em organização todos são importantes e todo e qualquer passe e decisão é relevante, entrar com dois, três, quatro jogadores que condenam cada posse torna-se praticamente insustentável.

Continua a equipa de Mourinho com comportamentos indefinidos em organização ofensiva. Continua a equipa de Mourinho com dificuldades tremendas quando assume ou tem de assumir o jogo.

O mais apaixonante treinador português, continua sem garantir comportamentos de excelência para cada momento do jogo. Por opção, porque enfrenta uma realidade em que possivelmente é determinante que não se exponha. Porém, talvez se prove este ano na Premier, que a organização ofensiva continua a garantir os melhores resultados em provas de regularidade, depois do acidente Leicester na temporada passada.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2362 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

9 comentários em Em organização ofensiva todos os pezudos atrapalham. Voltará a Premier a ceder ao domínio da Organização Ofensiva?

  1. Só vi o United em jogo outro dia contra o City, mas pareceu-me que a organização defensiva não era nada de especial. Era mais defender com muitos e pronto.

  2. José Mourinho está irremediavelmente ‘perdido’ em relação ao ‘apaixonante’ que o texto refere, monstro devorador no FCP e algum Chelsea combinava domínio total com capacidade de esmagar o que encontrava pela frente (resultados). Continuará a treinar os melhores clubes do mundo mas nunca será como dantes, à semelhança do que durante algum tempo aconteceu para Fabio Capello. Daqui até pegar numa selecção, terá de escolher Ligas onde não abunde mta concorrência se quiser somar muitos títulos. No Chelsea foi campeão porque – lógico – é um bom treinador mas não tinha grande concorrência. O MC de Pellegrini não era exactamente um gigante do futebol Europeu ou sequer da PL. No ano seguinte, ainda sem grande concorrência, deixou o Chelsea a meio da tabela conseguindo responsabilizar os jogadores pelo sucedido, algo que denota desfasamento por parte de JM.

    Até pode vencer o título contra Guardiola, Conte, Pochettino ou Klopp, mas não significará tratar-se dum feito. Precisará que as equipas de Guardiola ou Conte colaborem muito nesse hipotético título do M. United.

    Existe sempre a secreta esperança que um dia JM se reerga das cinzas mas não acontecerá. Falta-lhe massa cinzenta e falta-lhe “brilho”. Mourinho e Wenger deveriam combinar e ir treinar grandes clubes da Holanda ou de França. Aí sim dariam espectáculo e passariam por magos. Wenger está ‘morto’ para aí há 8 anos, só que o Arsenal ainda não deu conta, caso o Arsenal se proponha vencer títulos. Não faço ideia se se propõe.

  3. Posso dizer uma coisa? Maldini, não publiques se achares que isto é ‘negativo’ para a tua pessoa: a minha esperança é um dia ver Guardiola, Jesus, Maldini e Klopp na mesma Liga, sem desprezo por outros grandes treinadores. Mas com Klopp numa equipa realmente grande e não no Liverpool. Esperança honesta e realista. Agora José Mourinho? Um fantasma ao nível do treinador do Bayern cujo nome agora não recordo, com a diferença que esse ao menos não gera as mesmas expectativas de JM. É um peso morto para os clubes e para os seus jogadores, pelo menos em equipas de topo como Manchester United. Olha é isso mesmo: Mourinho tem de ir para o Bayern e disputar títulos que não se vejam disputados por nenhum treinador de topo. Aí sim ele será campeão 1 ou 2 vezes seguidas e jogará novamente os 1/4 de final da LC. E depois de ser eliminado pode culpar os jogadores, erros individuais, conspirações de balneários e jornalistas, como ele gosta muito de fazer.

    • O Maldini já brilha na Champions, não fossem as malandras das norueguesas e continuava em prova.

      Jesus, se fosse apenas competência, já lá estaria há muito tempo. Não sei se o Valência para o ano (ou para o Natal) tem vagas abertas…

      As diferenças entre as francesa e alemã é, a meu ver, que tacticamente a liga alemã está nivelada por cima e a francesa por baixo (correndo o risco de ser injusto por não seguir o futebol francês com regularidade).

      Mourinho na Liga Alemã faria o que fará o Ancelotti: qualidade individual tão acima da concorrência, uma estrutura que percebe de futebol como poucas e uma capacidade para comprar talento como mais nenhum outro clube alemão, fazem com que seja preciso um esforço para não andar no grupo da frente. Só não digo para ganhar porque estou curioso para ver os duelos do Bayern sem Guardiola com os Borussias, o Wolfsburgo e o Leverkusen.

  4. «Continua a equipa de Mourinho com comportamentos indefinidos em organização ofensiva. Continua a equipa de Mourinho com dificuldades tremendas quando assume ou tem de assumir o jogo.»

    Menos elaboradamente foi isto que estava cansado de ver quando desliguei do United, ali perto do minuto 60.

  5. Já não sei onde li isto, mas corroboro: Mourinho e Diego Simeone, em muitos aspetos, são semelhantes na sua essência. Eles são mais material de equipas que aspiram à elite, não treinadores de equipas de elite propriamente ditas. A diferença é que Simeone privilegia o jogo intenso, “de trabalho”, de luta constante, que não necessariamente a luta pela posse de bola e pelo controlo de jogo. Já Mourinho, se quisermos recorrer ao exagero, é uma versão caricaturada de tudo aquilo que muita gente acredita ser o catenaccio. Só que, ao contrário do que aqui se defende, isso, a meu ver, já se manifestava na primeira passagem pelo Chelsea e acabou por ter o zénite (em todos os aspetos) no Inter. Depois disso, sim, começou um lento mas visível descalabro. E lá está: ou foi estagnação ou retrocesso mesmo. O que eu sei é que a passagem por Madrid deixou marcas. E não foram boas.

  6. E mudar a filosofia de quem já ganhou 23 titulos(respeito sff)…foi o que ele é ou era que lhe fez ganhar o que ganhou,mas existe uma variante o futebol e o mundo nao param,estão em constante evolução,zé tem que perceber que só feijao com arroz ja nao chega para ganhar hoje em dia em que todas as equipas ja sabem minimamente defender com bons principios,são precisas ideias e principalmente correr riscos…meter a picanha no prato sem medos

    • gostei dos comentários mas vamos dar tempo ao Mou quem sabe ele está a privilegiar os aspectos defensivos para depois talhar a equipe com bons princípios ofensivos? senão será aborrecidor ver o united a ser humilhado até na sua própria casa, nem no Porto jogava assim,senão nem o Deco brilhava assim como brilhou, espero que ele perceba que só motivar o jogador já não é suficiente, tem de o dotar de funções com princípios revolucionados, pois o futebol está cheio de princípios que são melhorados para surpreender o jogo adversário, eu não tenho dúvida que Mourinho é um grande entendedor da táctica , ele tem de redescobrir como fez a Itália, dizíamos que a Itália só sabia defender, quando isso não é verdade quando mudaram de paradigma no mundial 2006 foram campeões do mundo até hoje a Itália assusta a todos, o futebol ofensivo não é de Guardiola é do futebol, o Mou tem de perceber que se ele adoptar a saída a 3 jogadores não estara a imitar a ninguém pois o mas importante é a equipe ter as suas dinâmicas as suas manhas,eu não tenho dúvida de que ele é um dos melhores do mundo, senão não teria parado o Guardiola no Barça. força Mourinho especial one

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