Raphael Guerreiro – Menos especialização, mais conhecimento do jogo

 

«Joguei sempre como defesa esquerdo. Vim para o Dortmund com a plena convicção de que iria continuar a jogar ali. Mas estou aqui para aprender coisas. Se o treinador me colocar a médio, então irei fazer o máximo que conseguir»

Em Dortmund, tem jogado a interior esquerdo, bem dentro do corredor central, onde os estímulos são radicalmente diferentes do corredor lateral. Em vez de apenas receber informação vinda da direita, neste momento recebe à 360 graus. O que cria a necessidade de analisar mais rapidamente o contexto, para poder decidir em função disso. A maior parte das vezes tem de antecipar movimentos com uma complexidade muito diferente de um lateral.

Tuchel acredita que estará preparado para isso, e os jogos têm mostrado que sim.

O que quer isto dizer para a Selecção Portuguesa?  Neste momento, Raphael esta como indiscutível a lateral esquerdo mas não joga nem treina nessa posição no clube.

Sempre que chegar à Selecção vai ter menos rotinas/automatismos (no fundo, especialização) do que outros jogadores que jogam e treinam nessa posição. Mas vai chegar melhor ou pior jogador? As experiências (num dos 3 melhores campeonatos do mundo) no meio, onde tudo acontece, vão fazer com que seja melhor jogador, mas será que o tornam melhor lateral?

11 comentários em Raphael Guerreiro – Menos especialização, mais conhecimento do jogo

  1. Mágico Dennis, este é o problema das tentativas de transformação / polivalência. De grosso modo, sem qualquer sustentação estatística, arriscaria afirmar com base em meras impressões que em 72% dos casos as mudanças de posição não beneficiam os jogadores, quando a mudança se faz de trás para a frente. Neste caso, de defesa-lateral para médio. Mesma coisa sobre o hábito bem irritante que muitos treinadores têm de transformar belíssimas centrais em “bons” médios-defensivos. Ao contrário, tudo muda: bons, inteligentes médios serão óptimos defesas-laterais. E mesmo que não o forem não faz mal, porque se são bons jogadores eles serão muito-bons laterais, mesmo que não o forem. E é também um problema para os treinadores, já agora, que frequentemente têm de zelar pelos interesses das equipas mas também gerir as carreiras dos seus jogadores.

    Daí, mudanças sim, mas da frente para trás.
    Nunca de trás para a frente.

    “Nunca”, não é dogma. Cada caso é um caso e tem de ser visto dessa forma. Falo de modo genérico, Lahm. Bergkamp, lembras-te quando em Novembro 1997 discutimos, tu e eu, quando engatámos a Patrícia e a Susana, e elas nos levaram para a tua casa onde os teus pais dormiam e jogámos Monopólio a noite toda, as tentativas de Mirko fazer de Rui Jorge um médio substituindo Simão? “Que horror”, disseste. A Rua Augusta é minha, disse a Patrícia, de pernas semi-abertas. “Credo”, acrescentaste quando o Rui Jorge até era um jogador bem inteligente. Mas médios são médios. Tem de ser gente “diferente”. Defesas não são médios, especialmente numa grande equipa como o Dortmund. Por norma, reitero. Cada caso é um caso. NA MINHA OPINIÃO.

  2. “… transformar belíssimos centrais em “bons” médios-defensivos”, penso em Beto com Manuel Fernandes ou Eric Dier com Jesualdo, bem como a restante panóplia de treinadores que vêem Dier como médio. (Não negando que até possa ser um bom médio, ou útil sei lá. Mas prejudicam Eric Dier.)

  3. Mas tendo mais conhecimento do jogo não compensará a menor especialização? Se calhar, na selecção, tornar-se-á um defesa esquerdo diferente do actual, mas não necessáriamente pior…

    Não tendo acompanhado o Dortmund, Raphael a médio consegue ombrear com as outras alternativas?

  4. Boa tarde,

    Na minha opinião sim, se estás exposto a uma posição que obriga a um entendimento superior do jogo, terás ações mais produtivas e consequentes quando voltares ao sítio “original”.

    Mas nunca devemos subvalorizar a capacidade do Fernando Santos de estoirar com os estímulos que os jogadores trazem dos clubes… Total fuck up coach.

  5. “O que quer isto dizer para a Selecção Portuguesa?”

    Caro Dennis Bergkamp

    Obviamente, a análise é uma treta, porque a verdadeira questão deveria ser: Quais são as consequências das brincadeiras de RG no Borussia Dortmund?

    Vejamos, Tuchel coloca RG a jogar a interior esquerdo e, volta e meia, RG vai brincar a LE na selecção.

    Quanto ao futuro de RG, antevejo que possa consolidar a sua titularidade recém-conquistada no meio-campo do Dortmund e possa ser comparado a Lahm quando este começou a jogar no meio-campo.

  6. boa questão…mto difícil de dar uma resposta credível,a meu ver o futuro pertence aos poliglotas e não aos especialistas,pelo menos no futebol que eu acredito,duvido que seja o msm que o fernando acredita

  7. MM,

    O caso do Dier, não resultou com Jesualdo, mas vai resultando muito bem com Pochettino, que o usa várias vezes em posição mais adiantada do terreno.

    Como dizes, cada caso é um caso. Vamos ver como evolui a época, mas até agora parece-me que o Raphaël tem respondido muito bem e está-se a tornar um caso “complicado”. Dizer que neste momento é dos 5, se não dos 3, melhores do Dortmund é ser realista.

    Para responder ao João Santos, sim tem respondido bem. Vamos aguardar pelos confrontos com Real, Bayern e Bayer para ver o que Tüchel faz e como ele responde.

    No caso do regresso à selecção, eu diria que temos ali alternativa para qualquer posição no corredor esquerdo. Até porque não sei o que o Coentrão tem treinado, o Grimaldo não é português e como não vou aos treinos não sei em que forma o Eliseu está. (Bias? Náááá….)

  8. Creio que uma situação contrária seria mais prejudicial, trabalhar no clube numa posição com menos estímulos para na selecção ter um papel maior intensidade (não falo em termos físicos).
    RG tem uma excelente oportunidade de aprendizagem, vai-se tornar melhor jogador. Perde rotinas, ganha mais conhecimento do jogo, e isso basta-lhe para fazer o lugar.

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