Tomada de decisão. O que determina os craques. O exemplo de Alex Telles.

Um exemplo do que se defende por cá desde sempre.

De pouco ou nada importa a qualidade técnica e as capacidades condicionais quando o mais importante não está presente.

Decompondo em características, tantos são os jogadores com traços aprazíveis. Todavia, tal nunca garantirá rendimento de forma contínua se naquilo que distingue os razoáveis dos bons, e os bons dos muito bons, não houver qualidade. De que importa a qualidade técnica se escolhemos sempre o caminho errado e não aproximamos a equipa do sucesso?

Quantos ataques condena um mau jogador na decisão, para aparecer tão poucas vezes a acrescentar? Mesmo que rápido, mesmo que com boa qualidade no passe e condução.

O exemplo do lateral esquerdo do FC Porto. Tudo o que são traços individuais, o “aspecto” é bastante bom. Porém, quando a bola chega às suas botas, os ataques da equipa de Nuno ficam sempre próximos de chegar ao fim. Ou no limite, verem reduzidas as probabilidades de a equipa chegar ao golo.

Não atrai. Não temporiza. Decide à pressa e é sempre vertical, quando no corredor lateral, tantas vezes requer variação na horizontal depois de atrair.

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2348 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

17 comentários em Tomada de decisão. O que determina os craques. O exemplo de Alex Telles.

  1. Ainda não me tinha apercebido verdadeiramente disto e reparava mais depressa na sua velocidade que o ajuda a ultrapassar adversários e a recuperar a posição a defender…mas com bola no pé, (quase) só estraga…
    O treinador devia servir pra corrigir estes aspectos também
    Ainda há dias, o Ricardo Pereira (Nice, emprestado), pôs o Balotelli na cara do golo, exactamente por explorar muito bem o espaço central em vez de andar aos sprints pela linha

  2. Repito o que disse noutro post: um cavalo de corrida, escolhido especialmente pelo NES… indicativo, no mínimo.

    Eu até percebo a ideia de jogar sem extremo fixo, obrigando os laterais a dar sempre profundidade. Convinha é que para além de ser um cavalo de corrida, usasse a cabecinha.

  3. Caro Paolo Maldini

    A verticalidade é consequência do contexto em que a equipa joga.

    Já algumas decisões de Alex Telles necessitam de melhoria.

    • Caro Gonçalo Mano

      Pelos vistos ainda não compreendeste, eu explico-te, mas tens de acordar prá vida.

      O Porto preferiu pagar 6,5 M€ pelo Alex Telles (um tipo que não brinca na selecção), quando podia ter optado pelo Rafa Soares (que brinca nas selecções desde os sub16).

      Agora o Alex Telles tem um bom contrato, joga na CHAMPIONS LEAGUE, e tem forte possibilidade de ainda ser mais valorizado, já o Rafa Soares tem que continuar a rodar, já esteve no Porto B, na Académica e agora no Rio Ave.

      De notar que Rafa Soares é um jogador da formação, ou seja, a formação precisa de melhorar, não está a ser bem feita, porque volta e meia, os jogadores vão brincar para as selecções, o que claramente afecta a sua evolução futebolística e consequentemente financeira.

      • Caro Simões

        Os números falam por si, segundo o transfermarkt, jogou em 7 jogos nesta temporada e foi sempre titular jogando todos os minutos.

        Mesmo se não for nada de mais, está no bom caminho.

        • O grande problema do Messi foi ter começado muito cedo a brincar às selecções. Caso contrário, estaríamos na presença de um fenomeno.

          • Caro Vitor

            Agora imagina o que poderia ser o Messi se não brincasse nas selecções.

            CR7 nas selecções teve sorte, Boulahrouz poderia ter-lhe acabado com a carreira na batalha de Nuremberga.

            Eram só 100 M€ que o Manchester United deixava de receber.

  4. Num dos takes, ele faz um passe longo sem nexo a procurar profundidade de a.silva e o comentador (l.freitas lobo) diz “grande bola”… aqui está uma das razões para se saber tão pouco de futebol em Portugal. A grande maioria dos comentadores nada acrescenta, nada ensina. Aliás, na minha opinião até desensina, já que se metem com argumentos como: o objetivo do jogo é marcar golos e ganhar títulos e por isso o cristiano (que ontem sem ser no momento dos golos, esteve mais uma vez sofrível) deve ganhar a bola

  5. Olhando à performance de Layun este ano e o ano passado, até que ponto esse perfil de decisão não é ideia de NES?
    Parece ser comum aos dois laterais (e frequentemente aos centrais ou ao médio que recua para receber), receber e correr ou esticar nos avançados…

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