O incrível jogo de Diogo Jota e o losango do FC Porto.

442 losango na Madeira, a resultar em pleno.

No momento ofensivo, na construção com Danilo a baixar para entre centrais, Herrera como interior direito, Otávio interior esquerdo e mobilidade entre linhas a sair da profundidade para pedirem no pé Óliver como médio mais ofensivo e Diogo Jota. André Silva sempre a pedir nas costas. Recebeu algumas bolas na profundidade e tal foi decisivo para um menor risco no espaço que Nacional dava entre última linha e guarda redes. Aumentou assim o espaço para Jota receber entre linhas.

Defensivamente, nos primeiros momentos apenas três a controlarem largura (Herrera, Danilo e Otávio). Em organização defensiva Óliver tinha tempo para voltar e formar linha de quatro no meio. Só com a muita disponibilidade de Herrera a comer metros entre corredor central e lateral a impedir inferioridade numérica com lateral e extremo esquerdo da equipa da Madeira.

medios

Há quem tenha dias perfeitos. Por estar no sítio certo há hora certa. Porque naquele dia estava inspirado, ou porque a aleatoriedade do jogo lhe deu condições óptimas naquele dia particular.

Nada disto foi o que se passou com Diogo Jota. A sua incrível exibição não apareceu. Foi Jota quem a desenhou. Foi Jota quem criou condições para um dia inesquecível.

Provavelmente a melhor exibição individual na Liga NOS 2016/2017. Cada toque na bola a desbloquear situações, a proporcionar jogadas de imenso potencial. Partindo de avançado centro esquerdo, cada vez que baixava a recebia entre sectores adversários, enquadrava a uma velocidade inacreditável que ainda tinha o condão de retirar o adversário directo da jogada. Perfeito a associar-se com os colegas. Perfeito em cada toque, em cada decisão. Criatividade invulgar, qualidade técnica invulgar. Já é um dos melhores a jogar em espaços curtos, mas notar-se-à ainda mais no futuro. Decisão tremenda, velocidade de execução, classe. Cada bola nos seus pés é um perigo. Porque sai sempre redonda, porque sai com menos oposição, porque se associa com os colegas. Conduz, atrai defesas inteiras e tem sempre ideias. Nada sai ao acaso. Os três golos foram apenas três finalizações que qualquer outro poderia ter tido. A sua tomada de decisão e forma como deu seguimento e acrescentou em cada toque que deu na bola, traçam-lhe o destino…

Nuno tem ao seu dispor um miúdo de 19 anos que poderá já na presente época tornar-se o melhor da Liga. Porque tem uma qualidade ofensiva inacreditável. Porque vê mais que os outros na criação e ainda finaliza como muito poucos.

golo-tabela jota

Marco Van Basten
Sobre Marco Van Basten 85 artigos
Licenciado em Desporto, treinador Uefa Pro pela FA. Desde cedo partiu para terras de sua majestade. Experiência como professor e treinador numa Academia no Reino Unido.

5 comentários em O incrível jogo de Diogo Jota e o losango do FC Porto.

  1. ” Porque vê mais que os outros na criação e ainda finaliza como muito poucos.”

    Caro Marco Van Basten

    Já André Silva deixa muito a desejar na finalização.

    • “E porquê? Porque um brinca mais do que o outro nas selecções, claro! E porque é que o Guterres se prepara para ser secretário-geral da ONU? Porque não brinca nas selecções! E porque é que ainda há fome no mundo? Porque as pessoas se põem a brincar com as selecções, como é evidente!”

      Superleão, a um qualquer dia da semana/mês/ano

  2. Tirando a grande exibição do Diogo queria te deixar umas perguntas, Van Basten.

    1) não achaste também fundamental a qualidade técnica e de decisão do André Silva fundamental?

    2) o Porto impressionou-me na defesa, na recuperação de bola. A ti o que te impressionou mais?

    3) melhor exibição do Porto este ano? Achas que tem pernas para continuar?

    Excelente artigo 😀

  3. Gostei do que vi com este losango e gostava que tivesse pernas para andar. Acho que até pode beneficiar as características do João Carlos, que aprecio imenso e que ainda nem calçou, mas beneficia muito provavelmente a dupla do jogo, o Diogo e o André. O Jota é fortíssimo na finalização, e esconde algumas das debilidades do André nesse aspecto – para mim muitas até advêm do nervosismo e da necessidade de tentar levar a equipa às costas – e este assim pode continuar a acrescentar muito do que é o seu jogo, que dá imenso à equipa e não fica tão exposto pelas falhas a finalizar. Veja-se o segundo golo, em que ele conduz e solta na altura certa para o Jota, quando o Tobias já não estaria em posição de atacar a bola dele e condicionar a finalização. Acho que tem pernas para andar, e uma equipa que pode ter Óliver, Otávio, André, Jota, Brahimi e Corona tem que ser capaz de fazer isto regularmente no plano ofensivo.

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