O nosso homem de área

Foi sempre uma tendência muito portuguesa, a de afastarmos os nossos melhores jogadores da baliza. Para que possam ter mais bola, naturalmente. Foi assim que cresceu Cristiano.

Hoje, dias em que não é particularmente competente nas zonas de criação e muito menos na construção, há que fixá-lo e deixá-lo mais preocupado somente com o ataque às zonas de finalização. Fora delas, tocar simples. Ignorar o protagonismo e deixar jogar os colegas. Na área, é o melhor do mundo. Perdem-se a conta ao número de golos que dentro desta obtém a responder a cruzamentos ou passes. Rasteiros, a meia altura, ou por cima. De pé esquerdo, de cabeça ou de pé direito. É implacável.

Perceber o que pode e o que não poder dar manterá Cristiano no topo. Afinal, ninguém nesse mundo fora tem a sua capacidade para aparecer a finalizar, tão pouco a variabilidade de soluções com competência que mostra nesse momento específico.

Se Cristiano quiser, será o factor mais da selecção por muito tempo. Se voltar ao tempo em que pretendia bola em todas as zonas, em todos os momentos, perderá qualidade a nossa selecção.

P.S. – Não esquecer que estamos no “Patreon” com a expectativa de não termos de fechar conteúdos a partir de 2017. Muito obrigado e pensaremos numa forma de beneficiar os patronos. Que vocês próprios podem sugerir.

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Marco Van Basten
Sobre Marco Van Basten 85 artigos
Licenciado em Desporto, treinador Uefa Pro pela FA. Desde cedo partiu para terras de sua majestade. Experiência como professor e treinador numa Academia no Reino Unido.

3 comentários em O nosso homem de área

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