Questões de Identidade (II)

No Podcast 005 daremos seguimento à conversa sobre a identidade do futebol português.

Começamos com uma provocação.  As identidades, em lugar de construídas, podem criar-se a partir da realidade observada?

Lanço a seguinte hipótese: não existe já uma identidade do futebol português, que vem do tempo de José Maria Pedroto, é reforçada a nível internacional com os trabalhos de José Mourinho e Leonardo Jardim e acaba por nos dar o título europeu com Fernando Santos? Uma identidade de contenção e transição, para a qual a nossa qualidade em formar extremos e dribladores tem contribuído?

Finalizaremos com a questão da formação de treinadores, um ponto que andou sempre subentendido nesta conversa, e a sua influência no jogo de um país.

Olharemos para a forma como a formação de treinadores é realizada, quais os pontos positivos e negativos das mais recentes alterações realizadas em Portugal. Falaremos também de formação informal, de como pode um treinador melhorar as suas capacidades, observando o trabalho dos outros, fazendo leituras, bem como formações noutras áreas ou modalidades.

Lancem as vossas sugestões e perguntas na caixa de comentários deste artigo ou, no twitter, através da hashtag #LatEsqPod.

O podcast será gravado esta quinta-feira!

Sobre Luís Cristóvão 34 artigos
Analista desportivo na televisão (Eurosport) e rádio (Desporto na Hora). Moderador do Lateral Esquerdo Podcast. Autor em luiscristovao.com, no twitter com @luis_cristovao.

5 comentários em Questões de Identidade (II)

  1. ” As identidades, em lugar de construídas, podem criar-se a partir da realidade observada?”

    Caro Luís Cristóvão

    Parte-se da realidade observada. Tentar algo diferente é tentar construir uma utopia, contudo, a realidade observada é susceptível de ter várias interpretações, por exemplo, uns encaram as selecções como o grande objectivo a ser alcançado, para mim não passa de falta de profissionalismo, uma brincadeira.

  2. Aproveitando a questão do futebol de contenção e transição por termos os melhores dribladores, julgo que faz mais falta a implementação de uma ideia de jogo atractiva, de acordo com a qualidade de jogadores e treinadores com conhecimento que temos actualmente.
    Porque, a meu ver, se temos “os melhores treinadores do mundo” aliados a uma qualidade muito acima da média de laterais, médios, extremos, defesas, guarda-redes e agora com alguns avançados a despontar (Gélson, Gonçalo Guedes, André Silva, etc) porque não – agora que sabemos que podemos construir algo com essa matéria prima e criar desde a base uma cultura de jogo – mudar esse paradigma do “temos que jogar ou treinar os que temos” e “formarmos o melhor possível para termos mais e melhores” jogadores nos nossos clubes e nas nossas Selecções?

    Se há uma ideia de jogo, uma cultura a ser implementada, existe um perfil de jogador, no meu ponto de vista.
    O ponto, segundo creio, está também na mentalidade dos treinadores e, acima de tudo, dos dirigentes, porque: se estão dispostos a fazer crescer os clubes e selecção, se estão dispostos a exigir ter os melhores treinadores a trabalharem os melhores jogadores, até que ponto é que também estão dispostos a investir em infraestruturas?

    Para finalizar, acredito que é fundamental, acima de tudo, a implementação de uma cultura que promova o jogo e não a “campionice” e a implementação de infraestruturas e condições para criar mais profissionais 100% dedicados aos clubes e selecções e não colaboradores a part-time.

    • Caro Jota

      Isso é tudo muito bonito, mas não passa de conversa da treta, pois os interesses dos clubes, especialmente dos 3 grandes (além dos grandes clubes europeus que têm jogadores portugueses), são bastante divergentes dos interesses da FPF.

      • Caro Superleão

        Se tudo isto é muito bonito mas não passa de conversa da treta, devido à divergência entre interesses dos clubes, porque é que não se sentam todos à mesa e debatem sobre este tema que, julgo eu, de um interesse muito superior à lógica da batata das guerras de bastidores em programas televisivos e afins?

        Porque é que, de uma vez por todas, em vez de se andar a passar uma imagem de que todos se odeiam, não se debate sobre o que realmente interessa, que é o aumento de qualidade nas formações, seja de jogadores, de treinadores e dirigentes, em prol de um futuro de uma cultura desportiva sólida e íntegra?

        Se calhar, em vez de andarmos todos a dizer que é uma treta, deveríamos de começar era a agir mais de acordo com o que realmente pensamos e dizemos.

      • Caro Jota

        Presumo que ainda estivesse a dormir às 8:24. Mencionei divergência de interesses entre os clubes (especialmente os 3 grandes) e a FPF, não divergência de interesses entre os clubes.

        O que interessa são os resultados desportivos e financeiros, actuais e futuros, só isso irá garantir a sobrevivência dos clubes/sads. A formação é um dos meios que poderá garantir resultados desportivos e financeiros no futuro.

        Uma grande força de bloqueio dos clubes/sads, senão mesmo a maior, são as federações e as respectivas selecções. Isso não é reconhecido pela generalidade das pessoas, já os dirigentes dos clubes/sads têm reconhecido ao longo dos anos e muito lentamente esse problema, por isso, optam por muitos jogadores brasileiros que não brincam nas selecções e estão sempre disponíveis para a sua entidade patronal.

        Apesar de tudo, há o tal condicionamento da ideia ou pensamento tradicional do pressuposto de que “os jogadores valorizam-se nas selecções” quando na minha opinião é precisamente o contrário, por isso, os resultados deportivos e financeiros são sempre inferiores ao que se podiam alcançar e os jogadores da formação não são bem formados, porque passam muito tempo a brincar nas selecções jovens quando deveriam focar-se em chegar o mais rápido possível aos seniores, obtendo um contrato de jogador de futebol profissional.

        Os meus comentários reflectem o que realmente penso, e eu adoro o LE!!!!!!!!!

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