FC Porto de Nuno Espirito Santo na véspera do clássico

O próprio Nuno já referiu que há assuntos mais prementes que o modelo de jogo. Mensagem para dentro ou não. Foi o treinador do FC Porto que o afirmou.

Não deixa, porém, de ser uma bizarria, a forma diferente com que o FC Porto se apresenta nos relvados de jogo para jogo. Se Nuno mencionou ter uma visão, não se alongando nela para lá do “jogar em 65 metros”, não está fácil descodificar a mesma.

São os laterais que num jogo surgem a dar profundidade dentro do bloco adversário, noutro não saem do lado dos centrais. São os médios em losango no meio, passando depois para um sistema mais clássico a quatro no meio e dois na frente no momento defensivo. Termina a partida de hoje novamente com alterações no sistema e modelo. Três médios centro (Rúben, Danilo e Óliver) e dois extremos (Corona e Layun) que defendiam somente com base no individual, ignorando qualquer articulação de posicionamentos com os restantes médios.

fcp-3-medios

Não é bom o que o FC Porto apresenta enquanto equipa, tendo em conta a qualidade individual à disposição do seu treinador. Quase nada se repete. Comportamentos de uns não encontram articulação em função dos mesmos noutros. Ideias somente pelo geral e um Porto completamente indefinido. No sistema, e sobretudo no modelo.

fcp-3-medios-2

A equipa de Nuno é a única do campeonato português que chega a Novembro sem um modelo de jogo devidamente rotinado. Tudo muda de jogo para jogo. E se com bola, há qualidade e criatividade em Óliver, Rúben, Jota, André, Ótavio, Brahimi e Corona para descobrir caminhos, não deixam de faltar algumas referências de posicionamentos e movimentos que façam a equipa sentir-se segura na adversidade. Sem bola, é evidente a falta de trabalho colectivo. Sem zonas de pressing, sem articulação entre jogadores do mesmo sector e intersectores, tudo é resolvido no individual.

Era expectável um FC Porto bastante mais forte nesta fase, em função da qualidade individual que apresenta. Tardará Nuno a chegar a um modelo? Ou não há sequer essa intenção?

 

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Marco Van Basten
Sobre Marco Van Basten 85 artigos
Licenciado em Desporto, treinador Uefa Pro pela FA. Desde cedo partiu para terras de sua majestade. Experiência como professor e treinador numa Academia no Reino Unido.

10 comentários em FC Porto de Nuno Espirito Santo na véspera do clássico

  1. É de facto muito estranho que o fcp nesta altura da época não tenha ainda um modelo de jogo defendido, será mesmo estratégia do NES ou será incapacidade em conseguir implementar um sistema de jogo que seja condizente com o estatuto de candidato ao título?
    Claro que tudo está dependente dos resultados desportivos, se o porto ganhar o NES será o novo génio do futebol luso.

    http://benficanascidosparavencer.blogspot.pt/

  2. O Domingos Paciência é que o topa bem.
    Foi escolhido por… ser bom comunicador, nada mais.
    Porto mais fraco dos últimos anos, ao nível do de Flopetegui

    • Caro Frigoliny

      Jonas no Valência – 157 jogos, 52 golos, 22 assistências
      Jonas no Benfica – 85 jogos, 68 golos, 26 assistências

      Isso até podia ser suficiente para estragar o teu “case” mas é preciso perceber o fundamental, jogar em Espanha e em Portugal é muito diferente.

      • ???

        Caro Frigoliny
        Quando o Jonas chega ao Valência, o Valência era uma equipa de meio/topo da liga espanhola, ou seja, não lutava para ser campeão apenas para ir à Europa, sem grandes recursos de monta correu com treinadores à média de quase 2 por ano durante uns 3 ou 4 anos como é lógico numa Liga como a espanhola um jogador que era um titular “assim assim” (porque não havia uma equipa que fosse regularmente titular por andarem sempre a trocar de treinador) apresentar ainda assim uma média acima de 50 golos e mais de 20 assistências em pouco mais de 150 jogos, acho que não era de descurar manter um jogador destes no plantel, especialmente quando de todos os jogadores que se mantiveram, Jonas apesar de ter 30 anos na altura, era de longe aquele que melhores numeros apresentava mesmo com uma equipa que andava aos tombos…
        Logo penso que qualquer treinador com um minimo de inteligência preocupava-se sim em primeiro verificar o que de bom esse jogador tinha que o levava a marcar tantos golos mesmo com equipas desequelibradissimas, depois sim tentava construir a equipa em torno daquilo que de bom existia antes e depois trabalhava o meu conceito tendo uma base de partida bem mais segura…..
        Mantivesse ele o Jonas com a equipa que ele contratou e os que tinha, Rodrigo, Alcacer, Negredo e até Piatti, de certeza que com Jonas tinha mais uma coisa que nenhum deles tem……INTELIGENCIA

  3. Fantástico texto. Só não percebo a pergunta “será estratégia”? Não ter um modelo?! Obviamente incapacidade escandalosa para chegar a ele. Inacreditável a este nível.

  4. Consigo ver (talvez após sugestão do famoso discurso de NES) que o Porto parece procurar jogar com um bloco relativamente compacto, quer jogue adiantado (vs. Arouca ou Nacional) ou mais atrasado (na CL e em pelo menos parte de quase todos os jogos, como em Setúbal). Concedo-lhe esse mérito e talvez seja isso lhe ande a valer em termos defensivos, mais pernas -> mais segurança. Quando o adversário é (ou está, no decorrer dos jogos) mais capaz, toca a recuar o bloco e esmifrar as transições, ainda que com total incapacidade colectiva.
    Mas é pobre em toda a linha, vai chegando tendo em conta a qualidade do plantel e a exigência dos desafios.

    De resto para Domingo um clássico é um clássico por isso a motivação é garantida, em particular para o plantel do Porto que joga em casa. Isso, e só isso, mantém os prognósticos para o jogo de domingo equilibrados.
    Ambos podem ganhar vantagem pelas individualidades mas o RV, sem ser genial, parece estar a garantir ao Benfica muito mais qualidade em todos os momentos de jogo, apesar de contar desde Setembro com um plantel recheado de lesões.

    Seria interessante uma análise à evolução de RV desde Guimarães, ao 1º ano de Benfica até ao momento presente. O Benfica ajustou-se às suas ideias ou foi ele que cresceu com o desafio?

  5. Caro Marco van Basten

    Como já mencionei anteriormente, o pilar compromisso não está bem solidificado, ali há jogadores que jogam a pensar nas brincadeiras nas respectivas selecções.

    Criatividade zero e cada vez mais frustrante a qualidade na finalização.

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