Primeira parte do Clássico. Como o posicionamento de Óliver desequilibrou o Benfica.

Um FC Porto de uma competência extraordinária em organização ofensiva.

Não começou bem, porém. Muito passe longo na frente de Telles, Maxi ou Felipe. Mas, com o adiantar dos minutos, e com bola no chão para beneficiar as características do onze que apresentou, o posicionamento de Óliver a desequilibrar o jogo.

Difícil recordar o Benfica de Rui Vitória com tantas dificuldades para controlar o jogo no seu momento de organização defensiva. Mérito na estratégia de Nuno.

A estratégia foi simples. Jogar com superioridades numéricas. O corredor escolhido, o seu lateral esquerdo. Beneficiando do pé direito de Óliver, que recebendo naquele espaço tem mais soluções para dar seguimento. Porém, fica sempre a dúvida sobre como poderia ser se a opção fosse massacrar o corredor oposto, onde estaria Eliseu. É que nos duelos individuais, Nélson foi saindo por cima e resolvendo muitos dos problemas que por ali surgiam.

Mesmo quando saia pelo corredor direito, no esquerdo Oliver, Jota e Telles aguardavam que mudasse o centro de jogo para beneficiar da superioridade numérica. Ai chegado, Salvio saía a Telles e Óliver recebia nas costas do argentino. Se Salvio baixava bastante para o corredor lateral para controlar no individual Telles, o espanhol recebia no espaço em largura entre Salvio e o médio centro. Sempre de frente para a baliza adversária, sempre com espaço para decidir. Dos pés de Óliver para um dominio absoluto nos primeiros 45 minutos.

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Ainda o movimento típico do FC Porto, quando a última linha adversária joga com espaço nas costas. O movimento de ruptura parte do ala do lado oposto, que beneficia de já se mover a grande velocidade para chegar primeiro ao espaço para onde a bola é endossada. Foi assim no lance de Corona. Mas, percebe-se que é padrão. André Silva faz movimento oposto para surgir posteriormente no segundo poste para finalizar.

SL Benfica praticamente inexistente. Sempre em grandes dificuldades. Apenas Ederson e Nelson traziam algo ao futebol encarnado com bola. Ederson com o seu pontapé longo a compensar a ausência de capacidade para sair pelo chão. Mas também aí, raramente o Benfica ficou com a segunda bola que tantas vezes se disputava já com um FC Porto obrigado a baixar em demasia. E Nelson que quando recebia no meio campo ofensivo era o único encarnado que provocava desequilíbrios na estrutura azul e branca.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2348 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

13 comentários em Primeira parte do Clássico. Como o posicionamento de Óliver desequilibrou o Benfica.

  1. Neste tipo de jogos nota-se alguma falta de qualidade por parte do Benfica, sem 3 dos seus melhores (fejsa, rafa e jonas). Mas muito bom jogo por parte do porto, que foi ganhando confiança ao longo do jogo pela incapacidade de sair do Benfica, que melhorou com a entrada do horta.

  2. Não terá sido esta escolha de lado para atacar devido a eliseu ser mais fraco na transição ofensiva do que o nelson? Sempre q o benfica tentava sair pela direita via se em inferioridade, quando saia pela esquerda saia mais lento dando ao porto tempo para bascular.. se o porto procura se a superioridade na esquerda o Nelson não iria causar problemas?

  3. Gostei do mitroglou ao contrário de muitos. Sempre que pode segurou e entregou fazendo a equipa do Benfica avançar no terreno.
    Já o Guedes esteve muito displicente. Muitas más decisões, a chutar qd podia desiquilíbrar em passe, posicionamentos ofensivos que pouco acrescentavam…

  4. Não é coincidência o Benfica de Rui Vitória em 7 jogos com os seus adversários directos apenas tenha sido melhor num (curiosamente o que perdeu com o FCP na Luz).

    Cervi e Salvio abusam em termos de accoes individuais, a bola não chega a Migroglu, Guedes é jogador para receber a bola á entrada da área e não a 50 metros dela, mas o que aflige mais é falta de ideia colectiva que esta equipa tem.

    Cervi foi inexistente (e aqui eu tinha jogado com Andre Almeida no meio colocando Pizzi na esquerda a dar o apoio que faltou ao meio campo).

    Salvou-se o resultado, numa exibicao do Benfica que fez chorar as pedras da calçada, mas totalmente previsivel.
    É bom que o Benfica resolva o assunto Champions contra o Besiktas, porque senão vamos ter a vida muito complicada quando recebermos o Nápoles.
    Ás vezes a garrafa de água e o terço na mão não chegam para se atingir os objectivos…

  5. Já para não falar da quantidade de vezes que o Sálvio não baixava… mas o principal problema mantém-se: falta de contenção durante muito tempo… jogador com bola tem sempre tempo para pensar… contra equipas pequenas não faz tanta diferença, mas com melhores intérpretes é o cabo dos trabalhos… deixar Óliver sozinho é pedir para morrer…tivémos sorte, morreram eles na praia…

  6. Os maus posicionamentos de Samaris e Lisandro, o demasiado espaço entre a linha média e a defensiva e Oliver foram quem desequilibrou o jogo, mas desequilíbrios no corredor lateral, têm sempre muito menos probabilidade de dar golo que desequilíbrios no corredor central.

    • bcool973, os desequilíbrios partiram da lateral, mas o FCP enquadrou só com linha defensiva pela frente pelo menos umas 5 vezes na primeira parte, ora por Óliver, ora por Otávio e mesmo Jota e André… Fiquei verdadeiramente surpreendido com isso!

      Ou seja: só com muito desaproveitamento e más decisões no último passe/remate é que o FCP não fez golo(s) na primeira parte…

      • Houve sempre muito espaço entre a linha média e a linha defensiva do Benfica, o que agravado pela incapacidade do Samaris em ler o jogo permitia que o Porto muito facilmente recebesse e enquadrasse entre-linhas.

        O problema não foram as más decisões/execuções no último passe/remate, o problema é que a partir desse momento em que os jogadores do Porto recebiam enquadrado, tinham como modelo forçar o desequilíbrio na lateral ou tentar explorar a profundidade nas costas dos centrais, o que tornou sempre mais fácil a tarefa do Benfica.

  7. Acho que o nelson defensivamente esteve muito mal sem raça a que nos tem habituado, e não concordo de todo que tenha feito um grande jogo ofensivamente muito tambem pela falta de espaço no lado dele. O rui vitoria foi lento a mexer n equipa para resover o problema do oliver. Acho que este jogo não era o ideal para as características o mitroglou devia ter apostado no jimenez

  8. E linhas de passe ao portador da bola?
    Cervi e Salvio tinham que jogar pelo centro (embora nao seja essa as suas caracteristicas) e Guedes deveria ter aparecido mais no jogo…

    O que um golo faz…
    No ano do Kelvin, a equipa de JJ não foi menos competente que este FCP de Nuno Espirito Santo…

    A diferença que um golo faz…

  9. Uma leitura bem feita, no entanto, salientava como chave da desorganização do Benfica os excelentes momentos de transição defensiva do Porto, aliados ao que foi referido: “Difícil recordar o Benfica de Rui Vitória com tantas dificuldades para controlar o jogo no seu momento de organização defensiva. Mérito na estratégia de Nuno.”, e ao posicionamento do Óliver com as movimentações de André Silva e Diogo Jota. Faltou uma maior procura em momentos de organização ofensiva na lateralização do jogo para o corredor contrário em que Maxi e Corona poucas oportunidades tiveram para fazer o 2X1 co Eliseu.

  10. E como contrariar a estratégia do FCP de colocar constantemente 3 jogadores contra os 2 do Benfica na faixa direita?
    Ter desde o início do jogo um terceiro médio (Horta) que fizesse a compensação à direita, ajudando Salvio e Nelson? Ou será que o Benfica podia ter neutralizado essa inferioridade numérica com algum jogador que estivesse no 11 inicial?

    Ou me engano, ou é uma das estratégias que por vezes se usam: colocar um jogador numa posição que não é “originalmente” a sua, fazendo a superioridade numérica. Não é isso mesmo o que acontece com Pizzi sempre que, quando colocado “originalmente a médio direito” passa o tempo a jogar no meio e até a ir à esquerda para criar tabelas e confusão na defesa adversária?

    Oliver fez o que Pizzi costuma fazer quando joga a médio direito?

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