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Como Rui Vitória foi buscar o que parecia um longínquo ponto no Dragão.

Mudou o Benfica com a entrada de André Horta e consequente mudança no sistema encarnado.

As malfadadas substituições de Nuno retiraram capacidade ao FC Porto para sair em transição e respirar um pouco mais com posse. Porém, já antes delas o Benfica tinha ganho metros no campo. Metros que até à entrada de Horta nunca os teve.

A entrada de André trouxe um Benfica com posicionamentos mais baixos no meio no momento de construir. Porém, desengane-se quem crê que passos atrás não servem para dar outros à frente. Ao garantir superioridade numérica na construção juntando critério de Horta a Samaris e Pizzi, aumentou de sobremaneira a capacidade para ter bola e para ir subindo metros em posse. Algo que nunca tinha acontecido antes.

Aos dois médios juntou Horta. Na frente de Samaris e Pizzi, mas sempre a perceber quando devia baixar na construção para dando superioridade numérica fazer a bola continuar a circular, e a perceber quando na construção Pizzi ou Samaris ficavam confortáveis com bola para então galgar metros e pedir bola nas costas dos médios adversários.

Passou a defender em 2+1 (Pizzi e Samaris com Horta a 10), e no momento ofensivo, com mobilidade entre os três. Se saía a três com Samaris a baixar para o corredor direito, com Lisandro no centro e Lindelof mais à esquerda, Horta baixava para o lado de Pizzi e com muito mais ligações o Benfica ia chegando com bola mais à frente.

Nunca, conseguiu criar de forma recorrente e assertiva. Porém, é inegável que a forma como cresceu a sair de trás para a frente com a entrada de Horta trouxe um Benfica mais instalado no meio campo ofensivo e um FC Porto que até então havia sido mandão, a baixar metros.

Pizzi ganhou mais bola e mais espaço. O Benfica ganhou critério e passou a perder menos. A expor-se menos e a chegar mais vezes ao último terço. Iniciou as primeiras recuperações de bola no meio campo ofensivo por finalmente se instalar por lá.

Por tudo o que foi o jogo, não merecia não sair com os três pontos a equipa do FC Porto. Porém, mudou completamente as agulhas ao mesmo Rui Vitória com a mudança táctica que operou. Se ainda assim houve pouco Benfica na zona de criação? É um facto. Mas foi porque melhorou a construção com a sua alteração que o Benfica chegou ao importante ponto.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2862 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

21 comentários em Como Rui Vitória foi buscar o que parecia um longínquo ponto no Dragão.

  1. Concordo com o que o Horta trouxe de positivo ao jogo do SLB mas discordo totalmente quando dizes que isso tem algo a ver com o facto do Benfica ter conseguido empatado. A entrada do Horta e a consequente mudança tática nada tiveram a ver com o facto do Benfica ter ganho aquele canto que deu o empate. Apesar do SLB ter tido mais bola, nunca conseguiu criar nada de qualidade. Se houve um médio que aproximou o SLB do empate, esse médio foi o Herrera portanto o titulo correto seria “Como Herrera conseguiu o tão longínquo ponto no Dragão”

    • Se o Ederson tivesse defendido a bola do Jota até podia ter sido o golo da vitória. Se a bola ao poste do Lindelof tivesse entrado, ficava 2-1. Se o Felipe tivesse sido expulso como devia, jogavam com 10.

      Se o Horta não tivesse entrado, então se calhar a bola nem estava naquela zona para ser canto.

      Aqui não se analisa o fortuito, analisa-se a decisão e as consequências da mesma.

    • Totalmente de acordo. Até porque ao mesmo tempo que o Horta entrou, o NES começava a abdicar voluntariamente do domínio do jogo. E mesmo assim o Benfica não criou absolutamente nada. Foram 40 minutos depois do golo sem uma única entrada na área com perigo. Fora um remate de longe e duas bolas paradas, o Benfica não conseguiu sequer chutar à baliza. Foi do pior que vi contra o Porto este ano. Incapacidade gritante para construir jogadas ofensivas de qualidade. Claro que muito disto tem a ver com o facto de ter o Guedes a “destruir” jogo.

      • E mesmo assim o Porto só conseguiu marcar um golo de frango à pior equipa do ano de sempre e do mundo. Os putos dos óculos azuis fazem-te ver o jogo pior que o guedes.

      • Discordo. As substituições do NES tiveram a ver com questões físicas depois de uma 1ª parte muito puxada. Acontece com muitas equipas pequenas quando jogam com o Benfica e entram a matar. Na 2ª parte pagam a factura.

  2. Se acho que (assim como dizes) Rui Vitória foi buscar um ponto com a entrada do Horta, ao equilibrar a equipa, também sou da opinião que o Benfica perdeu 2 pois o Rui Vitória insiste em jogar derbies e clássicos em 4-4-2. É mais que evidente que o Benfica tem imensa dificuldade em jogar contra sistemas com meio campo povoado, como é o caso do Porto e do Sporting.Ao jogar com 2 avançados Perde na fase defensiva (pois a sua pressão é quase nula, e sobrecarrega os 2 centrocampistas) , e na pouco acrescenta na fase ofensiva, uma vez que a bola nem lá chega jogável. O Benfica de Rui Vitória nunca conseguiu dominar um jogo grande. E tudo por teimosia. Viu-se ontem , que ao alterar o sistema tem se outro tipo de segurança no meio campo. Espero que tenha acordado para a vida, porque o seu h2h em jogos grandes é negativo, e muito por causa deste factor.

    • Como equipa grande que é o Benfica joga sempre em 4-4-2. Noventa por cento dos jogos são contra equipas ‘pequenas’, nos quais o Benfica tem que assumir o jogo (tal como o Porto e o Sporting). Ora, apesar de termos mantido o sistema habitual, os portistas, e os sportinguistas também, dizem que jogamos este jogo como uma equipa pequena. Em que é que ficamos, então? Deveríamos ter povoado o meio campo de início para suster o ímpeto portista? Mas aí estaríamos a trair o nosso ADN de equipa ofensiva e dominadora e sem nenhuma garantia de vitória também. Na minha opinião o Benfica tem sempre que entrar com a mesma táctica, independentemente do adversário, doutro modo revela medo e isso aí não pode ser, sobretudo contra Porto e Sporting, seria o descalabro total. O Porto é que entrou com uma raça e um querer que nos surpreendeu muito para lá daquilo que esperávamos. Pudera, para eles era imperioso ganhar o jogo (“temos que ganhar custe o que custar”, disseram vários). A questão quanto a mim não esteve na táctica, nem na estratégia. Não fomos capazes de nos adaptar à fúria com que o Porto entrou em campo. Sabíamos que iam dar tudo por tudo, mas não previmos que dessem tanto.

      • Povoar o meio campo não é questão de jogar mais atrás. Não é questão de revelar medo, mas sim inteligencia. Se te lembrares de um jogo grande em que o Benfica dominou, o jogo diz-me por favor- é que já não acontece á muito tempo. Passamos o jogo todo a defender em bloco baixo e nem em contra ataque conseguimos sair. Várias equipas fazem isso. Nós temos de saber contra quem jogamos e adaptar a equipa devidamente. Não é a mesma coisa jogar no Dragão ou na Luz contra o Feirense. Espero estar profundamente enganado, mas a continuar a assim, o h2h de Rui Vitória vai continuar negativo em jogos grandes.

  3. Excelente análise, Maldini.
    Uma questão: na “aparente”? anarquia posicional dos homens da frente do FC Porto (leia-se mobilidade), como leste a capacidade para a transição defensiva? Demérito encarnado em sair a jogar? Ou, por outro lado, a forma célere como o FC Porto recuperava a bola resultava do facto de ter mais jogadores do lado da… bola? Mesmo que, momentaneamente, pudessem ter 2/3 homens um pouco fora da sua posição inicial. Necessitaria o Benfica de variar o centro de jogo?
    Obrigado e um abraço!

  4. Conquanto é verdade que o Benfica ganhou metros e espaço para respirar com a entrada de Horta, não é menos verdade que o empate nasce mais das individualidades do que do colectivo.

    É verdade que o Benfica ganha metros com a entrada de Horta, mas o lado esquerdo do ataque benfiquista havia sido também o único lado por onde o Benfica tinha realmente entrado pela defesa portista. Daí que me parece rebuscado sequer dizer que sem Horta o Benfica não estaria a disputar bolas naquela zona do terreno.

    Quando o Herrera tem aquele momento estupendo virei-me para o «bêbado» ao meu lado e disse que tinha piada o empate surgir daquele canto. Mais como descompressão para a pior exibição do Benfica dos últimos tempos, do que com qualquer esperança que o Benfica marcasse. Quanto me virei para TV já a bola ia em arco imparável para se aninhar no fundo da baliza. Gritei golo, saltei e desatei-me a rir. Se o Herrera segura a bola e a protege, queimava tempo e dificilmente o Benfica conseguiria a situação do empate. #obrigadoherrera

    Ah! E uma palavra para o Eliseu que conseguiu ir buscar a clarividência para se deviar da bola. Daqueles movimentos sem bola que valem por uma assistência! #saltaeliseu

  5. Acho que guedes ainda não está para estas andanças. Destroi demais. Um benfica que nestes jogos quer criar com guedes e salvio não tem hipótese. PAra mim, o neste jogo viu-se um enorme desequilíbrio de qualidade individual. Seria totalmente diferente com fejsa, rafa e jonas. Provavelmente o domínio seria exactamente o oposto.

  6. Este 4-4-2 do Benfica com Salvio em jogos equilibrados não funciona.
    Com Salvio e Cervi o Benfica perde sempre o meio campo em jogos equilibrados.
    Pizzi terá sempre de ser um dos interiores jogando um 6 e um 8.
    Neste caso, Samaris, Horta e Pizzi dariam muito mais qualidade à equipa do Benfica.
    A época passada o Benfica começou a ganhar o campeonato qdo começou a jogar com um 6, Renato e Pizzi.
    Se contra equipas pequenas funciona Salvio e Cervi nas alas, em jogos equilibrados esqueçam lá isso

  7. O guedes precisa de ser formatado sem pressa pois, correr não chegar. Não sei qual a condição fisica do Raul, penso que para aquele jogo daria grande contributo

  8. Foi a mudança do Benfica e o estouro físico do Porto (que até tinha menos 24 horas de descanso).

    O Porto como sempre nos ultimos 30 anos contra o Benfica entra sempre com uma forma física brutal.
    Mas hoje em dia isso não chega para tirar o campeonato ao Benfica.

  9. Se a entrada de Horta ajudou a equilibrar o meio campo, isso está pouco associado ao canto que originou o golo, para lá do erro de Herrera que tinha duas linhas de passe seguras para passar a bola, nesse momento a equipa do Benfica estava em total desespero de causa e a atacar com muitos, como prova a “rapidez” que os dois centrais estavam na área a quando do canto. Alias gostava de ver todo o lance para saber em que posição Lisandro e Lindelof se encontravam a quando da asneira do Herrera, e como chegaram tão rápido à área para finalizar e como a defesa do Porto levou tanto tempo para se organizar defensivamente para esse canto. Por outro lado erro também de Maxi que não deveria ter baixado mas sim mantido-se no canto para evitar a situação de 2 para 1, também nesse pormenores se vê a inteligência táctica de um jogador.

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