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15 minutos de Luc Castaignos. Decifrando Jorge Jesus.

O treinador do Sporting tem uma pequena peculiaridade entre os treinadores portugueses. Consciente ou inconscientemente, não esconde o que pensa sobre o jogo e sobre os seus jogadores. Apesar de tantas vezes a forma como se expressa ser motivo de incompreensão, ter atenção ao conteúdo faz-nos sempre aprender um pouco mais. Ou no limite, percebermos como pensa e os porquês das suas opções.

É verdade, também, que o Castaignos desgastara muito os centrais pelos movimentos que fizera. Castaignos é um jogador que do ponto de vista de profundidade ofensiva, é o melhor dos nossos avançados, mas não é um goleador. Ao contrário do André é um jogador que foge mais do golo

Observando os primeiros quinze minutos da partida e percebe-se logo do que fala Jorge Jesus. O holandês a mostrar-se sempre disponível para receber nas costas da defesa adversária. Identifica a situação e o espaço onde é possível a bola entrar para a receber. Não necessariamente no corredor central para ir finalizar, mas tantas vezes com movimento para as costas no corredor lateral. Mostra-se com competência a pedir na profundidade, obrigando últimas linhas adversárias ao desconforto de sprintar para baixar metros e impedir que o Castaignos vá embora para a baliza. Por isso, o elogio de Jesus ao desgaste que Luc provocou.

E porque de avançado leoninos temos falado por aqui, a consideração de que o avançado perfeito será sempre o que se move na área como Dost, o que joga com espaço nas costas adversárias como Castaignos, e o que se move e decide entre linhas como Bryan. Três “requisitos” que não encontramos em nenhum avançado que pise os palcos da Liga portuguesa.

 

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2858 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

9 comentários em 15 minutos de Luc Castaignos. Decifrando Jorge Jesus.

  1. “E porquê de avançado leoninos temos falado por aqui, a consideração de que o avançado perfeito será sempre o que se move na área como Dost, o que joga com espaço nas costas adversárias como Castaignos, e o que se move e decide entre linhas como Bryan. Três “requisitos” que não encontramos em nenhum avançado que pise os palcos da Liga portuguesa.”

    Jonas?

    • falar depois de ter visto para ai 90 minutos dele é uma loucura. Nunca podes chegar a boas conclusões com esse tempo de observação.
      Se for sempre o que vi, sinceramente, acho que não será bem sucedido nesta época. Não traz qualidade nas zonas de criação… e portanto surge como alternativa só para 1o avançado. E ai, numa equipa como o Sporting que encosta adversários lá atrás e joga contra blocos quase sempre baixos… Dost faz muiiiiiiito mais sentido! Não me parece que venha a ter vida facilitada este ano! Isto… o que vi em +-90 minutos dele. Se isto não fosse um blog, mas sim um espaço de trabalho… não teceria comentários para não arriscar demasiado!

  2. Grande texto! Mais um! Nao percebi o Nuno… cada vez estão melhores com os videos a servirem de argumentacao ao q dizem! Aprendo e fica a saber mais de futebo num minuto aqui que em 40 horas de qq curso de treinador!

    O meu mt obrigado e que assim continue!

  3. “Consciente ou inconscientemente, não esconde o que pensa sobre o jogo e sobre os seus jogadores. Apesar de tantas vezes a forma como se expressa ser motivo de incompreensão, ter atenção ao conteúdo faz-nos sempre aprender um pouco mais.”

    Desde os tempos do Estrela, em referência a flash interviews, que Jorge Jesus mostrava ter um discurso bem diferente – para melhor – dos demais. Olhado justamente o conteúdo por ser o que mais importa. Também gosto muito dessa faceta de J. Jesus e não me incomoda minimamente – tal como não incomodará qualquer pessoa que não é idiota – a expressão ou uso do Português. Essa forma franca de comunicar terá boas e nocivas repercussões, as últimas como Van Basten tantas vezes já abordou.

    Mas foi / é sempre refrescante ouvir-se JJ falar de futebol. Futebol. (Quando dá entrevistas a revistas sobre outros aspectos das instituições que representa perde-se com facilidade.)

    • Totalmente de acordo com isto. As pessoas perdem-se nas gafes e na fraca construção gramatical e distraem-se do conteúdo. Mas depois de veres um jogo da equipa dele, ouvir os seus comentários e prestar atenção ao conteúdo das declarações – ignorando a forma – é sempre possível aprender alguma coisa. Pessoalmente fico sempre colado à espera de qualquer frase que possa dar pistas sobre a forma como vê o jogo. É pena que os jornalistas só apertem com ele para picar os adversários ou fazer declarações polémicas, porque percebe-se – como o post refere – que se puxassem por ele, todos os fins-de-semana tínhamos uma aula.

      • Com tanto programa de bola em Portugal faltava um “mesa redonda” com o JJ, o Vítor Pereira, Paulo Fonseca, Carvalhal, Jesualdo, e o Bouças claro! O bem que isto fazia ao espectador do futebol português.

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