15 minutos de Luc Castaignos. Decifrando Jorge Jesus.

O treinador do Sporting tem uma pequena peculiaridade entre os treinadores portugueses. Consciente ou inconscientemente, não esconde o que pensa sobre o jogo e sobre os seus jogadores. Apesar de tantas vezes a forma como se expressa ser motivo de incompreensão, ter atenção ao conteúdo faz-nos sempre aprender um pouco mais. Ou no limite, percebermos como pensa e os porquês das suas opções.

É verdade, também, que o Castaignos desgastara muito os centrais pelos movimentos que fizera. Castaignos é um jogador que do ponto de vista de profundidade ofensiva, é o melhor dos nossos avançados, mas não é um goleador. Ao contrário do André é um jogador que foge mais do golo

Observando os primeiros quinze minutos da partida e percebe-se logo do que fala Jorge Jesus. O holandês a mostrar-se sempre disponível para receber nas costas da defesa adversária. Identifica a situação e o espaço onde é possível a bola entrar para a receber. Não necessariamente no corredor central para ir finalizar, mas tantas vezes com movimento para as costas no corredor lateral. Mostra-se com competência a pedir na profundidade, obrigando últimas linhas adversárias ao desconforto de sprintar para baixar metros e impedir que o Castaignos vá embora para a baliza. Por isso, o elogio de Jesus ao desgaste que Luc provocou.

E porque de avançado leoninos temos falado por aqui, a consideração de que o avançado perfeito será sempre o que se move na área como Dost, o que joga com espaço nas costas adversárias como Castaignos, e o que se move e decide entre linhas como Bryan. Três “requisitos” que não encontramos em nenhum avançado que pise os palcos da Liga portuguesa.

 

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

9 comentários em 15 minutos de Luc Castaignos. Decifrando Jorge Jesus.

  1. “E porquê de avançado leoninos temos falado por aqui, a consideração de que o avançado perfeito será sempre o que se move na área como Dost, o que joga com espaço nas costas adversárias como Castaignos, e o que se move e decide entre linhas como Bryan. Três “requisitos” que não encontramos em nenhum avançado que pise os palcos da Liga portuguesa.”

    Jonas?

    • falar depois de ter visto para ai 90 minutos dele é uma loucura. Nunca podes chegar a boas conclusões com esse tempo de observação.
      Se for sempre o que vi, sinceramente, acho que não será bem sucedido nesta época. Não traz qualidade nas zonas de criação… e portanto surge como alternativa só para 1o avançado. E ai, numa equipa como o Sporting que encosta adversários lá atrás e joga contra blocos quase sempre baixos… Dost faz muiiiiiiito mais sentido! Não me parece que venha a ter vida facilitada este ano! Isto… o que vi em +-90 minutos dele. Se isto não fosse um blog, mas sim um espaço de trabalho… não teceria comentários para não arriscar demasiado!

  2. Grande texto! Mais um! Nao percebi o Nuno… cada vez estão melhores com os videos a servirem de argumentacao ao q dizem! Aprendo e fica a saber mais de futebo num minuto aqui que em 40 horas de qq curso de treinador!

    O meu mt obrigado e que assim continue!

  3. “Consciente ou inconscientemente, não esconde o que pensa sobre o jogo e sobre os seus jogadores. Apesar de tantas vezes a forma como se expressa ser motivo de incompreensão, ter atenção ao conteúdo faz-nos sempre aprender um pouco mais.”

    Desde os tempos do Estrela, em referência a flash interviews, que Jorge Jesus mostrava ter um discurso bem diferente – para melhor – dos demais. Olhado justamente o conteúdo por ser o que mais importa. Também gosto muito dessa faceta de J. Jesus e não me incomoda minimamente – tal como não incomodará qualquer pessoa que não é idiota – a expressão ou uso do Português. Essa forma franca de comunicar terá boas e nocivas repercussões, as últimas como Van Basten tantas vezes já abordou.

    Mas foi / é sempre refrescante ouvir-se JJ falar de futebol. Futebol. (Quando dá entrevistas a revistas sobre outros aspectos das instituições que representa perde-se com facilidade.)

    • Totalmente de acordo com isto. As pessoas perdem-se nas gafes e na fraca construção gramatical e distraem-se do conteúdo. Mas depois de veres um jogo da equipa dele, ouvir os seus comentários e prestar atenção ao conteúdo das declarações – ignorando a forma – é sempre possível aprender alguma coisa. Pessoalmente fico sempre colado à espera de qualquer frase que possa dar pistas sobre a forma como vê o jogo. É pena que os jornalistas só apertem com ele para picar os adversários ou fazer declarações polémicas, porque percebe-se – como o post refere – que se puxassem por ele, todos os fins-de-semana tínhamos uma aula.

      • Com tanto programa de bola em Portugal faltava um “mesa redonda” com o JJ, o Vítor Pereira, Paulo Fonseca, Carvalhal, Jesualdo, e o Bouças claro! O bem que isto fazia ao espectador do futebol português.

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