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Porque mesmo os golos de grande recorte individual trazem decisões por trás. André Silva.

André Silva

Foram os muitos golos que somou num curto espaço de tempo que lhe trouxeram a notoriedade, e permitiram que o FC Porto decidisse apostar sem reservas em André Silva.

Contudo, desde o primeiro momento, o que realmente mais impressionou no jovem avançado foi a capacidade de entendimento que tem do jogo. A forma como se movimenta é invulgar de tão boa para quem é tão jovem. Seja em ruptura ou em apoio, sempre com simulações a anteceder o movimento que realmente faz, capazes de enganar toda a oposição.

Apesar do registo bem interessante, não parece por ora um jogador com especial apetência para o momento específico de finalização. Os números reflectem bem mais a qualidade com que aparece do que a com que finaliza. Por vezes ainda executa a uma velocidade menor do que a que poderá fazer a diferença.

Todavia, a interpretação que faz do jogo nos momentos ofensivos, contribui de sobremaneira para aproximar o FC Porto do golo. Na Amoreira, o seu movimento de ruptura terminaria no lance da grande penalidade que abriria o activo, mas é a participação no segundo golo que faz mostrar o quão diferente André Silva é da banalidade. A forma como observa e entende cada contexto, decidindo em função da situação e não de uma predeterminação qualquer. Todos os que jogam com manual predefinido de conceitos teriam tocado a bola no central. André fez diferente. Porque entende e contribui para o jogo com imensa qualidade. Observando o espaço, desequilibra. Onde outros colocariam para 10×9 (por expulsão de adversário), André que controlou espaço, roda pelo lado livre e coloca lance em 3×3 com praticamente meio campo para jogar, e com o desequilibrador Corona em 1×1.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2705 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

2 comentários em Porque mesmo os golos de grande recorte individual trazem decisões por trás. André Silva.

  1. Creio que não é tanto a capacidade/habilidade que falta no momento da finalização, falta-lhe aumentar a velocidade no momento do remate. Contudo, o que contribui a até a forma como influencia o jogo da equipa fazem dele um jogador acima da média. Na posição e com a idade que tem não há muitos. Jogando mais acompanhado na frente poderá aumentar os seus números, pois acredito que os metros que ganha consecutivamente sozinho também prejudicam a parte final dos lances, em que aquela pontinha de velocidade faz a diferença. Belo exemplo o vídeo do segundo golo.

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