“MarsBet”

Marco Silva. Impacto imediato.

E zumba e vai e vai. Vejo equipas na Liga inglesa que estão a ganhar três e quatro zero e de repente levam com três ou quatro golos nos últimos minutos. Sabes porquê? Não têm cultura táctica. Não controlam o jogo e não o entendem, jogam na emoção.

Vitor Pereira sobre a Liga Inglesa.

Marco Silva é nos dias de hoje uma das grandes atracções da Premier League. Artigo interessante aqui.

Porque obteve resultados rápidos numa equipa até então catalogada como um dos patinhos mais feios dos últimos anos na Premier.

Do ainda curto tempo de trabalho emergem duas grandes razões para o impacto que está a ter.

a) A felicidade, que uma equipa cujos recursos são infinitamente inferiores, sempre precisa de ter quando defronta equipas bastante superiores, como o são o United e Liverpool (uma derrota, e duas vitórias, em quatro partidas!). No detalhe, na eficácia, praticamente tudo o que poderia correr bem, correu (faltou somente a bola de Markovic entrar em Old Trafford, para ter sido um aproveitamento máximo). Felicidade porque não é expectável que jogadores de categoria inferior sejam tão mais eficazes que outros bastante melhores. Foram-o.

b) Aquilo que controla, e que no fundo serviu como uma candidatura à felicidade. Sem o seu cunho, era como esperar o Euromilhões sem ter apostado. O Hull dentro das suas limitações individuais, mostrou competência colectiva. Momentos do jogo bem identificados por todos. Uma marca bem portuguesa, na forma como colectivamente a equipa interpreta o jogo, tentando controla-lo pela razão e não pela emoção. Ideias firmes em organização defensiva. Toda a equipa a perceber o momento de juntar as linhas. O início da construção desde logo com tentativa de sair com bola pelo chão. Ainda que não tenha conseguido ligar as fases ofensivas com qualidade, o pouco tempo em que conseguia ter a bola sem precipitar o chutão, era tempo que congelava o jogo e adormecia o adversário. Respirando. A transição defensiva bem identificada, na forma agressiva como se recuperavam posições após a perda, garantindo superioridades.

O primeiro grande mérito de Marco Silva é pois, a forma como vai retirando as emoções do jogo habitual das equipas inglesas. Mesmo com poucos recursos, fazer do Hull uma equipa “adulta”, expressa no entendimento de cada momento de jogo e de que acções devem ser integradas em cada momento de jogo, poderá valer-lhe o passaporte para algo mais.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2860 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

7 comentários em Marco Silva. Impacto imediato.

  1. O Marco sabe muito de futebol porque, ao contrário de outros que por aí andam, não andou pelas seleções distritais na brincadeira 🙂

  2. Fico feliz por ele, sobretudo se conseguir salvar o Hull. A reacção da imprensa inglesa ao appointment dele foi bastante xenofoba, e a própria autora do artigo escreveu na altura que ele nem sabia falar inglês. O que, como se comprovou rapidamente, é falso.

    Do artigo saliento esta linha: “The new manager’s been on the training pitch every day, putting a lot of tactical information into us,”

    O que só evidencia que o treinadores inglês standard não mete os pés no campo de treino durante a semana. Provavelmente os desgraçados andaram a treinar cantos e a contornar pinos desde a pré-época.

  3. O Ranocchia ainda falhou algumas vezes no entendimento com a linha defensiva, mas tem poucos treinos em conjunto. Quando melhorar isso, vai ser uma excelente adição ao plantel. Gostei de 2/3 jogadas em que ele tentar quebrar linhas com um passe. Além da assistência para o 2-0.

    Quando a equipa estiver mais calma, quero ver Huddlestone e Evandro a jogar dentro do bloco. Ontem estiveram os 2 muito bem e vai passar muito por eles o que o Hull conseguir jogar.

  4. Da época do Marco Silva no Sporting recordo acima de tudo a dificuldade em controlar a profundidade (veja-se o jogo com o Chelsea em Alvalade e quantidade de jogadores isolados que o Rui Patrício enfrentou). E também alguma dificuldade em desmontar blocos bastante baixos. Mas também uma excelente circulação de bola e os brilhantes jogos com o Schalke (só não se qualificou para os oitavos por um empate estúpido em Ljubljana e pelo escândalo que foi a arbitragem em Gelsenkirchen).

  5. Dificuldade anterior quando em organização ofensiva, com defesa mais subida, a ter que defender espaços maiores com menos gente. Não é para todos. Curioso para ver a evolução.

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