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FC Porto vence no Castelo

Em Guimarães, tudo o que havia sido referenciado na crónica anterior no Jornal Record. A nova ordem em 442. E as dinâmicas que movem Nuno.

Aposta quase total numa transição defensiva segura assente em duas grandes ideias.

  1. Pelo manter sempre de proximidade entre elementos do último sector. Pouco “abre” a equipa em largura, e profundidade, mesmo em organização ofensiva.
  2. Abdica de uma construção apoiada, optando demasiadas vezes pelo passe longo, que serve como garantia de que poucas vezes perderá a bola em zonas baixas ou com poucos elementos atrás da linha da bola.

Ofensivamente, um FC Porto com pouco critério. Na crónica ao Record falava em criar “ruído” como a maior pretensão de Nuno para os ataques azuis e brancos. Bem patente na forma como o FC Porto chega ao primeiro golo no Castelo. Um FC Porto de choque, abnegação, que espera o momento em que uma bola possa sobrar para os seus executantes. Uma ideia ofensivamente nada aprazível. Nuno vai esperando que a incrível diferença entre individualidades de um lado e dos outros continue a trazer os três pontos para a invicta. Muito mais do que pelo que procura elaborar no seu jogo com bola.

Felipe, Marcano e Danilo. Um síntese do que construiu Nuno Espirito Santo. Um tridente que não perde um duelo individual. Que faz valer os atributos físicos para resolver todos os problemas.

Óliver, Jota, João Carlos, Corona, Rúben Neves e Otávio. Provavelmente o melhor banco de suplentes da história da Liga NOS. Todos com um nível técnico e de decisões muito elevado. Porém, não ao “jeito” do caminho que desenha o treinador do FC Porto.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2706 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

11 comentários em FC Porto vence no Castelo

  1. Não me custa nada que o tridente defensivo seja mais forte a nível de duelos individuais, preterindo de jogadores mais “refinados”. Dá segurança, resulta bem, vê-se boa coordenação entre a dupla de centrais e portanto nada a dizer.

    Dói muito ver Herrera e André André a tirar lugar a Oliver, JCT, Otávio e Corona…. É abdicar de ter a bola e de querer construir algo.

    Só mais um reparo, se a nível colectivo o Nuno se apoia quase exclusivamente na capacidade de luta e desiquilibrio individual, então não está a ser coerente ao deixar os mais criativos (a nível atacante) no banco.

    De notar que pelo menos a nível de comprometimento da equipa, é evidente atotal abnegação dos jogadores… e isso é mérito do Nuno. Mas podia jogar tanto, mas tanto mais este meu FcPorto… até dói a alma.

  2. N era nenhuma critica aos 3 nem à sua utilização… Na nossa realidade sao qs imbativeis…

    Mas eu gostaria de com bola ver um FCP totalmente diferente…

    • Claro, a minha ideia era reforçar que à sua maneira, têm cumprido o objectivo.

      E sim, dá pena ver como a vertigem é sempre a opção e como o farol Brahimi, foi o alvo de todo o jogo nos primeiros 45min (quando Oliver e Corona jogam, temos 3 faróis, o que cria mais “dúvida” no adversário).

  3. O Monaco tem uma equipa recheada de craques (bernardo silva, lemar, e ainda outros grandes jogadores como Moutinho, falcão, germain, e tantos outros) e muito bem orientada. Mas o mbappe… meu deus. Parece o henry. Velocidade, técnica, explosão, finalização, decisão… e tudo com 18 aninhos.

    Relativamente ao meu Porto, é verdade que vamos ganhando, mas não entendo como se pode deixar oliver e Octávio no banco para jogar o André André…

  4. Foram 2 jogos extremamente complicados para o Porto, contra 2 equipas que têm meios-campos fortes fisicamente, principal “problema” deste FCP. Demasiados jogadores franzinos e com pouco poder de choque e capacidade física. Contra o Sporting, abdicaram claramente do meio-campo, mas manteve o melhor 11. Contra o Vitória, já alterou jogadores no meio-campo para reforçar o miolo. Quero ver o Porto contra equipas abaixo do seu nível para comparar. A mim, para já, parece-me q o NES está a adaptar a equipa a cada adversário, mas irei perceber isso mais à frente. Para já, admito: não estou a gostar da forma de jogar, mas a realidade é que estão a ganhar como nunca.

  5. Na nossa realidade é equipa para ganhar 90% dos jogos, mesmo que a nível de organização ofensiva seja uma equipa com poucos apoios que recorre em demasia à bola longa esticando o jogo.

    Não concordo com a parte do melhor banco porque são jogadores com muitas características semelhantes, no entanto, um excelente leque de opções. Acho que neste sentido o Benfica tem um banco igualmente recheado e mais transversal.

    É um prazer ler o lateral esquerdo.

    Um forte abraço.

  6. “Ofensivamente, um FC Porto com pouco critério.”

    Caro Paolo Maldini

    Linguagem Vítor Pereira para futebol apoiado.

    Um passe longo e preciso também tem “critério”.

  7. Pedro,

    Muito interessante esta frase no artigo Record: “Muito do segredo dos bons números em termos defensivos do FC Porto (melhor defesa da Liga), estão ligados à ideia em organização ofensiva.”

    Sendo o Porto (mais bola / mais tempo em org-of que a maioria), atacar com menor risco até resulta em bons números em termos def.

    E a parte gira/interessante, dizia eu, é olhar para esta ideia de “atacar mal = boa defesa” do Porto versus a daquelas equipas do Pep que, ano após ano, acabavam com a melhor defesa de todos: precisamente por serem as equipas que melhor atacavam!

    Continuação do bom trabalho!

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