O jogo não pára quando a bola descansa no pé de um génio

Há não muito num texto sobre a formação escrevia aqui

Futebol de petizes, traquinas e benjamins, cada vez mais parecido com um espetáculo circence, que visa alimentar o ego do pais, e por vezes dos próprios treinadores. Miúdos na arena a tomar decisões que vêm da bancada. Em busca de um possível sucesso imediato, guiados por quem não entende sequer o que é uma boa decisão. Por isso, tantos crescem a “saber” que na linha de fundo se cruza, que a bola não se guarda por demasiado tempo e que se houver oportunidade para rematar, não há outra decisão possível. Formatar miúdos desde sempre. E ainda pior, formatá-los com ideias erradas. Formatá-los para que nunca percebam o jogo. Para que nunca entendam contexto e coloquem as suas decisões em função deste.

Sobre a percepção geral sobre o jogo, o destaque de mais um texto genial do não menos genial Saber Sobre o Saber Treinar aqui.

…tudo isto perante a impaciência da bancada que lhe pedia para acelerar em condução, na sempre presente vertigem pela velocidade descontextualizada

Ser melhor é não ter amarras na decisão. Não ter constrangimentos de fora. Mesmo que o público se perda de amores por quem entrega sempre de primeira. Ou por quem acelera em todos os momentos. Decidir bem é analisar contexto. Porque por vezes guardar a bola, mesmo que pareça que por demasiado tempo permite que as coisas aconteçam. O jogo não pára nem acaba quando a bola descansa no pé de um génio.

Consegue imaginar tal situação em qualquer bancada portuguesa? Equipa a perder e portador parado com bola no pé a olhar em frente. Do profissional ao amador, do futebol sénior ao de crianças?

Tantas são as vezes em que o talento tem de ser surdo e perseverante.

 

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2562 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

8 comentários em O jogo não pára quando a bola descansa no pé de um génio

  1. Incrível como o Pastore leu/preveu a jogada. Pareceu jogada de vídeo-game.
    Um outro lance que me veio a mente em que o jogador teve a paciência de achar o momento certo, foi o Neymar exatamente contra o PSG no jogo do 6 x 1. Acredito que pouquíssimos jogadores daria o corte no defensor no último lance do jogo e então cruzar para área, dar a assistência ao Sergi Roberto. A probabilidade de um jogador tentar cruzar no desespero era imensa e o erro era praticamente certo.

    • Ora bem! Ainda no sábado fez imensa falta mas os brutamontes entraram todos, seja de início ou durante o jogo. O ilustre Vitória que não abra a pestana que vai ver o que lhe acontece. Esta coisa de ser amigo de todos depois também pode dar em parvoíce. O homem com estas escolhas está a deixar um veneno em relação ao Salvio que ainda se vai virar contra ele.

  2. Caro Paolo Maldini

    Diakhaby teve tempo mais do que suficiente para se posicionar correctamente e induzir Pastore a ter que ir pela lateral e não pelo meio.

    É esta a formatação que deve ser ensinada nestes casos, proteger o meio, proteger a baliza e tentar que o adversário não progrida pelo meio, não remate à baliza, não cruze nem varie o flanco.

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