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Um jogo que se quer prazeroso

Como desfrutei como quando era pequeno nunca mais aconteceu…

Thiago Alcantara, quando questionado sobre se atravessava o momento mais feliz enquanto jogador.

Escrevia o genial Ricardo Ferreira no seu texto mais recente:

Cada vez vai ganhando mais força a ideia da importância do Futebol de Rua, das suas características singulares, e da prática sistemática que este promove. Da forma como esse contexto, desprovido de adultos, liberto da pressão que o erro significa para os mesmos, leva a criança a ser o “cientista”, experimentando, aprendendo o jogo com este como o professor, proporcionando-lhe evolução, fazendo emergir o talento e até conhecimento.

O contexto, o envolvimento, as vivências. A prática intensiva e o desenvolvimento da motivação são de facto o que faz a diferença no explorar do potencial do jovem jogador.

No “Código do Talento”, o desconforto do erro é mencionado como determinante no desenvolvimento de talentos. São como “pontos de referência para o aperfeiçoamento”.

Nos dias de hoje em Portugal, há pouco espaço e tempo para as crianças se divertirem e abusarem da prática livre de amarras e condicionalismos. Daquela que tanto contribuiu para o aparecimento de Thiago e do seu irmão Rafinha enquanto jogadores. Numa sociedade que cada vez mais encaminha os jovens para os videojogos, é determinante que no pouco tempo de prática que tantas vezes sobra, que esta para além de dirigida de forma a potenciar o máximo de tempo de empenhamento motor, em contexto de jogo, que possibilite a experimentação, esteja também liberta das ordens que vêm da bancada, que nada mais fazem se não coarctar as posibilidades de desenvolvimento da criança.

Que para além de não aprender e não compreender, não desfruta.


Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2855 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

3 comentários em Um jogo que se quer prazeroso

  1. “Um jogo que se quer prazeroso”

    Caro Paolo Maldini

    Grande contraste com as palavas de Abel Xavier: treina a dor, luta contra a dor e vence a dor.

  2. A sociedade não encaminha as crianças para os videojogos, apenas. A sociedade encaminha os pais a encaminharem os filhos para tudo o que é escola de futebol, desde os três anos. É uma estupidez, não tem outro nome. Depois, uma horda de treinadores formatados, cria milhares de jogadores-robot, tudo igual, tudo muito certo, sem pingo de criatividade. Vão surgindo seres raros, que fora das escolas não largam a bola, Bernardo, Gelson, Renato. Poucos mais. A esmagadora maioria é de protótipos do que esses treinadores e pais conhecem e desejam. Até aos 10 ou 12 anos, devia ser proibido jogar futebol em escolas, os miúdos deviam jogar entre eles, arranjem-se espaços e os pais que deixem de ser maricas (aí os pedófilos, ai os carros, ai os cães) ou Donas Dolores em potência e deixem as crianças em paz.

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