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O dia perfeito de Ander Herrera

23 October 2016 - Premier League Football - Chelsea v Manchester UnitedEden Hazard of Chelsea and Ander Herrera of Man Utd battle for the ballPhoto: Charlotte Wilson

Ontem, depois da vitória do Manchester United frente ao Chelsea, Herrera, premiado homem do jogo, partilhou nas redes sociais uma foto do festejo do seu golo. Na descrição, a sensação de prazer pelo dever cumprido.

“Dia perfeito em Old Trafford”

Há já algum tempo que José Mourinho nos brinda com estratégias baseadas em tarefas individuais. As marcações homem a homem são frequentes e no jogo de ontem foram novamente visíveis. A Herrera, foi-lhe atribuída a missão de perseguir Hazard. Todo o jogo do espanhol se baseou na vigília constante ao atacante belga. Mesmo nos momentos de organização ofensiva, a preocupação com o adversário era incrivelmente visível!

O Chelsea não soube contrariar este método arcaico e, curiosamente, Herrera teve a felicidade de assistir para o 1º golo e marcar o 2º. O jogo acabou com um vitória do Manchester.

O compromisso e profissionalismo de Herrera saltaram à vista. Ainda assim, e mesmo que entenda a felicidade de quem ganha, de quem cumpre o seu dever, custa-me a perceber como pode ser perfeito, o dia de alguém que passa um jogo todo a tentar anular um adversário. Como pode um futebolista retirar prazer da sua profissão, com este tipo de tarefas?

O treinador quis ganhar e achou que a melhor forma de o fazer foi aquela. Tudo certo. Posso não concordar mas entendo. O que não entendo é existência de jogadores que conseguem retirar prazer ao “jogar” desta forma. Não entendo a felicidade de quem foi escolhido para não jogar. Não entendo a motivação de quem vive para não deixar jogar. Não são só as limitações táticas coletivas inerentes a este tipo de postura que me preocupam. Assusta-me que um futebolista chegue tão feliz, ao final de um jogo em que a sua performance poderia ter sido replicada por um qualquer adepto em boa forma física.

O Herrera é, obviamente, um grande jogador mas é limitador viver só do prazer da vitória.

 

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 57 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

44 comentários em O dia perfeito de Ander Herrera

  1. Caro Bruno, podes perceber muito de futebol, táticas, e várias vertentes de desporto. Mas falta te perceber de pessoas, motivação, incentivos, psicologia, etc

    Se não entendes esta satisfação deste tipo de jogadores e pessoas não vais nunca ser um Mourinho.

    Não me surpreende, porque está alinhado com a vossa idolateracao por um treinador que entende 0 de pessoas e ódio por um que acima de tudo percebe de pessoas.

    Um abraço

    • Um bocadinho precipitada essa afirmação, não Alexandre?

      Eu entendo essa satisfação e referi-o o texto. O Mourinho é um génio e tem grande mérito na forma como influenciou o jogador.

      • Desculpa se te sentiste ofendido, não foi esse o propósito.
        Refiro me ao que dizes e cito
        “O que não entendo é existência de jogadores que conseguem retirar prazer ao “jogar” desta forma”

        Há pessoas assim, jogadores assim, e isto é a natureza humana.
        Se não perceberes que há pessoas que ficam felizes por cumprir uma missão não vais ser nunca um Mourinho. Isto não tem mada de mal, é válido.
        Mas ser um jj é mais limitado e difícil que ser um Mourinho

        • Um coisa é ficar feliz por cumprir uma missão outra é desfrutar dessa missão. A segunda custa-me mais a entender, em casos como este.

          • Tanta coisa que poderias ter escrito sobre este jogo e foste logo escrever sobre algo que para mim faz pouco sentido criticar. Herrera jogou, fez jogar e não deixou jogar que mais poderia ele fazer?! Fez tudo o que lhe competia logo é óbvio que tem que estar satisfeito! Em vez de se referirem ao facto do jogo do Chelsea se basear todo em apenas um jogador e referirem se ao facto de Conte não ter soluções e de te ter levado um banho táctico estão a criticar um jogador que fez mais do que qualquer outro em campo! Tanta coisa interessante para escrever sobre este jogo como por exemplo o motivo do Chelsea ter ZERO remates à baliza o jogo todo, ou acham que foi acaso? Falar do facto do Hazard ainda estar à procura de uma saída do bolso do Herrera, falar do facto do Diego Costa ainda estar à procura de uma saída do bolso do Baily e do Rojo, ou acham que foi acaso? É que nem se pode dizer que eles tiveram um mau jogo porque eles nao tiveram hipótese de ter um bom jogo, Mourinho foi demasiado para o Conte e isso sim seria interessante ler as vossas opiniões sobre o porquê de ter resultado tão bem! Agora criticar o melhor jogador em campo nesse jogo parece me que faz pouco sentido…

          • A satisfação que advém do cumprimento de uma tarefa, não é o mesmo que o prazer que se retira ao cumprir essa tarefa.
            Desfruta aí, do brilhante jogo do Herrera.

  2. Talvez o jogo do Chelsea seja também ele arcaico na forma como depende a nível ofensivo das individualidades, logo anulado por estratégias arcaicas.

  3. Começo por dar os parabéns aos colunistas deste excelente blog, que me tenho habituado a seguir com muito interesse.
    Raramente sinto que os meus comentários possam acrescentar alguma mais valia, mas neste caso vou dar os meus 50 cents.
    Posso perceber a ideia generalizada que se tenta passar de que na maioria dos casos não se perceba como se possa tirar prazer de passar o jogo a anular um adversário, mas gostava de aproveitar para dar um input pessoal de um puro amador, apesar de apenas ter jogado federado na formação continuo a praticar este vício da bola regularmente seja em peladinhas com amigos ou jogos de veteranos.
    Eu retirava bastante prazer de alguns jogos em que a missão era anular o melhor jogador adversário, a sério, ficava aquela sensação de dever cumprido, por saber que a outra equipa dependia tanto do jogador x, por sentir que esse jogador apesar de melhor que eu tecnicamente, conseguiu-se anular num misto de antecipação, inteligência e leitura dos lances, e claro uma boa condição física. O prazer de ter feito o melhor para a nossa equipa, de impedir o jogo do tal “craque” sem recorrer ao “dar pau”, de muitas vezes até receber os parabéns desse jogador…
    Acho redutor dizer-se que um qualquer adepto de bancada em boa condição física poderia fazer o papel que o herrera fez, aqui tenho que discordar totalmente. Fica a minha singela opinião pessoal com conhecimento de causa num nível estratosfericamente inferior.
    Abraços e continuem, adoro o blog.

    • Obrigado, pelo reconhecimento e pela partilha.
      Eu entendo essa satisfação mas o futebol é tão mais do que isto…custa-me entender que um jogador desfrute do jogo, na sua plenitude, tendo este tipo de tarefa.

      Obviamente que a parte do adepto surge para hiperbolizar a situação.
      Abraço

  4. Não concordo nada com a afirmação de que não se tira prazer com anular um grande jogador.
    Sou um jogador fenomenal (com 40 anos) que nunca se dedicou ao futebol por ter outros sonhos. Não há nada que eles façam que eu não faça e há muita coisa que eu faço e que eles não fazem, tirando dois ou tres. Nunca joguei com ninguem que se aproximasse sequer e joguei com profissionais, ex internacionais, etc.
    Não há nada que me dê mais prazer (só jogar com o meu irmão já que jogamos de olhos fechados) que anular o melhor jogador do adversário para a seguir resolver o jogo. Aliás, quando vejo alguem que é bom, é como se me picasse uma abelha (eu que na vida real nem sou nada competitivo) e não descanso se não o anular completamente. Depois de o anular é que me preocupo em atacar (quando tenho bola). Isto acontece porque quero ganhar mas tambem por querer mostrar que sou o melhor. Aparecer alguem que pensa que pode ser melhor que eu, mesmo não me conhecendo 🙂 , é visto por mim como uma afronta. Se quisesse só divertir-me com a bola não me preocupava. É a diferença entre um Zidane e um Ronaldinho; o Zidane preocupava-se em equilibrar a equipa e acabava por controlar o meio-campo, ao contrario do Ronaldinho, que lá tinha que descair para a faixa. Dá muito mais gozo, é muito mais dificil fazer as coisas bem e consistentemente, exige muito mais de nós querer jogar o jogo como ele é jogado, ou seja: para ganhar. Jogadores como o Ronaldinho fazem-me sempre lembrar o que o Pessoa dizia dos escritores portugueses do seu tempo: São muito imaginativos e fantasistas, de tal maneira que se perdem na fantasia. O meu conselho é serem ainda mais imaginativos (imagino que significasse que so com mais imaginação conseguiam conciliar a liberdade imaginativa com a realidade, com a mesagem que queriam passar, o contexto.) — Acho que era qq coisa deste genero, já li há muitos anos.
    O confronto individual das estrelas é muito importante nos jogos a doer. Quando as equipas se equivalem, são os artistas que resolvem. A luta pela posse de bola passa a ser muitas vezes entre eles. Veja-se o Zidane contra o Figo, o Zidane contra o Ronaldinho, o Messi contra o Ronaldo. Muitas vezes não se confrontam directamente mas quando o Messi recua para controlar a posse, o Ronaldo fica sem bola. Aquele que conseguir recuar mais, leva vantagem.
    Uma pergunta, então os defesas tirarão mais gozo por anular um adversário ou por marcar um golo? Eu acho que será por anular o adversário.
    Para terminar, o futebol dá muito mais gozo quando é jogado em equipa. Aliás, só aí começa a ser futebol. O Herrera jogou como a equipa precisava. Eu não vi o jogo mas se anulou o Hazard e ainda fez uma assistencia e marcou um golo, então será sem duvida o homem do jogo.
    PS: anula-se um bom jogador pela frustação. Se ele não conseguir passar nas primeiras vezes começa a ficar sem confiança e começa a desistir do jogo. Como a maior parte deles pensa que são melhores do que aquilo que realmente são, não aguentam o confronto. Nos jogos de amigos é raro aquele que volta. Ficam tão despeitados que não voltam mais.
    Ah, só mais uma coisa: No futebol ataca-se e defende-se. Se não gostas de defender então o problema é teu. Defender bem é dificílimo, mais que atacar.

    • Essa afirmação não existe, João. O que digo é que me custa entender como é que um futebolista que passa um jogo atrás de um adversário consegue ter prazer.

      “…o futebol dá muito mais gozo quando é jogado em equipa.” É isso, é verdade. Defender de forma individual tem pouco de coletivo, como é óbvio.

      Não gostar de defender não significa que não se reconheça a sua importância.

    • João não te vou contestar porque entramos no capítulo das preferências… Mas é muito mais difícil atacar do que defender. Por algum motivo o Jesus sempre disse que ensinar a defender um extremo é fácil, mas ensinar um lateral que não é ofensivo a atacar é muito mais difícil…

  5. Pura e simplesmente, ele foi o escolhido para se “sacrificar” em prol da equipa e dos colegas. Da mesma forma como elogiam um jogador que num 2×1 faz o passe para o colega que está em melhor situação para finalizar do que arriscar o remate onde as probabilidades de sucesso eram menores. Acho que também deve ser aplicada neste caso. Herrera fez talvez um tipo de jogo que ele não gosta de fazer contudo fica extremante feliz quando vê que o seu “sacrificio” permitiu que a equipa vencesse o jogo. Acho também que não é uma situação onde a equipa como um todo abdicou de jogar o jogo, como muitas vezes vemos. Por último temos tantos desportos colectivos onde as funções de cada jogador são “limitadas” e menos “vistosas” de forma a que estas garantam o sucesso geral da equipa. Poderá existir outras formas de ganhar o jogo? Sim. Muitas equipas conseguiram até hoje fazer isso ao Chelsea? Não. United jogou de Autocarro deixando de participar em todos os momentos do jogo? Não. Estratégia resultou? Sim. Herrera pode ter limitado na sua forma de jogar e mesmo assim conseguiu fazer uma assistência fantastica (passividade incrivel da linha do Chelsea) e marcar um golo.

  6. Mourinho 2 Conte 0…nem 1 remate a baliza do chelsea..se até ao intervalo o factor surpresa da marcação individual condicionou…dp nao e foi mais do msm…redutor só msm a exibição do chelsea e a falta de variantes para saber sair do facto que sem hazard foram 0

  7. Acabaste de repetir a afirmação: “O que digo é que me custa entender como é que um futebolista que passa um jogo atrás de um adversário consegue ter prazer.” Passar um jogo atrás do adversário a anulá-lo.
    Outra coisa que me faz um bocado de confusão é estarem sempre a dividir os jogadores em partes. Tudo bem que dá jeito para analisar e até para corrigir certos aspectos no treino mas no fim do dia não se pode cortar um jogador em metades. Com o individual vs colectivo passa-se o mesmo. não sei se virá dos textos sagrados onde cometeram logo o erro de dividir Bem e Mal, Alma e Corpo, negando uma parte e só aceitando a outra. Neste caso o “sacrificio” dele não teve nada de individualista, pelo contrario. O colectivo é sempre mais importante que o individuo mas muitas vezes é o individuo que faz progredir o colectivo. Um cientista, por exemplo, trabalha sozinho (em cima do trabalho de outros, claro) e é sozinho que descobre novos caminhos que mais tarde incorporará na sociedade, no colectivo, que fica a ganhar. Quando o Messi finta dois está a trabalhar para o colectivo, não só por fazer o que o colectivo não consegue mas essencialmente porque tira-os da jogada, chama outro defesa que libertará os colegas.
    Os Ronaldinhos desta vida mostram até uma certa displicencia e falta de compromisso pois ou são muito burrinhos para perceberem que é no meio que a acção é mais necessaria ou simplesmente não estão para ir à luta e colam-se à linha á espera da bola. Esses sim são individualistas sem pensar no colectivo. É uma fraqueza! Querem parecer melhores do que o que são.
    Não vi o jogo mas o que provavelmente o Hazard deveria ter feito era ter aceitado o confronto directo, redefinia as suas funções em campo com a ajuda do treinador e jogava o jogo como ele deve ser jogado: a atacar quando tem que atacar, a defender quando tem de defender. Não me parece que o Hazard seja feito dessa fibra. E como o Mourinho o conhece bem… talvez por isso nunca lhe fez a vontade de o pôr a jogar a 10 como ele chegou a pedir publicamente.

  8. Mas porquê Herrera? Um dos que até tem toque, pensa ofensivo.
    No Utd, tantos outros mais fortes fisicamente, talvez até mais resistentes!?
    Porque “foca” melhor? Não se distrai? Inteligência tática?

  9. Sim um jogador profissional, ia certamente ficar chateado por no momento defensivo ter que fazer uma marcação individual. Ficou tão chateado que o fez na perfeição e para mostrar o seu profundo desagrado ainda fez uma assistência, um golo e um man of the match.

    Haja paciência.

    • Mas quem é que sugeriu isso?

      “Ainda assim, e mesmo que entenda a felicidade de quem ganha, de quem cumpre o seu dever, custa-me a perceber como pode ser perfeito, o dia de alguém que passa um jogo todo a tentar anular um adversário.”

  10. Eu lembro-me de um Holanda X Italia (creio q no EURO2008) em que o treinador mandou o Van der Vaart fazer marcação individual ao Pirlo o jogo todo. A Itália foi completamente anulada.
    A meu ver, até hoje, a melhor maneira de defender é à zona, seja no futebol ou no futsal(!)
    No entanto o jogo é um jogo de estratégia. Como num jogo de Xadrez, peças mal jogadas de uma forma podem ser respondidas da mesma maneira. Há q ter em conta q foi um médio e não um jogador do quarteto ou trio defensivo, há q ter em conta q foi um caso “pontual” há q ter em conta q foi o Herrera e não um médio com mais capacidades físicas o q nos leva a pensar q escolheu um jogador com mais “brain skills”
    É todo um misto de variáveis, por vezes sou da opinião deste tipo de jogo (com um médio, extremo, ou AV) depende de como joga o adversário.
    O futuro dirá se será um esquema recorrente do JM…

    • Foi um médio, um central, etc. Sem bola, não foi só o Herrera.

      Já não é a primeira vez que acontece. Desta vez choca-me mais por o fazer em todos os momentos do jogo.

  11. Helder,
    atacar é mais dificil para quem não sabe, não tem tecnica nem agilidade para isso. para quem a tem, defender é muito mais dificil, mas é só a minha opinião. Basta veres que não há nenhum defesa do mundo que consiga travar o Messi no 1×1. Para já têm de enfrentar jogadores tecnicamente muito mais fortes (por isso os subiram no relvado, para estarem mais proximo da baliza e causarem mais danos), depois um jogador como o messi leva sempre a bola colada, mete sempre a bola onde ele possa chegar primeiro que os outros, tem reflexos suficientes para a tirar do defesa no ultimo instante e, acima de tudo, sabe sempre o que o corpo do adversário pode ou não fazer (este é o principal segredo de quem sabe driblar bem). Como é que se pára um gajo destes? Percebes agora porque penso que defender seja mais dificil que atacar? Concordo que os melhores são quase sempre atacantes ou médios, e é mais dificil ser bom jogador. No entanto a acção em si parece-me mais dificil.

  12. “A Herrera, foi-lhe atribuída a missão de perseguir Hazard.”

    Caro Bruno Fidalgo

    Marcações individuais deste tipo não são de agora, na final da CL 92/93, Angloma fez marcação HxH a Van Basten, deixando Lentini para Eydelie.

    No futebol não profissional, ficou célebre a marcação de Andrade a Del Piero.

    São casos pontuais que reflectem a importância de se anular o jogador marcado no jogo.

    Sobre Herrera, este é mais um jogador que pouco brincou nas selecções, o que contribuiu para a sua valorização (36M€ em Julho de 2014) e para estar a competir a este elevado nível.

    Este é mais um exemplo que se enquadra na minha teoria.

  13. João, se tens técnica e agilidade porque é que é mais difícil defender? Podes usar na mesma essas qualidades mas para defender. Lembra-te que é mais difícil melhorar tecnicamente o o drible do que melhorar o posicionamento ou leitura de jogo. Imagina assim, a atacares tens que te coordenar, coordenar a tua equipa estar atento a bola e isto enquanto tens a bola. A defender tu não tens a bola apesar de teres as outras tarefas… E o defesa fica sempre na expectativa, enquanto que o atacante é que tem de tomar a iniciativa, só isso faz com que por teres de tomar a iniciativa e ter o controlo da bola, isso seja mais difícil. Por exemplo, eu fui extremo e médio ofensivo, tinha alguma técnica e sabia ler o jogo. Mas uma altura comecei a descer no terreno, fiz médio centro e não era pra mim, porque quando era novo só queria era bola no pé… Depois fui para defesa lateral, primeiros tempos entrava à queima porque não estava habituado à posição, depois disso era só esperar pelos movimentos do extremo para lhe tirar a bola… Dava-te a iniciativa e lia a posição do corpo como tu bem dizes e Guess what, não sou rápido nem muito ágil. Cheguei a jogar a central, apesar de pouco tempo e foi a posição mais fácil que tive de fazer porque jogava com posicionamento e antecipação. Como já sabia ler o jogo de ter jogado como médio ofensivo era muito mais fácil para mim antecipar os movimentos dos adversários e ganhava assim os lances, com posicionamento e com antecipação. Compreendo o que queres dizer com o Messi, mas ele é alien… Para mim é muito mais fácil aprender posicionamento que depende de inteligência e rotinas que aprender ou ter creatividade. Por exemplo tu podes estudar o Messi muito bem e elaborar uma estratégia para o parar. Agora tenta estudar o Messi e depois fazer o que ele faz… O Messi é tipo o Tsubasa do futebol real.

    • Eu não deixo de concordar contigo em muitas coisas mas por exemplo, isso de ter a iniciativa parece-me uma vantagem já que é o atacante que decide o que fazer e pode fazer o que bem entender, salvo seja. O defesa tem de imaginar o que o atacante vai fazer e pior ainda, o que ele tem possibilidade de fazer pois uma finta pode decidir-se no ultimo décimo de segundo. Alguma fintas são indefensáveis. Dou-te um exemplo: um extremo vai colado à linha para centrar. Tu vais um bocadinho de nada atrasado. Está um homem livre na área e tu queres impedir o cruzamento. A unica maneira é lançares-te de carrinho. Só que basta ele parar a bola que tu passas a deslizar. Por isso é que os bons defesas cobrem o centro com uma perna e varrem com a outra. A perna que varre já está preparada para o caso de ele simular o centro e parar a bola. Isto tudo em movimento rápido. Agora imagina que em vez de simplesmente parar a bola junto ao solo ele a levanta um bocado. Não há hipotese de tirar essa bola. Na cabeça deles passa-se qq coisa como isto: Avançado- Olha um gajo livre na area, vou centrar; Espera que ele vem de carrinho, vou antes simular e deixá-lo passar. Oh, este é bom e vai varrer com a outra perna; levanto-lha um bocado. Hehe!
      Defesa- É pá, o gajo vai centrar, vou de carrinho. Mas preparo-me para varrer com a outra perna se ele simular; levantou a bola. Foda-se! já fui!
      Não há defesa sem dobras. Logo aí parece indicar que é mais dificil defender, pelo menos no 1×1. Um sai na pressao e obriga o avançado a reagir (desviar, qualquer coisa) e o da dobra, colocado não muito longe e coordenado com o defesa que saiu ao jogador, limpa o lance.
      Outra practica que indica que defender é mais dificil é o facto de quase todas as equipas tentarem ter superioridade numerica a defender. Há sempre mais defesas que atacantes. O 343 podia ser uma excepção mas tambem nao é pois o meio-campo acaba por ter mais homens que o do outro e normalmente jogam 3 avançados contra 4 defesas.
      Só mais uma coisa: lias a posição do corpo dele se ele não fosse bom a simular porque se ele fosse mesmo bom a simular leva-te atrás (exactamente por teres lido o corpo e teres de te antecipar) e a seguir mete-a no outro lado.

    • Outro aspecto a favor da minha teoria, penso eu, é o de que um defesa tem de acertar todas ou quase todas as acçoes. Se falha uma vez pode dar golo. O avançado pode falhar 20 acçoes desde que acerte uma ou duas que dêem golo. É um bocado simplista, eu sei, mas exige uma concentração maior.

  14. Boa noite,

    Eu não vi a totalidade do jogo, irei ver mais tarde. Estive a ler os comentários e acho interessante o tipo de “comentadores” (com experiência grande parte).!Atenção eu não tenho nenhuma!
    Mas há uma coisa que se chama ‘psicologia’, mind games, ‘não há espaço para mais criatividade’ – a técnica, o drible flui com o toque criativo do jogador e se repararmos Eden Hazard é um jogador masculamente “técnico” e tem fraquezas grandes – até onde vai a sua criatividade. E foi esse o teste de José Mourinho, em colocar um jogador até digno da sua criatividade como médio, juntando a sua forma física com o decorrer dos jogos. E depois juntou apenas um pouco de treino (muito crossfit, forma física e outros treinos para testar a condição do jogador desta forma tão intensa) que na minha perspectiva, foi uma jogada (não digo genial), mas que deixou o Chelsea apático e sem ideias “criativas”. Este tipo de presença em campo, pode gerir conflito entre outros jogadores e acaba o Manchester United ficar com o brain game na mão e prosseguir o jogo com uma vitória fulminante e segura. E para mais, conseguiram aqui um processo (condicional) em determinados jogadores, como Zlatan Ibrahimovic, Henrikh Mkhitaryan, Mata (não sei se foi bluff) e isto deixa em aberto a condição psicológica da equipa para o jogo com os belgas.
    No entanto, não tenho opinião sobre quem defende melhor, quem ataca melhor, qual é a sua dificuldade?
    Sou apenas um mero observador, acho o futebol colectivo muito mais dificil de criar (porque estamos a falar de 11 jogadores (ou metade dos jogadores) em sintonia e todos têm de querer o mesmo, a vitória e há trabalho colectivo).
    Enquanto que o indivual é apenas o seu trabalho dentro de campo, o cumrpir o seu dever e ter o prazer de adicionar um parte da sua personalidade ganhadora. Por exemplo, Ricardo Quaresma (técnicamente dotado, experiente, está atingir o auge da sua carreira porque psicologicamente sente-se mais confiante e confortável. É um jogador de fases…)

    Excelente post, amigo.
    Continuação de um excelente trabalho.

    Henrique Silva

    • O futebol é um jogo colectivo. Não existe isso do futebol de 1 contra 1. São 11 contra 11 sempre, desde o inicio. O que existe são acçoes individuais que acabam sempre por se tornarem colectivas a não ser que o Maradona parta do meio campo, finte toda a gente e marque golo. Mas nem isso é uma acção puramente individual pois na sua caminhada até ao golo houve companheiros a desmarcarem-se que chamaram a si a marcação de alguns defesas, o que abriu espaços ao Maradona.

  15. A pergunta do Bruno é interessante e encerra várias outras vertentes.

    Da minha parte, se isto for um pedido continuado por parte do treinador, não, é impensável um jogador ser feliz a fazer isto.

    Se for uma questão esporádica, e o jogador motivado para o fazer em circunstâncias particulares, não vejo mal nenhum nisso, até porque claramente o hazard pareceu afectado e processo ofensivo do Conte tem sido um bocado monocórdico, no mínimo.

    Daí o Chelsea não ter jogado uma beata.

    Aliás, o jogo foi péssimo, no geral.

    Um abraço

  16. Adoro este blog e sigo-o há algum tempo e já conhecia o Bruno Fidalgo do Código Futebolistico. Tenho uma ótima opinião das suas análises e comentários (basta ver o último post que colocou no seu antigo blog) e, talvez por isso, tenha ficado ainda mais surpreendido pela opinião manifestada.

    Refiro-me exclusivamente ao último parágrafo e, principalmente, à última frase onde refere “Assusta-me que um futebolista chegue tão feliz, ao final de um jogo em que a sua performance poderia ter sido replicada por um qualquer adepto em boa forma física.”

    Para além de concordar com um comentário de um outro leitor em que afirma que o Bruno aparenta desconhecer alguns princípios do comportamento humano, custa-me a acreditar que, como treinador, acredite mesmo no que escreveu neste último parágrafo.

    Vejo mais este post como um desabado de adepto de futebol do que como uma análise de treinador o que deixa um pouco desenquadrado do que se costuma escrever por aqui.

    Cumprimentos.

    • Luís, obviamente, e como já referi, essa frase serve para hiperbolizar a situação. A mensagem do texto refere-se ao prazer que o futebolista retira do jogo. O Herrera jogou um jogo qual o qual não me identifico minimamente. Obter prazer a jogar desta forma é algo que me custa a compreender. O jogo é muito mais do que isto. Se o Manchester perdesse, o Herrera teria tido prazer em jogar o jogo, desta forma? Não me parece e é essa a mensagem que pretendo passar.

      Cumprimentos

  17. Do jogo em questão ressaltou, sobretudo, a inépcia das duas equipas em jogar um futebol minimamente agradável. O Chelsea tem feito um bom campeonato mas, como já referiram anteriormente, tem lacunas sérias no processo ofensivo. O Mourinho, ressabiadíssimo, resolveu morder o Chelsea onde mais lhe convinha. Como percebe de futebol e tem uma experiência quase inigualável, sabe que fechando o Hazard e o Pedro não há mais Chelsea por onde pegar. É uma equipa demasiado rija de movimentos e muito pouco criativa colectivamente. O treinador, ainda por cima, não coloca em campo toda a criatividade que tem ao dispor, seja por opção (Fabregas, por exemplo), seja por estratégia (assassina a pouca influência de Matic com bola e a preponderância de Kanté neste aspecto). São uma equipa interessante, uma boa equipa, mas sem arte nenhuma. Estou curioso para ver o que vai dar a liga inglesa – 4 pontos não é nada – e para ver o que o Conte vai fazer no defeso em termos de opções e contratações.

  18. Tendo em conta que nesse mesmo jogo em que te referes que ele apenas fez anti-jogo e que desfrutou disso relembro te destes momentos https://youtu.be/WwroGfNNGzc?t=45s https://youtu.be/WwroGfNNGzc?t=2m53s , sim porque pelo teu discurso ele limitou se a “não deixar jogar” …mas sinceramente do jogo em sim foi a melhor coisa que tiraste? o comentário do herrera a dizer “dia perfeito”, foi isso que retiraste do jogo? A primeira página que vim ver à espera do uma análise desse jogo foi a vossa e sou te honesto estou habituado a bem mais da vossa parte do que critica barata sem construção…

      • Como diria Cruyff…”Numa partida de futebol, é estatisticamente provado que os jogadores tem a posse de bola por 3 minutos, em média. Então, o mais importante é: o que fazer nos 87 minutos em que você não tem a bola. Isso é o que determina se você é um bom jogador ou não.” Herrera jogou com bola e sem bola e tendo em conta que como qualquer jogador passa mais tempo sem bola do que com bola é importante que disfrute quando não está com ela…

  19. Bruno, saiu-lhe completamente ao lado este post.

    Se neste blog se escreveu o post sobre Ancelotti e sobre as substituições e como gerir egos dos jogadores que saem e entram em campo, então criticar um jogador por sentir que ajudou a equipa no que era preciso para este jogo não é só ir contra o que tem sido o critério editorial do blog; é alardear a toda a gente que não percebe como gerir diferentes personalidades dentro de um balneário.

    É que há jogadores, pela sua personalidade, que vão querer jogar de uma certa maneira e procurarão sempre a ribalta; por outro lado, há jogadores que vão procurar a eficiência e o resultado, pois para eles mais do que um jogo, o futebol é um trabalho. E os bónus de vitória e de golos não sofridos contam muito para quem tem no máximo uns 10-12 anos de carreira e família para cuidar.

    Foi como se disse no post das substituições: os treinadores que foram jogadores terão sempre muito mais sensibilidade, à partida, para estas questões dos jogadores. Sem desrespeito nenhum, mas um conjunto de jovens que saiu dos bancos da faculdade podem não ter essa sensibilidade. E sabe como é: “money talks, bullshit walks”.

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