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Os cavalos e o homem a homem. Mourinho na final da Europa League.

O Teatro dos Sonhos foi ontem palco de um jogo “sui generis”. Não tanto por se tratar de uma meia final da Liga Europa, mas sobretudo porque se pôde voltar a ver numa fase tão adiantada da prova, opções relativas a métodos defensivos que têm caído em desuso na Europa do futebol.

Quer Celta de Vigo, quer Manchester United a optarem por marcações individuais quase a campo todo. No caso do Utd, tais missões entregues aos três médios da equipa. Pogba, Herrera e Fellaini.

De que forma se pode justificar tal opção?

Desde sempre que a defesa intransigente da defesa à zona, como método defensivo primordial e com maiores garantias de sucesso foi feita por este espaço. Porque efectivamente é esta a melhor forma de manter a própria baliza protegida quando não se tem a bola. Quando se defende, defende-se a baliza e não o adversário. Todavia, tal não significa que não existam também algumas vantagens na opção por apertar a todo o instante o adversário directo. Tudo depende sobretudo do contexto próprio do jogo. Contra uma equipa com melhores jogadores, e / ou com uma proposta de jogo inteligente que aproveite princípios ofensivos tão comuns como o do aproveitamento do homem livre, tal opção é condenar a própria equipa não só a um jogo sem bola como ver o adversário criar sucessivos lances com vantagem espacial. Porém, quando a diferença individual é demasiada, apertar a todo o instante também tem as suas vantagens. Recuperas muito mais rapidamente a posse, e se adversário tiver aberto, terás mais transições, e transições a partir de erros por perdas de bola maioritariamente em más recepções, tentativas de drible ineficazes ou intercepção de passes. O que significa que praticamente sempre a recuperação se dá com o adversário directo já impossibilitando de conseguir assegurar a transição defensiva, aumentando o espaço ao portador que acaba de recuperar.

Contra jogadores capazes de resolver problemas individuais, ou equipas capazes de assegurar na construção desequilibrios que obriguem a constantes reajustes adversários, não há como defender uma marcação individual em todo um sector. Contra menos hábeis, e tendo os “cavalos” Pogba e Fellaini a apertar e a roubar, terá idealizado José Mourinho uma forma de aumentando o número de duelos individuais ganhar vantagem no jogo.

Se defender de tal forma é o mais seguro? É imaginar o que faria um meio campo com Kroos, Isco e Modric perante adversários que poderiam facilmente ser arrastados, para se perceber. Mas, se o United na recepção ao Celta entrou com tais opções, garantidamente que tal se deveu ao facto de Mourinho ter percebido debilidades nas características colectivas e individuais do seu adversário.

Rodrigo Castro
Sobre Rodrigo Castro 82 artigos
Rodrigo Castro, um dos fundadores do Lateral Esquerdo. Licenciado em Ed física e desporto, com especialização em treino de desportos colectivos, pôs graduação em reabilitação cardíaca e em marketing do desporto, em Portugal com percurso ligado ao ensino básico e secundario, treino de futsal, futebol e basquetebol, experiência como director técnico de uma Academia. Desde 2013 em Londres onde desempenhou as funções de personal trainer ligado à reabilitação e rendimento de atletas. Treinador UEFA A.

4 comentários em Os cavalos e o homem a homem. Mourinho na final da Europa League.

  1. Eu acho que o HH pode ter as suas vantagens. Mas o grande problema é que, não sendo 100% HH, é mais difícil de implementar. Todos os momentos em que trocas de referência passam a ser potenciais momento de desiquilíbrio e um bom exemplo é nas bolas paradas quando equipas trocam HH por zona assim que a bola sai da área.

    Mas gosto de ver um bom HH, não sou um purista da zona. O problema é que não ha muitos…

  2. Quado fazem um post sobre o Ajax? já fazia tempo que uma equipa não me seduzia tanto , o Manchester é favorito a vencer a liga Europa, e no campeonato holandês eles não andam no 1 lugar, mas tem uma equipa com ideias apaixonantes para quem gosta de bom futebol, gostaria de ver vossa análise ao Ajay de Peter Bosz , um discipulo de Johan Cruijff.

  3. “ou equipas capazes de assegurar na construção desequilibrios que obriguem a constantes reajustes adversários”

    Faz sentido, mas mesmo o Man City e o Chelsea passaram por muitas dificuldades contra o United.

    Talvez por toda a gente fazer agora zona, quando apanham alguém a fazer uma marcação HH forte, são problemas que não estão habituados a resolver.

    E mesmo enfrentando equipas de craques, cria muitas dificuldades. O Hazard nunca conseguiu ter sucesso com a marcação do Herrera, por exemplo.

    Acredito que dentro de uns anos possa regressar um pouco mais a marcação HH, devido à falta de criatividade que vai aumentando, fruto das restrições na formação e do menor tempo a jogar futebol do que antigamente.

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