“MarsBet”

O legado de Carlos Queiroz.

Para os mais novos, talvez o nome de Carlos Queiroz seja pouco significativo. Porém, o professor foi um autêntico revolucionário do futebol em Portugal. Teve um impacto tremendo no jogo. Não pelos títulos mundiais, que lhe trouxeram a credibilidade que pelo seu “modos operandi” merecia, mas pela inovação que trouxe ao jogo.
Foi em 1983 que Carlos Queiroz “trouxe” para Portugal a sua versão dos princípios do jogo.

Há trinta e quatro anos atrás, havia um português a determinar e a defender muito daquilo que o jogo é hoje. Há trinta e quatro anos atrás, Carlos Queiroz dava a conhecer princípios como o da “Concentração Defensiva”, que nos diz que a equipa sem bola deverá estar concentrada (junta) em protecção à sua própria baliza, no sentido de reduzir o espaço. Em suma, um determinar de uma série de princípios que desde logo inviabilizaria a possibilidade de um método defensivo centrado exclusivamente no HxH. Afinal, se assim for, nunca será possível cumprir com o quarto princípio defensivo do jogo.

Somente nos últimos cinco / seis anos a Europa do futebol se rendeu finalmente a um método defensivo que para quem soubesse interpretar os princípios do jogo tal como estes foram idealizados, deveria estar em vigor desde há mais de três décadas atrás! Este é o legado de Carlos Queiroz no futebol português. Bem maior do que a sua passagem pelo United, Real Madrid, Federação, ou qualquer título que tenha conquistado. A forma como sistematizou o jogo!

O legado que ficou é de tal forma importante, que hoje, mesmo quem não o conhece / reconhece, quando observa com qualidade um jogo, fá-lo da forma como Queiroz quis que o jogo fosse observado.

Os títulos e os resultados são naturalmente o que mais importa para os clubes, para os adeptos, para os jogadores e para os treinadores. O que mais importa para o jogo, é tudo o que Carlos Queiroz trouxe!

“Nada mau para quem começou lá atrás no Ferroviário de Nampula”, diria Carlos Queiroz.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2705 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

7 comentários em O legado de Carlos Queiroz.

  1. Txe… sem querer ser mauzinho e falando como um leitor de há anos… muito cascaram ( é bem, atenção) nele quando orientou a selecção.

    Como explicam que no período em que orientou a selecção a equipa fosse uma antítese de tudo isso (a começar pelas escolhas, até à estratégia da fezada no Ronaldo)?

    • para te ser sincero já não me recordo de como jogava a selecção no seu período! Mas, é impossível concordarmos sempre com tudo… seja com Queiroz, Mourinho, Guardiola, etc etc. Mas o texto pretende mesmo é dar a conhecer a sua importância no jogo em Portugal… muito superior a possíveis conquistas, ou derrotas como nesse caso! Se o Pep começar a fazer disparates atrás de disparates, nada apagará o que nos deu! (atenção, não estou a dizer ser o caso!)

      abraço

  2. Tenho gostado dos posts, mas este abusa a puxar a brasa à sardinha do Queiroz. Não lhe tirando mérito, os princípios já existiam, aquilo q ele e o Castelo fizeram , foi regista-los em papel, portanto o jogo sem eles seria, supostamente, igual. Metodo defensivo com 5 ou 6 anos!? Sim se este artigo tivesse sido escrito na decada de 90… Sacchi já usava um método muito parecido c o atual. Mas mais uma vez, mérito ao Queiroz pela organização e sistematização do treino.

  3. Julgo que será sempre injusto não referir este homem como um pensador destas coisas do futebol e até da vida (a entrevista é interessante a vários níveis). Mudou o futebol português de forma radical, ele e quem trabalhou com ele e com outras pessoas. E mudou para um caminho e uma ideia que rasgava o que se fazia até então e ainda deu sustentabilidade a um modelo clubístico ou de aproveitamento das selecções. Muito interessante! Agora, a parte operacional e do dia-a-dia não parece ser o forte dele. Inúmeros erros cometidos ao longo da carreira – como o próprio reconhece – e sobretudo modelos de jogo que não ajudaram os jogadores a evoluir. A última passagem pela selecção portuguesa foi má: maus jogos, confusões, trapalhadas e deixou uma equipa derreada. Por alguma razão sempre teve dificuldades no trabalho em clubes (talvez o imediatismo e a necessidade de resultados imediatos não colem muito com o seu perfil).

  4. Só não percebo como coadunam esta opinião com o bajular artigos como o do bacalhau à Brás do Nuno.
    Mas agora em 2017 andam a reconhecer que algumas “lutas” de há uns anos atrás estavam do lado errado da barricada (importância exclusiva da decisão). Em 2020 vão reconhecer que em 2016 estiveram errados. Nada contra o reconhecer ou contra o estar errado apenas contra o considerar que no presente estão sempre certos (e debater partindo desse principio) quando o passado mostra que não é bem assim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*