Largura, Professor Jesualdo, Largura!

white corner field line on artificial green grass of soccer field

O video documenta uma das excepções. Repare no posicionamento de Rodriguez, permanencendo bem encostado à linha lateral, conferindo largura ao ataque do FC Porto, contribuindo para afastar da zona central o lateral do Trofense. Defendendo à zona, o mesmo lateral direito poderia estar perto de Lisandro no momento em que este é solicitado por Lucho.

Em suma, o bom posicionamento de Rodriguez (caso quase excepcional), garantiu espaço no corredor central para o FC Porto construir o seu melhor ataque na partida. E há que lhe conferir mérito por isso, ainda que não tenha tocado na bola.

A ausência de largura na fase de construção do jogo do FC Porto, tem sido um dos seus principais problemas. Provavelmente a causa para os nulos no Dragão, onde os adversários tendem a aglomerar-se no corredor central, atrás da linha da bola.

Rodriguez aparece demasaiadas vezes, sem bola, no corredor central. Partindo com bola no pé para o lateral, quando se pretende, exactamente o oposto. Este tipo de comportamento, facilita em demasia o cumprimento dos princípios defensivos ao adversário. Apesar das boas características individuais, da capacidade para dar velocidade ao jogo e da forma como aparece, com alguma excelência em situações de finalização, após ataques no corredor lateral contrário, em Cebola residem algumas lacunas no processo de construção do FC Porto. Particularmente contra equipas bem concentradas.

Depois, há Hulk. O brasileiro é um prodígio físico, com uma capacidade técnica invulgar. Marca golos espantosos e tem facilidade em situações de 1×1. Contudo, as suas permanentes más tomadas de decisão, sejam na ocupação dos espaços, ou nos timings para prender e soltar, e para quem soltar a bola, continuam a inviabilizar muitos ataques do FC Porto. Sempre que não marca, a sua acção é negativa, porque em termos colectivos o contributo é nulo.

P.S. – Que se passa com Tarik?

P.S. II – Percebe-se o porquê da adoração que Hulk e Rodriguez, são alvos por parte dos adeptos. São jogadores com traços individuais de eleição. Colocá-los no leque dos melhores estrangeiros que actuaram em Portugal, é absurdo. O futebol é um jogo de equipa (ainda que poucos percebam realmente o alcance desta premissa). E são os melhores colectivos que saiem vencedores.

P.S. III – Sabia que o FC Porto tem esta época, menos 7 pontos que na anterior? E que apesar de marcar muitos golos em determinados jogos, já terminou outros 4, sem marcar um qualquer golo? Só na Liga Sagres.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3011 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

1 Comentário

  1. PB,

    Partilho a visão de que Hulk e Rodriguez são muito limitados em termos de inteligência nos movimentos sem bola, assim como da estranheza pela ausência de Tarik.

    No entanto, creio que o Porto tem evoluído positivamente no problema da largura. Rodriguez sempre foi utilizado como um extremo de linha por Jesualdo, tendo uma missão restrita ao corredor, excepto nas situações de finalização. Já Hulk começou a ser utilizado junto com Lisandro no meio, o que tirava presença ao flanco direito e gerava alguma redundância posicional, devido à tal menor cultura de Hulk. Hoje, Hulk é utilizado a partir da direita, o que me parece mais correcto. O problema é que perante equipas mais fechadas e menos espaço, ele não consegue encontrar o espaço e tempo certos para aparecer.

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