Diário do Mundial. Dia 3.


Ao terceiro dia, surge nova equipa no torneio bem organizada tacticamente. A Alemanha de Joachim Loew, tal como a Inglaterra de Capello, sabe perfeitamente como ocupar o campo de jogo. Defensivamente o seu quarteto mais recuado coloca-se em função da bola e dos próprios colegas. Posicionam-se bem próximo uns dos outros, garantindo que a bola nunca é colocada em profundidade nas suas costas. O restabelecimento de equilibrios (essencialmente sempre que um dos centrais tinha de sair na lateral, cabendo ao lateral a função de fechar mais dentro, garantindo a cobertura defensiva) sai de forma natural.

A lamentar, tal como com a selecção inglesa, a opção por um sistema táctico que não garante muitos apoios, nem uma articulação muito eficiente entre sectores. Por cá continuamos a preferir os colectivos que ocupam o espaço à frente dos centrais com um pivot defensivo.

Quando cair, e cairá nos quartos ou nas meias, a selecção germânica cairá de pé.

A Austrália é uma enorme desilusão. Não é que se pudesse pensar que os australianos pudessem contrariar o favoritismo da mannschaft. Porém, com tantos jogadores a disputarem competições na Europa, seria difícil imaginar que tal selecção não passasse de um grupo de excursionistas incapazes de se colocarem em campo de forma assertiva. Sem bola, os australianos tentavam estar onde estavam os alemães. Não admira que defensivamente a equipa se aproximasse de um enorme buraco. Ter técnica não chega. Sobretudo quando não se percebe exactamente o que se está a passar.

O Gana venceu e, mesmo tendo-o feito à custa de incríveis erros pontuais de jogadores sérvios, demonstrou superioridade. Incomodou, no entanto, a falta de qualidade nos momentos de decisão com a bola. O Gana até tem bons jogadores do ponto de vista físico e técnico. Contudo, sem qualidade nos processos de tomada de decisão, jamais poderá fazer uma boa prova. Foram lastimáveis os minutos em que jogou em superioridade numérica (na realidade, nunca conseguiu fazer valer a superioridade, porque não teve intelectualmente capacidade para explorar as zonas de menor concentração defensiva adversária).

A Sérvia é uma desilusão. Vários jogadores famosos, mas ausência futebol de qualidade. Com este resultado, parece condenada à eliminação precoce. Não parece crível que a Austrália consiga pontuar nesta prova.

No grupo C, Argélia e Eslovenia foram protagonistas de um jogo bem pobre. Quando em termos gerais há pouca qualidade individual, e em termos colectivos verifica-se uma total ausência de ideias e princípios, torna-se difícil aguentar tal espectáculo. Os Estados Unidos parecem ter mais condições para seguir em frente.

Destaques

Ozil (Alemanha). Jogador relativamente desconhecido, é a primeira boa supresa do Mundial. Bom técnicamente e rigoroso tacticamente, o jovem impressionou. Acrescenta criatividade a uma selecção, por norma deficitária nessa característica tão decisiva no jogo moderno. Jogador a rever. Tal como Muller, promete guiar uma nova geração de excelentes futebolistas germânicos.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3166 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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