Por onde começar, Paulo ?

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Problemas colectivos:

– Defensivamente não há coordenação entre o sector defensivo e o meio campo. Qualquer bola colocada nas costas dos médios (e lembre que basta recorrer a jogo directo, não perdendo a primeira bola, para o fazer) e temos situação de apenas 4 defesas atrás da linha da bola. Quando a bola é colocada no avançado adversário, quem sai para pressionar, ou disputar a bola no ar, é um dos centrais. Pelo que, sobrarão somente três defesas numa linha mais recuada. Quando tal sucede, os laterais devem fechar no corredor central o mais rápido possível. Por vezes não vão a tempo de fechar e fica um vazio incrível no centro da defesa, sucedendo o que aconteceu por mais de uma vez na Mata Real, possibilidade de um jogador vindo de trás ou da ala, aparecer no corredor central isolado na cara do guarda redes leonino. Quando os laterais juntam rapidamente ao defesa central, deixa de ser possível explorar a profundidade nas costas da defesa. Porém, sobra espaço para os extremos adversários receberem a bola sem oposição, com tempo mais que suficiente para servir quem vai aparecer em zonas de finalização. Quantas vezes contou lances idênticos no jogo com o Paços de Ferreira? Em suma, dê por onde der, não há equilíbrio defensivo. Recentemente defendemos que o Benfica não poderá ser o mesmo defensivamente, porque o 6º defensor (Ramires) já não voltaria para trás da linha da bola. Imagine então o que pensamos da forma de defender do Sporting, que coloca, demasiadas vezes, apenas quatro jogadores atrás da mesma.

– Ofensivamente, os extremos estão bastante longe da equipa. O apoio (Maniche) está muitas vezes longe do portador da bola, pelo que resta a opção de procurar o lateral que desmarcou nas costas (em campos reduzidos, tal por tão previsível, o melhor que resultará será em ganhar uns lançamentos de linha lateral junto da área adversária), ou forçar as situações de 1×1. Sempre de resultado imprevísivel e cujas perdas de bola poderão, a qualquer momento originar contra-ataques perigosos.

Problemas individuais:

– Evaldo corre muito e tem bastante força, é obviamente um upgrade em relação a Grimi, mas não deixa de ser demasiado limitado em termos técnicos. Para se jogar no Sporting não basta ligar o motor da locomotiva e ganhar uns lançamentos de linha lateral.

– Liedson. Basicamente, não joga absolutamente nada. Não acerta um passe, nem ganha uma bola. Como também parece ter-se esquecido de como fazer golos, a fé é a única explicação possível pela qual ainda joga de início. Curioso que Paulo Sérgio até referiu antes do jogo, que de todos os avançados era o que menos entendia a dinâmica colectiva.

A rever:

– Matias Fernandes. Tem tanto de bom jogador quanto de desaproveitado pelos treinadores que tem tido em Portugal. Sabe sempre quando e para onde soltar a bola. Bastante inteligente também na forma como invade sempre o corredor central, quando conduz a bola. É nesse espaço que se multiplicam as opções. Foi vitima da má segunda parte de todos.

– Jaime Valdés. Não entrou no jogo. A culpa não foi sua, contudo.

– Hélder Postiga. É certo que se movimenta bastante bem. Cria espaços e concede opções (linhas de passe) ao portador da bola. Porém, para quem joga tão adiantado no campo de jogo, não é normal ter tanta dificuldade para finalizar. Quando o resultado não agrada, é sempre das perdidas que nos lembramos.

Interrogação:

Poderá o Sporting com esta forma de jogar amealhar muitos pontos fora de casa?

Até poderá acontecer. Contudo, a única certeza é que cada partida fora de Alvalade será jogo de tripla. Literalmente. Tal como está, as probabilidades de vencer não são bastante maiores que as de perder…

P.S. – Já se viu algo bastante parecido com isto do outro lado da segunda circular… Mas, Paulo Sérgio tem mais do que o plano A e por certo que irá reavaliar as suas ideias iniciais. Não é, mister?

Sobre Paolo Maldini 3804 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

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