O individual e o colectivo. Para além do óbvio.

white corner field line on artificial green grass of soccer field
É demasiado fácil perceber quem individualmente errou e de uma forma demasiado grave no lance do segundo golo do Schalke. David Luiz não pode, nunca, arriscar a posse de bola naquela situação.
Esquecendo o óbvio. Poderia o SL Benfica (colectivamente) ter reagido de forma mais eficiente à situação criada? Claramente.
Já aqui se falou de como se defendem as situações com cinco e com quatro jogadores atrás da linha da bola. O princípio comum a todas as situações defensivas (desde que haja pelo menos um defensor), é o da contenção (colocação do defensor entre a bola e a baliza).
Esse é o principal erro defensivo na resolução da situação, pós perda de bola. Nenhum dos três defensores saiu à bola. Nenhum garantiu a contenção. Os três jogadores permaneceram lado a lado, formando uma linha de 3, quando se pretendia que um saísse a Raul (passando para o 1+2). Se tal tivesse acontecido, os dois de trás deveriam continuar a recuar no campo, lado a lado por forma a garantir uma dupla cobertura. Ter recuado um pouco mais no campo de jogo, incrementaria de sobremaneira a dificuldade em servir o colega na profundidade (relembre que o passe de Raul saiu para as costas dos defensores).
P.S. – Erros individuais há todos os jogos. E aos magotes. As melhores equipas são capazes de os disfarçar pelos processos colectivos. O Benfica de Jesus continua a ser uma equipa excepcional do ponto de vista táctico. Contudo não foi capaz de resolver de forma mais eficiente uma situação que convenhamos era bastante delicada (somente três defensores).
P.S.II – Raúl tem classe até a andar. E inteligência. Sabe sempre a forma como se resolvem as diferentes situações. O lance pode até nem ser de difícil resolução. Porém, é possível que uma quantidade quase infindável de futebolistas não o tivessem resolvido da forma extremamente assertiva como o espanhol o fez.
É assim que se resolvem situações ofensivas de vantagem numérica.
“o portador da bola deve progredir com a bola no pé, no sentido da baliza, soltando a bola, no timing correcto (bem próximo do defesa), para que a bola saia para as costas do defesa. O passe deve ser efectuado para o espaço (e não para o pé do colega, por forma a que este não trave a corrida). Ou seja, de uma situação de 2×1, pretende-se passar para uma de 1×0.” Retirado daqui.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3761 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

7 Comentários

  1. Não concordo totalmente!!! O Problema ali foi que Javi só fez número, não pressioniou o homem da bola, nem fechou ao centro… Quando o Raul faz o passe já David tinha recuperado a posição… Penso também que Máxi se encostou demasiado a Luisão o que permitiu uma abertura enorme do lado direito da defesa do Benfica… Na alturaq ue Raul decidiu passar a bola, passou-a para o único jogador que estava em situação legal para o fazer, os outros dois estariam em fora-de-jogo…

    Com David Luiz com a posição praticamente recuperada, Luisão deveria ter subido um pouco no terreno em direcção a Raul, Máxi abrir mais na direita e Javi proteger Luisão…

    Isto sou eu que de treinador só no Fm… 🙂

  2. Mas, é isso mm pjsimoes. O javi devia ter pressionado o Raul (Qd esta a regressar para tras), e o Maxi formava a dupla cobertura com o Luisão. Não o tendo feito, qd chega À linha defensiva, deveria ter sido o Luisão a sair À bola.

    O Maxi mais do que abrir mais, deveria ter conseguido (em coordenação com os colegas) baixar um pouco mais no campo. Se ele abre mais, levava a bola na diagonal, e a situação seria ainda bastante mais perigosa, pq quem cruzou ficava na cara do gr.

    Metralha, acho q há ai uma confusão. Se n tou em erro, o PEixoto n aparece no video.

  3. Aguardo com ansiedade o comentario ao jogo do Sporting. Mal-grado as insuficiencias do Levski, pareceu-me finalmente ver uma linha defensiva muito bem coordenada (por mais de uma vez), movimentos de ruptura no ataque e um fartote de passes verticais, mesmo com o resultado ainda em 0-0. Efeito Matias Fernandez ou algo mais?

  4. Estamos no ponto, sim senhor, de discutir «bola» a sério. Mesmo sendo do Benfica, já agora, gostava de ver a análise ao Sporting, e já agora Porto, pois não vi nenhum dos jogos!
    Sobre este, realmente, parabéns!
    Grande post!!!

    Abraço

    Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

    Bimbosfera.blogspot.com

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