O 3×4 do FC Porto. Haverá forma de parar a saída para contra ataque mais letal dos campeonatos europeus?

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Por diversas vezes, já aqui mencionamos o perigo que é o FC Porto aquando da recuperação da posse de bola, se a esse momento lhe seguir um passe rápido que chegue aos pés de Hulk, no corredor lateral contrário ao seu pé dominante.

O movimento ofensivo é simples. Hulk recebe, conduz a bola desde o corredor lateral direito até ao corredor central, enquanto Kléber (ou Falcao) inicia uma desmarcação de ruptura, através de um movimento iniciado de forma horizontal, ao longo da linha defensiva adversária, atravessando o defesa central direito adversário, até ao esquerdo. Se os adversários acompanharem o movimento do avançado portista, são arrastados na direcção do corredor lateral, e Hulk prossegue a jogada pelo meio, finalizando ele próprio a jogada que iniciou. Se os centrais permanecerem estáticos, a bola entrará nas suas costas, possibilitando uma situação de 1×0 contra o guarda redes adversário.
Num único jogo quatro foram as oportunidades flagrantes do FC Porto com o mesmo movimento. Pode confirmá-las aqui, no 9”, 43”, 2’28” e 2’47”do video (não só em momentos de transição. Mas, mostram as duas soluções que Hulk invariavelmente e bem toma. Ir até ao fim, quando avançado arrasta as marcações, ou o passe, em profundidade quando este consegue libertar-se)
Que Hulk é praticamente imbatível com metros e tempo para correr, já todos o sabemos. Haverá, no entanto forma de condicionar a sua acção, levando o FC Porto a ser menos vezes bem sucedido?
Claro que sim. O primeiro comportamento defensivo que deve ser alterado, é o do defesa esquerdo adversário. Ser inteligente, é perceber que Hulk passará. Não há que tentar evitar o inevitável. Há que, dentro do inevitável, optar pelo que pode ser melhor para a sua equipa. Ao defesa que sai a Hulk, caberá nunca libertar o corredor central. Mais que tentar interceptar a bola, ou recupera-la, importa dar o lado de fora ao brasileiro. Posicionar-se de forma a convidar Hulk a prosseguir a aventura pelo lado de fora. Mesmo que isso implique uma maior facilidade na forma como este ultrapassará o defensor. Como já vimos, passando pelo centro, Hulk ficará com mais opções para definir a jogada. Opção de passe à sua direita, beneficiando da desmarcação do avançado, opção de passe à sua esquerda, geralmente com Varela, para além de ficar também enquadrado com a baliza e apto a finalizar ele próprio o lance que iniciou.
Obrigando Hulk a sair do drible pelo corredor lateral, a probabilidade de êxito reduz-se drasticamente. Depois de sair da finta, estará bem mais próximo da grande área adversária, numa posição lateral, que impedirá o tradicional movimento do avançado, cortando para a sua direita, mantendo a imprevisibilidade na decisão de Givanildo. Sobrarão duas hipóteses. Ou volta para dentro, mas aí, o espaço para jogar já será substancialmente menor, pelos metros que já foram percorridos, logo enfrentará uma situação de resolução muito mais complicada, ou termina o lance num cruzamento para a área, que terá necessariamente menor probabilidade de ser concluído com êxito, que as opções anteriores.
E se, logo no início da jogada, o defesa distraído, for incapaz de dar o lado de fora a Hulk, e o brasileiro conseguir mesmo seguir com a bola pelo corredor central, torna-se impossível impedir o FC Porto de chegar à finalização?
Não. Para além do erro que sempre é, conceder o lado de dentro ao brasileiro, nota-se também uma incapacidade quase geral das equipas da liga, para depois responder com assertividade à nova situação de jogo. Essencialmente porque os três defesas que continuam a trás da linha da bola, não adequam a sua movimentação ao que o lance exige.
Depois de ultrapassado o lateral esquerdo adversário, impõe-se que um central saia rapidamente ao caminho de Hulk, colocando-se entre este e a bola, enquanto que o central que ficou, e o lateral direito, garantem uma linha de cobertura. Impõe-se que quem defende, ou seja os três que ficaram, consigam formar um triângulo. No vértice mais avançado o central que saiu a Hulk, e nos mais recuados, o central e o lateral que continuam a formar a linha defensiva. O posicionamento dos dois mais recuados terá de ser o suficientemente próximo entre eles para que nunca seja possível que a bola passe entre os dois, e o suficientemente afastado do vértice mais ofensivo, que possa permitir controlar a profundidade defensiva. Se assim for, Hulk poderá até servir com perigo Kléber ou Varela. Mas, sempre de uma forma em que o portador da bola termine numa posição lateralizada face à baliza.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3761 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

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