Ainda o Sporting. A protecção dos médios interiores ao corredor central e o consequente menor número de intervenções defensivas de centrais e trinco.

white corner field line on artificial green grass of soccer field
“Falemos do momento do jogo, e do comportamento mais aprazível, em termos tácticos do FC Porto.
A dinâmica do trio do meio campo, aquando da organização defensiva.
Sem posse, o triângulo passa a ter dois vértices defensivos. A ocupação do vértice mais ofensivo, depende da zona do campo onde a bola está. Se sobre o lado direito, Meireles sai à bola (contenção), ocupando o vértice mais ofensivo do dito triângulo. Atrás de si, numa linha paralela à linha de fundo, Fernando (sobre o lado direito) e Guarin (à esquerda de Fernando) realizam uma dupla cobertura. Após cada passe, há um reajustar de posições. Se a bola, é passada para um adversário, posicionado no lado direito do corredor central, Guarin sai rápido para a contenção, ocupando ele o vértice mais ofensivo, enquanto que Meireles baixa rapidamente para a linha que Fernando ocupa no campo.
O importante é, a todo instante, garantir o tal triângulo, e impedir, pela proximidade dos jogadores em questão, que a bola entre no espaço formado pelos três centrocampistas do FC Porto. Sem falhas posicionais, e respondendo rápido (pela troca de funções. Contenção – Cobertura) à troca de bola adversária, garante-se que o espaço onde tudo acontece (corredor central) é praticamente inviolado.”
O texto é do último dia do ano de 2009, e pretende dar a perceber o porquê de haver defesas centrais que passam pelos jogos quase sem serem notados nos momentos defensivos, e porque há outros que integrados em modelos que não os beneficiam, por não terem médios próximos que sejam os primeiros jogadores da equipa a sair à bola, são forçados constantemente a ter de desarmar o adversário.
Não admira portanto os dados obtidos também nas recuperações de bola.
– No Sporting, são 27 por cento do total de recuperações da equipa, as bolas que os centrais recuperam, e 16% as recuperações obtidas pelo trinco. O eixo central defensivo, composto por três jogadores é responsável pela recuperação de quase metade dos ataques adversários.
– No FC Porto, são apenas 18 por cento as bolas que os centrais recuperam, e 11% as recuperações obtidas pelo trinco. Não chega, por pouco, a um terço do total de recuperações do FC Porto, as que são feitas pelo eixo central.
– No SL Benfica, são 21 porcento as bolas recuperadas pelos defesas centrais e também 11% as recuperações do trinco. Pouquíssimo mais que um terço das bolas recuperadas pela equipa são fruto de recuperações dos três jogadores do eixo central.
Alguns dados ainda sobre as faltas.

Sporting 68 faltas cometidas;
FC Porto 71;
SL Benfica 55.

Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do Sporting – 20%
Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do FC Porto – 8%
Percentagem de faltas cometidas pelos defesas centrais do SL Benfica – 9%

Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do Sporting – 17.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do FC Porto – 12.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo trinco do SL Benfica – 5%

Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do Sporting – 37.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do FC Porto- 20.6%
Percentagem de faltas cometidas pelo eixo central defensivo do SL Benfica – 14%

Tivessem estas pequenas curiosidades validade, e somando o elevado desnível percentual quer de recuperações, quer de faltas cometidas (consequente não recuperação) pelo eixo central defensivo de uma e outras equipas, percebe-se o quão desconfortável deve ser ocupar as três posições centrais mais defensivas do Sporting. A equipa simplesmente não é capaz de os proteger e os três estão sistematicamente em jogo.

Os dados relativos às recuperações de bola e faltas foram retirados do Site do Jornal A BOLA, e tal como no texto anterior, há que reforçar “que o estudo tem validade zero. Depende de demasiados factores (desde características dos e do adversário, características dos próprios jogadores, dos árbitros, até às características do próprio jogo) para que possa ser válido. Em suma, mais que um estudo é somente uma pequena curiosidade, cujo resultado pode ou não estar relacionado com a percepção que se tem do jogar leonino.”.
P.S. – A imagem escolhida é de um dos treinadores de que há memória que mais tenha desprotegido os defensores.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3172 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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